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domingo, 13 de setembro de 2026

Amor não correspondido

    Vivo me perguntando qual a sensação de ser amado romanticamente, ao qual desconheço muito bem. Sempre procurando uma amada que possa fazer por mim o que nenhum amigo meu faria, até porque não seria da competência deles, nem seria lógico que o fizessem. É realmente uma dor fantasma ou um vazio existencial levar a vida sem isso, ainda mais vindo de alguém como eu, que não consegue se relacionar com qualquer pessoa, precisando desenvolver sentimentos primeiro, para depois me sentir confortável de tomar outros passos.

    Me sinto incompleto sem uma parceria romântica com alguém. As pessoas falam que eu preciso ter mais amor próprio e eu sempre entendi (e afirmei) não ter quase nenhum. Mas hoje, refletindo, é exatamente o contrário. Eu me amo demais, sou a única pessoa que me dá amor romântico na forma de devaneios e sonhos. Talvez falta compreensão do quanto eu queria ser amado por outra pessoa, para dividir este fardo de me amar. Por isso que já não aguento mais todo esse esforço, como se trabalhasse em dois turnos para fazer o que ninguém faz por mim ou comigo. Essa necessidade que eu tenho de dar e receber carinho, cuidar e ser cuidado, acolher e ser acolhido, ajudar e ser ajudado e passar por dificuldades juntos, porque sozinho é uma desgraça é o que me faz buscar esse extra. Um sonho que tornaria minha vida completa ao se concretizar, com toda a certeza. Aquele calor humano, um simples gesto ou contato, parece que nunca tive isso na vida, mas é só que não me lembro quando foi a última vez. Se dependesse de calor humano para meu corpo se manter em temperatura ambiente, estaria em zero kelvin há muito tempo.

    Amando a mim mesmo por falta de alguém para cooperar, é o resumo da minha vida romântica. Abraçando um travesseiro gelado porque não há corpo quente ao meu lado. As pessoas dizem que é horrível um amor unilateral, onde somente uma pessoa se esforça para manter o relacionamento. O problema é que, dada a natureza da minha solidão, nenhum amor romântico que eu experienciei na vida foi bilateral, pelo simples fato de que não houve alguém ali. Sempre fui eu me esforçando para dar amor a mim mesmo e manter acesa essa chama. Tudo eu, sozinho, por anos, para não enlouquecer neste ambiente inóspito. Isto é muito cansativo e estou farto de tanto me esforçar sem haver esforço para colaborar com este sentimento. Estou cansado de amar sozinho, mas não porque a outra pessoa não está colaborando ou correspondendo e sim porque ela nem existe. É tão desmotivador criar uma cena inteira, todo este teatro, preparar o palco, pensar no roteiro e improvisar um monte de coisas só para sentir que tenho uma parceira romântica na vida. A desmotivação vem de tal complexidade, quando seria tão simples de só ter alguém ali e se deixar levar.

    Sozinho, eu levo a vida. Claro que tenho amigos e não desdenho deles, mas o papel que eles cumprem não consegue suprir tudo que preciso. Se pudesse fazer um diagrama de Venn, existe uma intercessão de coisas que ambos suprem, mas existem áreas que somente um dos lados pode suprir e seria hipocrisia qualquer um deles me falar o contrário. Ainda mais considerando a distância que estão de mim, não tomando ciência de um milésimo do que passo quando eles não veem ou ouvem. Talvez seja melhor assim, apenas sofreriam sem necessidade de me ver neste estado de agonia deplorável. Se todo texto dissertativo precisa apresentar soluções, a minha é simples: uma mulher que me ame romanticamente e não queira apenas se aproveitar de mim.


Toinho Stark do Cangaço, 13/09/2026, 06:34-06-56


"No fim do dia, balanças só são equilibradas quando há algo dos dois lados" 13/09/2026, 07:04


(As pessoas dizem que é horrível um amor unilateral, onde somente uma pessoa se esforça para manter o relacionamento. O problema é que, dada a natureza da minha solidão, nenhum amor romântico que eu experienciei na vida foi bilateral, pelo simples fato de que não houve alguém ali. Sempre  fui eu me esforçando para dar amor a mim mesmo e manter acesa essa chama. Tudo eu, sozinho, por anos, para não enlouquecer neste ambiente inóspito. Isto é muito cansativo e estou farto de tanto me esforçar sem haver esforço para colaborar com este sentimento)

(Estou cansado de amar sozinho,  mas não porque a outra pessoa não está colaborando e sim porque ela nem existe)

(As pessoas falam que eu preciso ter mais amor próprio e eu sempre entendi (e afirmei) não ter quase nenhum. Mas hoje, refletindo, é exatamente o contrário. Eu me amo demais, sou a única pessoa que me dá amor romântico na forma de devaneios e sonhos. Talvez falta compreensão do quanto eu queria ser amado por outra pessoa, para dividir este fardo de me amar. Por isso que já não aguento mais todo esse esforço, como se trabalhasse em dois turnos para fazer o que ninguém faz por mim.)



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Noites escuras

    Em minha vida, todas as noites são escuras, porém algumas se sobressaem, em que o breu toma conta completamente do ambiente. São aquelas em que minha luz não brilha nem que seja fracamente. São as piores, quando a escuridão é tão intensa que se pode sentir seu toque. São nestas que minha insônia persiste em cobrir-me com seu véu. A Lua reflete na janela, seus raios não penetram a densa camada negra que cobre meu quarto. Até a aranha que estava no teto não pode ser vista. 

    Minha capacidade de ver é reduzida ao zero e só os pensamentos podem preencher o vazio restante. Quantos lúmens são necessários para alumiar este quarto? Não faço ideia, pois só meus fracos lampejos um dia o fizeram. Não percebo diferença se meus olhos estão abertos ou fechados, não é como se fosse mudar o que está à vista. Na verdade, com os olhos fechados talvez eu veja mais. É quando percebo o quanto tudo está tingido de preto, de tal forma que nem o nascer do Sol poderia clarear tal quarto.

    Escuridão é onipresente nesta noite, mais que nas demais. Sua textura é densa, como se o ar pesasse uma tonelada. Aqui todos os sentimentos se desfazem e sobra apenas o vácuo perfeito, como se estivesse abandonado na borda do espaço observável. São nestas horas que me sinto o homem mais solitário do mundo. Ninguém pode me dizer o contrário, pois não estava lá para testemunhar. É tão isolado que sinto que se gritasse, nem mesmo um deus ouviria. Como se o niilismo fosse uma forma branda do lugar em que me encontro.

    Diária a reflexão de que este lugar é o que mais se assemelha ao inferno. Pois calor e tortura já experienciamos no dia-a-dia com certa frequência e muitos toleram. Mas este vazio escuro, ao qual não vejo suas bordas, é onde um filho chora e a mãe não vê, nem ouve. Quem dera eu tivesse uma luz acesa aqui, nem que seja um abajur ou de emergência, nessas noites escuras, para que eu pudesse enxergar algo além das sombras que turvam minha visão, tornando o caminho à frente tão incerto que nem faz sentido arriscar um novo passo. Quem dera pudesse ver, novamente, o chão em que piso.


Toinho Stark do Cangaço, 27/08/2026, 04:32-04:52


(Quem dera eu tivesse uma luz acesa, nem que seja um abajur ou de emergência, nessas noites escuras, para que eu pudesse enxergar algo além das sombras que turvam minha visão, tornando o caminho à frente tão incerto que nem faz sentido arriscar um novo passo.)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A decadência das relações humanas

    Esta madrugada estive pensando, novamente sozinho no quarto, como que nossa sociedade consegue reconhecer bem a dor de diversos problemas, mas não de um que afeta tanto as pessoas hoje em dia. Se fosse fazer uma pesquisa global do que as pessoas acham dos civis vítimas da guerra, de uma criança com fome, de uma pessoa com câncer, de um surdo-mudo, uma pessoa vítima de violência doméstica ou de estupro, é quase unânime a reação de pena, talvez até de raiva da causa do problema, mas existe uma grande piedade por aqueles acometidos por isto. Só que há uma discrepância absurda de como a sociedade trata uma pessoa que passa pelos problemas citados anteriormente e uma que está solitária, sem amor, presença ou atenção alheia. Parece que esta, que está deprimida por uma ausência de calor humano e suas interações é só dramática e praticante da autopiedade. É como se todos os outros problemas fossem perfeitamente justificáveis, mas este fosse apenas um drama barato. Até mesmo se vê o menosprezo de quem passa por isso com a injusta comparação de que esta não está passando pelos outros problemas que falei.

    Sociedade atual, no ponto que quero chegar, não tem amor. Se Bauman falava em uma sociedade líquida, a nossa transcendeu o plasma e virou um quinto estado da matéria. Mas não só da volatilidade das relações se dá esta falta de amor, as pessoas estão cada vez mais isoladas e isto é um sintoma da criação. Dos pais menos presentes, das crianças trancadas dentro de casas, seja por medo da violência, seja por superproteção dos pais, da tecnologia atraente em jogos eletrônicos e vídeos em redes sociais, da quantidade enorme de gente desprezível à solta que nos faz questionar se existe alguém bom no mundo etc.. Pessoas falam que "na minha época as pessoas não tinham problema com estar sós", que não se sofria tanto por falta de um amor ou alguém de confiança ao lado, mas isso é simplesmente uma medida desproporcional ou que era tudo muito mais difícil. Porém, na sua época as pessoas tinham vários bons amigos, pessoas de confiança que tornavam as dificuldades meros contratempos e faziam o possível pela sua vida, até mesmo pela de um desconhecido. É como se no filme "A felicidade não se compra" ele não tivesse ninguém ao final para acolhê-lo e ajudá-lo a reverter os problemas que o afligia, qual seria o desfecho dele?

    Sofre mais, na sua época, pois existiam mais dificuldades, mas também haviam mais pessoas agindo em prol das outras para superá-las. Quando só uma pessoa tinha televisão na rua, todos se juntavam na casa dela para assistir. Quando a comida faltava, se partilhava uma sardinha, um pão, uma mortadela que seja e até um suco aguado, se colocava água no feijão para render. Se só uma pessoa tinha um carro na quadra inteira e alguém precisava ser socorrido, esta pessoa pegava o carro e socorria. Se uma pessoa estava mal por uns problemas que aconteceram e as outras notassem, elas organizavam uma atividade em grupo para ir e desopilar a mente. As pessoas brincavam na rua e tinham interações próximas, criavam laços difíceis de se quebrar e tentavam, juntas, vencer os problemas. Hoje as pessoas sentem que lutam sozinhas contra todos os problemas e você, que insiste em menosprezar o que faz os outros sofrerem, é culpado disso também. Parece que tudo é súbito e nada foi feito para durar, tal qual as panelas, os talheres e os eletrônicos, parece que as relações humanas não duram mais de um ano, exceto quando estão na garantia.

    Calada da noite, poderia estar dormindo, mas a insônia do meu quarto escuro e solitário, pela milésima vez, me fez levantar e escrever isto. Decidi que não vou deixar outra oportunidade de abordar este assunto se perder em devaneios solitários, que isto seria guardado para, pelo menos, aparecer no futuro como um presságio de que esta sociedade se destruirá pela incapacidade de nos unirmos. Tantas conversas e ideias incríveis são tidas à dois ou três numa chamada do Discord, Whatsapp, Instagram, Steam, Skype, TeamSpeak ou sei lá qual outra rede social mais, mas se perdem naquelas palavras, nas mentes daqueles cujas ideias geniais se desfazem no tecido do tempo, voláteis, em segundos virando apenas uma lembrança. A vida também é curta assim, mas a própria solidão que tentamos combater é aquela que isolou grandes pensamentos a um grupo minúsculo de pessoas debatendo isso de maneira tão informal quanto um jogador de dominó se divertindo com os amigos.


Toinho Stark do Cangaço, 06/08/2026, 03:27-03:54


    (Como as pessoas identificam, com pena, os outros problemas, mas não a falta de amor)

    (Como que a sociedade de hoje não tem amor)

    (Como que a voz das pessoas fica quebrada em chamadas de voz com apenas duas pessoas, etéreas, voláteis, se esvaindo em segundos)


domingo, 1 de março de 2026

A maravilha da solidão

    Eu não consigo explicar para as pessoas como que "estar sozinho", para mim, não é a mera ausência de alguém ao meu lado, mas sim um quadro quase clínico, onde experiencio algo que o DOI-CODI não usava por achar cruel demais. Talvez porque isso é tão parte da minha rotina que eu achava que todo mundo sentia as mesmas coisas quando ficava sozinho, mas, pelo visto, eu tenho o dom de ser acometido pelas piores combinações possíveis, do mesmo jeito que nasci no Nordeste e com alergia a poeira. Eu cansei de tentar explicar que ficar sozinho é como uma tortura para mim, então vou, minunciosamente, descrever o que eu passo quando fico sozinho. Porque eu achei que seria senso comum ver a solidão como uma agonia maior que um tinido nos ouvidos ou acertar o dedo mindinho na quina repetidas vezes. Mas, pelo visto, existem pessoas que romantizam a solidão, então te convido a experienciar, comigo, estes maravilhosos sintomas.

    Detesto ficar sozinho, mas é porque meu corpo continua, desesperadamente, procurando algo para se conectar. Quando não é hora de dormir, mas não tenho ninguém para conversar, fico andando pela casa, conversando comigo mesmo, organizando as coisas que já estão no lugar, procurando algo para fazer para que meu cérebro não hiper-foque em alguma besteira ou volte ao ciclo do que acontece à noite. Ando para um lado, depois para o outro, bufo, escalo o sofá, tento tocar o teto pela milésima vez, procuro imperfeições microscópicas na parede, planejo mil coisas que eu provavelmente nunca irei fazer, começo a estudar um assunto que nunca me interessou ou faço qualquer coisa. Eu só preciso me distrair para não transformar essa crise de ansiedade em ataque de pânico. Depois disso vem a noite, quando meus amigos já foram dormir e só tenho a mim, nesta casa. Se bem que daqui a pouco meu pai se acorda e ele é a única pessoa que me faz preferir estar só do que acompanhado. 

    Estar na cama, só, é uma resenha à parte. Acho incrível que tem gente que só deita numa cama e dorme, sem passar por uma ou duas horas de tortura, às vezes cinco. São todas as noites que estou deitado e me sento do nada, esmurrando os lençóis e bagunçando o cabelo, gritando em silêncio e tentando entender o que se passa na minha cabeça que não consigo me acalmar. Mas tudo isso só acontece quando estou sozinho. Às vezes me contorço, é contra minha vontade, às vezes meu corpo treme por alguns minutos, rolo da cama para cair no chão de propósito, coloco o travesseiro no lado oposto à cabeceira, viro para um lado e para o outro, para ver de qual lado meu nariz está menos entupido, tenho dificuldade de respirar, que fica cada vez mais pesado, meus olhos viajam sem rumo, em alta velocidade, pelo quarto, fico irritado, angustiado ou frustrado. Este é um resumo de coisas que acontecem quando estou tentando dormir sozinho. De tanto que, enquanto tentava dormir, soquei a parede para descarregar essa raiva que eu nem sei de onde vem, começo a achar que as dores em meu punho não são artrite, são consequência. Quando finalmente consigo dormir, ainda acordo diversas vezes, virando para os lados ou eufórico. Posso fechar ou abrir os olhos, não muda, demoro a voltar a dormir. Às vezes tenho paralisia do sono, que, por ventura, gosta de acontecer quando estou sufocando, sem conseguir respirar por alguma obstrução na garganta, talvez causada pela posição nada ergonômica que consegui dormir ou pela asma que já conheço de infância. Por muitas vezes pensei que morreria ali, mas consegui me mexer pouco antes de apagar completamente, por sorte, talvez.

    Sozinho no quarto, tudo fica melancólico, vazio e sem sentido. É o momento que mais me pergunto se viver vale a pena, porque todos estes maravilhosos sintomas me fazem querer fugir disso ao máximo possível. Na minha vida tem um conceito bem nítido, chamado de "dormir de tristeza", é quando estou tão triste que o peso da emoção me faz pegar no sono para não ver as consequências dela. É quando deixou de ser só tristeza e se tornou um peso que me impede de levantar, me deixando imóvel, mas este perdura até quando acordo. O acordar, por sinal, é quando não sinto vontade de levantar da cama, me sinto mais cansado do que quando fui dormir, talvez desmotivado. Um dia acho que só vou decidir não levantar mais e ficar lá até alguém vir me tirar do quarto. Já dormir com minha mãe em locais que tinham poucos quartos para muita gente e não senti nada disso, então sei que me falta companhia. Sei que a culpada disso tudo sempre foi a solidão. Se ela existisse como entidade física, digo com convicção que iria para a cadeia sorrindo se pudesse assassiná-la qualificadamente, com requintes de crueldade. Mas sei que para algumas pessoas, tudo que passo é "só um momento curto, que logo vai se acabar". Porque, para estas pessoas, este período é curti, mas, para mim, é o mais longo do dia.


Toinho Stark do Cangaço, 02/03/2026, 04:20-04:54


(Às vezes me contorço, é contra minha vontade, às vezes meu corpo treme por alguns minutos, rolo da cama para cair no chão de propósito, coloco o travesseiro no lado oposto à cabeceira, viro para um lado e para o outro, para ver de qual lado meu nariz está menos entupido, tenho dificuldade de respirar, que fica cada vez mais pesado, meus olhos viajam sem rumo, em alta velocidade, pelo quarto, fico irritado, angustiado ou frustrado. Este é um resumo de coisas que acontecem quando estou tentando dormir sozinho.)

(De tanto, enquanto tentava dormir, soquei a parede para descarregar essa raiva que eu nem sei de onde vem, acho que as dores em meu punho não são artrite, são consequência)

(Acho incrível que tem gente que só deita numa cama e dorme, sem passar por uma ou duas horas de tortura. São todas as noites que estou deitado e me sento do nada, esmurrando os lençóis e bagunçando o cabelo, gritando em silêncio e tentando entender o que se passa na minha cabeça que não consigo me acalmar. Mas tudo isso só acontece quando estou sozinho)

(Na minha vida tem um conceito bem nítido, chamado de "dormir de tristeza", é quando estou tão triste que o peso da emoção me faz pegar no sono para não ver as consequências dela. É quando deixou de ser só tristeza e se tornou um peso que me impede de levantar, me deixando imóvel, mas este perdura até quando acordo)

(Quando não é hora de dormir, mas não tenho ninguém para conversar, fico andando pela casa, conversando comigo mesmo, organizando as coisas que já estão no lugar, procurando algo para fazer para que meu cérebro não hiper-foque em alguma besteira ou volte ao ciclo do que acontece à noite)

(Iria para a cadeia sorrindo se pudesse assassinar qualificadamente a solidão, com requintes de crueldade)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

50/50

    A vida parece tão incompleta do jeito que a levo. Sinto como se faltasse metade de mim, então vou explicar, aos mínimos detalhes, esta divisão. É como uma dor fantasma, machucando por ausência, pesando como uma barra, fazendo cair meus ombros. Berro e sangro pois amo algo que não tenho, desde sempre. Se algo faz falta por um mês, um ano ou uma década, imagine por vinte e seis anos? Desde sempre tive amigos, o maior tempo que fiquei sem foi cerca de um ano, começando quando um sumiu e terminando quando um novo apareceu. Não tive tempo o bastante para abstinência e acho que sofri mais por achar ter perdido o que sumiu do que realmente por não ter ninguém. Na época da escola, os amigos eram só para conversar, sempre durante o período escolar. Quando voltava para casa, ficava sozinho, jogando no computador pois meus pais não me permitiam brincar na rua. Me acostumei a jogar sozinho e buscar este tipo de diversão no modo single player. Mas namorada, amor romântico, beijos, dormir de conchinha, alguém sanar minhas inquietudes com um abraço ou cafuné, isto nunca tive. Não confio o suficiente nos meus pais para os contar dos meus problemas e meus amigos estão sempre tão longe. O céu bíblico parece tão perto quanto eles, algo bom, porém distante.

    Metade de meus sentimentos são dedicados a um tipo de relacionamento, enquanto a outra metade, ao outro. Nos cinquenta por cento de um lado, eu tenho meus amigos, minha família e conhecidos que fazem parte da minha vida. É um relacionamento de respeito, sem desejo sexual, às vezes sem presença física, com diversas limitações lógicas, que ambos concordam em ter. É neste lado que ficam as pessoas que interajo por um amor não romântico ou por coleguismo. Todas suprindo, mais ou menos, a mesma função, isto é: Nos divertirmos juntos em jogos, conversas, estudos ou eventos em grupo. Existe um certo intimismo, podemos debater sobre problemas pessoais, no caso de algumas pessoas, outras eu não confio tanto, como é o caso dos meus pais. Mas o retrato geral é que as pessoas deste grupo têm uma função de me ajudar e serem ajudadas por mim, se divertir juntos em certas atividades, enquanto nada podem fazer em outras. 

    Que sobra do outro lado? O amor romântico, desde o cafuné, os abraços e encontros, até o lado sexual, que, sendo bem franco, para mim não é tão importante assim. É a presença feminina, de traços que meus amigos não têm ou sentiriam vergonha de demonstrar. Este sorriso bobo ao cruzar olhares, este sentimento de vergonha no começo, que depois se torna desejo, estas flores que brotam na cabeça ao ver uma pessoa tão linda e gentil e saber que esta está em um relacionamento contigo. Esta pessoa doce e meiga que busca uma desculpa para me dar um carinho, tentando conseguir para si um pouco de felicidade e, em troca, me alegrando também. Um toque feminino nesta vida tão majoritariamente masculina, pois aprecio em demasia os traços tipicamente delas. Aprecio suas roupas, seus sapatos, seus estilos de cabelo, suas meias três quartos, sua cintura diferente, pescoço sem gogó, maxilar sutil e mãos menores, delicadas, sua elegância mesmo quando totalmente desarrumada. Pois a beleza feminina é agradável e única, algo que nenhum amigo meu tem e que não adianta minha mãe ter, já que não sou do Alabama.

    Me vem, porém, o problema, o lado romântico não tem ninguém, no máximo com uma desilusão que eu já sabia que daria errado antes mesmo de começar. O ponto é que este lado está, por completo, lutando contra mim, por estar vazio. Tal falta faz com que a única forma de manter esta balança equilibrada seria se todas as pessoas do outro lado estivessem, o tempo todo, agindo ao meu favor, sem nunca errarem ou fazerem algo que me deixe mal. O problema é que isto é impossível por dois motivos: O primeiro é que isto é inviável, todos têm suas vidas e seus problemas, seria até injusto cobrar que fizessem tanto por mim, além de ser egoísta e insensível com os problemas que eles também enfrentam; O segundo é que, mesmo se fossem dedicar tanto para equilibrar esta balança, nada impediria que somente uma destas pessoas fizesse algo que desbalanceasse tudo novamente, considerando a natureza falha humana. Inclusive, o segundo motivo já acontece bastante, com meu pai sempre dando um jeito de arruinar meu dia e minha paciência, com a faculdade me drenando emocional e fisicamente, com alguns amigos meus tendo, também, seus problemas e acabando por não poderem me suprir com suas amizades durante aquele tempo. Tudo isso é natural, inevitável.

    Falta uma ideia menos colossal, mais lógica. Então, a solução mais simples é achar alguém que preencha este outro lado, para que esta pessoa possa lutar junto de quem está do lado de cá em equilibrar a balança, tirando parte do peso que está no lado romântico, talvez até removendo-o por completo, de tal forma que ela conseguiria, sozinha, jogar a balança para o lado da felicidade, mesmo quando meus amigos não puderem nada me fazer. Mas, talvez, esta última expectativa seja tão irrealista quanto a de meus amigos serem suficientes para equilibrar esta balança, sozinhos. Queria que todos os meus amigos entendessem isso, que o motivo de eles não serem suficientes é porque realmente não dá, estão tentando fazer mais papéis do que qualquer pessoa seria capaz. Também queria que ninguém desmerecesse o quanto essa falta me machuca, que não "menosprezassem minha escolha de ir a uma faculdade de artes, querendo me prender a eles e me fazer desistir do meu sonho" (Quem assistiu "Look Back" sabe da cena que estou falando). Quando se tenta assumir papéis demais, não se faz nenhum bem.


Toinho Stark do Cangaço, 23/02/2026, 03:43-04:47


(Sinto como se faltasse metade de mim, então vou explicar, aos mínimos detalhes, esta divisão)

(Nos cinquenta por cento de um lado, eu tenho meus amigos, minha família e conhecidos que fazem parte da minha vida. É um relacionamento de respeito, sem desejo sexual, às vezes sem presença física, com diversas limitações lógicas, que ambos concordam em ter. É neste lado que ficam as pessoas que interajo por um amor não romântico, todas suprindo, mais ou menos, a mesma função, isto é: Nos divertirmos juntos em jogos, conversas ou eventos em grupo. Existe um certo intimismo, podemos debater sobre problemas pessoais, no caso de algumas pessoas, outras eu não confio tanto, como é o caso dos meus pais. Mas o retrato geral é que as pessoas deste grupo têm uma função de me ajudar e serem ajudadas por mim, se divertir juntos em certas atividades.)

(O ponto é que o lado do romance está, por completo, lutando contra mim, por estar vazio. Tal falta faz com que a única forma de manter esta balança equilibrada seria se todas as pessoas do outro lado estivessem, o tempo todo, agindo ao meu favor, sem nunca errarem ou fazerem algo que me deixe mal. O problema é que isto é impossível por dois motivos: O primeiro é que isto é inviável, todos têm suas vidas e seus problemas, seria até injusto cobrar que fizessem tanto por mim, além de ser egoísta e insensível com os problemas que eles também enfrentam; O segundo é que, mesmo se fossem dedicar tanto para equilibrar esta balança, nada impediria que somente uma destas pessoas fizesse algo que desbalanceasse tudo novamente, considerando a natureza falha humana. Inclusive, o segundo motivo já acontece bastante, com meu pai sempre dando um jeito de arruinar meu dia e minha paciência, com a faculdade me drenando emocional e fisicamente, com alguns amigos meus tendo, também, seus problemas e acabando por não poderem me suprir com suas amizades durante aquele tempo. Tudo isso é natural, inevitável.)

(Então, a solução mais simples é achar alguém que preencha este outro lado, para que esta pessoa possa lutar junto de quem está do outro lado em equilibrar a balança, tirando parte do peso que está no lado romântico, talvez até removendo-o por completo, de tal forma que ela conseguiria, sozinha, jogar a balança para o lado da felicidade, mesmo quando meus amigos não puderem nada me fazer. Mas, talvez, esta última expectativa seja tão irrealista quanto a de meus amigos serem suficientes para equilibrar esta balança, sozinhos.)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Só e acompanhado

    Está abafado hoje, parece que vai chover. Não quero, novamente, fazer analogias e metáforas com lágrimas e chuva, apenas constatar que este desconforto não me impediria de abraçar alguém que amasse, mesmo com tanto desconforto físico. Mas a distância ou inexistência dessas pessoas sim, consegue me impedir. 

    Tudo parece desconfortável quando estou sozinho, talvez por ter sido o estado que me encontrei por mais tempo na vida, algo que quero me afastar para sempre. A solidão é como uma "ex", que você encontra no caminho. Porém não consigo evitá-la, pois sua onipresença a faz tomar conta quando meus amigos não estão comigo. Deixando-me com frio mesmo aos 30°C. Parece que meu corpo é uma geladeira, quente por fora e frio por dentro.

    Bem forte, o sentimento toma conta de mim nesses hiatos que meus amigos não estão. É como se eu estivesse sempre no frio, numa rua, largado no chão. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida. Agravada pelos problemas que "todo mundo tem", mas acredito que algo que todos estes também têm são motivos para continuar seguindo em frente e suportá-los.

    Eu sinto que os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento. A sensação de que é algo forte, sem ser diluído pelo carinho aconchegante de alguém. É como comer coentro puro, tomar Coca-Cola de 1990 pura ou empurrar um carro. Se você não entendeu, tudo bem, queria que você pudesse experimentar e me dizer como é passar por isso uma vez, depois refletir como é ter isso todos os dias.

    Acho que tem solução, na companhia de mais e mais pessoas até que não haja mais hiato em minha vida, assim, sem passar um segundo me sentindo só, sentindo frio. Espero que este dia chegue, que eu possa me libertar de tudo aquilo que me acorrenta ao chão. Espero que quando eu, no futuro, diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência. Torça para que seja a reposta positiva, pois uma delas haverá.


Toinho Stark do Cangaço, 04/02/2026, 20:46-22:15


(O sentimento é como se eu estivesse sempre no frio, numa rua. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida.)

(Espero que quando eu diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência.)

(Os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento)

sábado, 24 de janeiro de 2026

Mendicância

    Mendigo, é como me encontro agora, na Conde da Boa Vista, belo nome para uma rua, pena que não sei ler direito para saber o nome das outras. Fico aqui sentado na calçada tentando resistir às tormentas do mundo. Vivo livre, mas não tem sentido caminhar daqui, para onde vou? Só tento sobreviver, sem saber o motivo, pois não tenho ninguém para me acolher aqui, apenas pessoas que passam, dão um trocado e se vão. Mesmo assim, parece que eles estão mais tristes que eu, cada um com suas lutas, eu diria.

    Um momento de beleza no céu, mas não posso aproveitar, quem dera pudesse desbravar este mundo tão bonito, mas me falta alimento e tenho que me preocupar com o essencial para estar aqui de novo. Mas por que estou aqui? Mesmo se estiver vivo amanhã, não mudará nada da minha vida. Vivo na esperança de que um dia posso andar como as pessoas que passam por aqui, mas parece que nem elas estão felizes também.

    Amor e carinho são demonstrados por casais na rua, bem como sacolas cheias de compras, pessoas tomando sorvete ou raspadinha, comendo e até derrubando um pouco no chão. Não faz diferença para eles, têm em abundância. Conversam com seus amigos ou reclamam do clima, imagina se estivessem aqui neste papelão, sobre o chão?

    Na rua, observo aquelas pessoas com roupas limpas e novas, todas bem alimentadas, não tem como não me sentir mal por estar aqui largado, esquecido por todos, como se pagasse uma penitência sem ter cometido um crime. Enquanto elas esbanjam todas essas riquezas, não quero tomar isso delas, apenas queria também ter o que elas têm, será que é pedir de mais? Por que todos que vejo têm, menos eu e um grupo tão pequeno de outros indivíduos, que compartilham da mesma dor?

    Vida tão diferente, como fizeram para chegar onde chegaram? Por que eles têm e eu não? Por que não me ajudam a ter também? Não quero tirar o que é seu, apenas estar no mesmo nível. Por que fico condenado aqui na sarjeta enquanto eles podem ter o que eu preciso para viver com tanta facilidade que talvez nem saibam o valor que tem?


Toinho Stark do Cangaço, 24/01/2026, 22:46-23:01


(E não, este texto não é só para falar da vida de um mendigo, mas aí cabe a você entender o que mais ele fala. Não sou mendigo, mas, talvez, tenha conexão comigo, quem sabe?)

domingo, 18 de janeiro de 2026

As cores e sons do...

    Silêncio, é o que resta após acabar a chamada de voz com os amigos. Os jogos, as conversas e os comentários vão, aos poucos, esmaecendo em minha mente, de maneira não tão abrupta quanto o fim do nosso entretenimento, que se encerra com um "boa noite" ou "até mais". Depois da tempestade, sempre chega a calma, mas o que não te contam é que depois da felicidade, chega a tristeza, sorrateiramente tomando o lugar ocupado, outrora, pela alegria compartilhada. Pois ela deixou livre uma vaga de estacionamento num shopping lotado.

    Inunda, lentamente, minha mente de pensamentos. Não é de minha vontade, apenas vêm, são como o vento, que sopra independente de você ter fechado a janela. Metaforicamente e literalmente, abro tal janela quando a chamada acaba, pois agora posso desabafar o cômodo por não precisar mais de isolamento acústico. Nem mesmo o calor desconfortável pode me incomodar quando estou com eles, mas a brisa mais fria e seca que entra pode ser suficiente para derramar lágrimas.

    Lentamente, a solidão de um quarto tão vazio começa a pesar, como um pequeno furo num navio, deixando as emoções que nos põem para baixo se alojarem em nós. Não sei o que eles sentem, sinceramente, dado que eles não estarão sós quando acabar, terão namorada, bichinhos de estimação ou outros amigos para interagir, então, talvez, nem sabem como é estar na minha pela. Suas imaginações mais férteis não os colocam na ponta do iceberg que faz meu Titanic afundar.

    Êxtase é substituída por exílio, nada voluntário. Eles não têm mais o que fazer por mim, pois, diferente de mim, têm vida a cumprir, tal vida que os trazem, dentre outros sentimentos, um pouco de felicidade. Eu, por outro lado, postergo compromissos e faço tarefas inúteis para passar o tempo, se não ocupar minha mente em um minuto ou menos, é capaz de eu pensar o suficiente para não querer mais estar neste mundo. Queria ter mais tempo para eles, mas, infelizmente, também tenho compromissos, chatos e incômodos, que me fazem questionar onde está o equilíbrio? Aquilo que se contrapõe a estes momentos tão ruins e tediosos.

    Nociva esta relação que tenho com meu próprio tempo, ainda mais sabendo que eles nada podem fazer para me ajudar, já fazem muito. Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que o fez, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que toda a nossa amizade. 

    Corta meu sofrimento de uma vez, por favor. Eu imploro, por medo do que está por vir, me deixa aflito ter que acordar amanhã, tenho muito medo do homem no espelho, acho que ele quer me matar. Os estalares dos móveis, o preto que tinge as paredes brancas na madrugada, o descolorir da sombra, são coisas que me marcam nas madrugadas, andando lentamente pela casa como se me despedisse, sei lá de que.

    Indelével, é como eu descrevo estas nuvens cinzas pairando sobre minha cabeça. Queria ser menos de um peso aos meus amigos, que se preocupam com minha saúde mental, e mais um amigo de verdade, que te faz bem, mas acho que não há muito o que fazer. Por que sou tão atrasado em tudo? Parece que sempre que eu acho uma solução para um problema, algo que estava perfeitamente normal decide se tornar num novo obstáculo.

    Ociosidade, a corda que, lentamente, aperta o pescoço, o vermelho que pulsa de minhas veias e o metal que dilacera os sentimentos. É meu maior inimigo, uma mente que quer correr presa a um corpo que quer se manter inerte. A ofegante respiração, minhas mãos bagunçando meu cabelo em um misto de raiva e tristeza, as gotas que caem em meu colo não são de chuva, é o que ouço em mais uma longa madrugada. 


Toinho Stark do Cangaço, 19/01/2025, 03:47-04:28


(Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que leu, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que todo a nossa amizade)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Se o mundo inteiro me pudesse ouvir

    Tenho que confessar meu cansaço, principalmente comigo mesmo. Não é porque estou doente, nem porque minha rinite está a mais de uma semana atacada, sem trégua, nem porque eu não tenho uma namorada ou alguém que possa estar afetivamente ao meu lado para me dar um abraço ou uma demonstração de afeto que não recebo desde quando não sabia falar ou por que não posso ter apoio emocional dos meus pais, já que "isso é mente fraca" ou "é falta de uma namorada" são as respostas menos imbecis que eu recebo. É porque eu não sei mais o que fazer, cada momento que fico sem fazer nada ou calado é capaz de me aproximar de Deus... ou do Diabo, seja lá quem me receberá.

    Resistido à moda antiga, é o que costumo fazer, mas a ociosidade me joga, aos poucos, de volta àqueles sentimentos que tinha antigamente, que tanto tentei esconder ou suprimir, mas que nunca foram resolvidos. Enquanto a máscara mostra um sorriso, nos bastidores, aqueles problemas não se resolveram, além dos novos que surgem. Mas sabe, não estou pedindo que resolvam, Bob Esponja tentava ajudar Lula Molusco, mas as coisas pioravam porque ele nunca entendia o problema dele, por isso não sabia como ajudar. Devo confessar que não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo.

    Isto é a ponta do iceberg, mas existem sentimentos que me fazem questionar se vale a pena. Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, quando é algo que não me interessa, apenas estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao favor deles. Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado.

    Sem rumo, fico divagando nesse mar, escrevendo textos que, provavelmente, ninguém lerá. Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar. Me desculpa se eu falhar em estar presente, se eu não for um bom amigo, estou tentando o que posso. Vocês têm valor para mim porque me trataram feito humano, não uma máquina criada para atender os prazeres dos outros.

    Ter tantos textos escritos por mim pode até soar como algo bom, mas todas as coisas boas que escrevi são apenas a vontade de estar em um lugar melhor, todas as coisas tristes são representações cruas de meus sentimentos. Pois, se estivesse vivendo as coisas boas que escrevo, vocês não saberiam, estaria aproveitando aquele momento, não perdendo meu tempo escrevendo sobre. É uma maldição de todo escritor, estar triste ou inconformado no momento de sua escrita.

    Esperança é como um farol, num porto, algo que escritores tentam ter quando escrevem suas fantasias de mundos perfeitos, mas acabam somente pondo os outros nesta utopia, continuando vazios em seus mundos reais. Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar. 


Toinho Stark do Cangaço, 08/01/2026, 03:42-04:43


Ah, e feliz aniversário, James.


(Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao seu favor.)

(Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado)

(Não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo)

(Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar.)

(Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar.)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Uma carta que ninguém deveria vir a ler

    Aqui estou, sozinho como de costume, mas mais do que o normal recentemente. Talvez porque a gente não tenha tido tempo para nós e nem ninguém mais teve para mim. Aqui espero por você, iludido de que terei um momento contigo, para seguir as milhões de coisas que planejei um dia fazer junto a ti. Mas onde você está? Em suas ocupações, que você não me diz ou explica o que são, mesmo depois de terem passado. Como eu posso saber e entender? Mas deixo este texto para que você me entenda, já que explicar é a melhor forma de deixar as coisas claras.

    Resumo da história, estou esperando por você, mas ciente de que não vem, não seria a primeira vez, nem será a última, sei que você tem suas ocupações, suas coisas, sua vida, pena que a minha é tão vazia que eu só tenho você e talvez mais duas outras opções para ser feliz, não sei. O resto é obrigação, que não fujo, mas você também não vê quantas vezes larguei tudo para falar contigo e te dar atenção, porque eu sou esse tipo de idiota mesmo. E tantas vezes, no meu tempo livre, fiquei, como um cão atrás da porta, esperando que você aparecesse, mas nada. Olhei pela janela, ouvi o barulho do vento, vi a luz entrando, mas nada de você entrar. 

    As coisas são complicadas e não quero te pressionar a nada, mas te devo sinceridade. Eu sei que você precisa do seu tempo, pois também preciso do meu, mas onde você estava no seu tempo livre? Você tem muitas coisas ao seu redor para te agradar, eu tenho tão poucas que, se você some, minhas chances de ficar sozinho são quase garantidas. Não preciso de tempo livre, pois já tenho mais que suficiente, ao ponto de sentar por horas passando-o, esperando você chegar, algo que você não vê, nem te contei, mas acontece. Sabe o motivo de eu fazer isso? Porque realmente, não tem nada melhor na minha vida para fazer, só tem você e mais umas duas ou três almas que, esporadicamente, interagem comigo. Mesmo quando tem uma obrigação, eu prefiro procrastinar enquanto espero você chegar. Sabe quando eu te faço esperar logo que você chega? Não é por acaso, é porque eu estou muito ocupado celebrando a sua chegada, aproveitando um alívio, é como chegar ao banheiro segundos antes de um desastre.

    Sofridas noites de solidão, que você não viu. Eu sei que você tem suas coisas, suas emoções, mas você já se sentiu triste por eu ter chegado tarde, nunca sofreu com isso? Era tudo besteira para você? Porque você, que tem sentimentos e mais companhia que eu, consegue sentir isso, imagine o que eu sinto? Mas, talvez eu seja tolo de esperar por você, deveria buscar algo para fazer, né? Mas adivinha, eu fui buscar e os "algos" também não estavam disponíveis, então eu fiquei ali, só, com mais tempo ainda para pensar o quanto não compensa estar aqui, mas estou. Eu sempre fui escravo de companhia, depois que você entrou na minha vida, mais ainda, porque você me deu algo que me faltava.

    Horas sem fim, eu aguardo, meu dia é uma espera, para que você, com quem tanto compartilhei momentos bons e tanto me ajudou nos momentos difíceis possa simplesmente dizer que não estará comigo hoje. Eu sei que preciso de mais pessoas, para que estes momentos de ócio sejam cada vez menores, mas não tenho e aposto que, se tivesse, ainda seria frequente o número de vezes que todo mundo estaria ocupado simultaneamente, enquanto me sufocariam, todos ao mesmo tempo, por uma ou duas horas, querendo atenção. Porque eu conheço minha sorte. Eu sei que tem outras pessoas ao meu redor, mas elas também têm as ocupações delas e aposto que elas não fariam o mesmo por mim, ainda bem. Que bom que essas pessoas têm bom senso e vida suficiente para não largarem tudo o que estão fazendo ao primeiro sinal de que alguém que possa salvá-las chegou. E eu só não largo se estiver com outro alguém que tenha mesma função e não puder compartilhar o momento a três.

    Infinitas coisas têm me atormentado nestes momentos, que sempre foram um problema, mas, diferente dos outros casos, você não morreu ou sumiu, então a esperança fica me torturando de que hoje as coisas serão diferentes, que ilusão. Você não entende o quanto um dia ruim pode ser suficiente para me jogar do abismo, e já tive vários, a maioria neste Dezembro, você não estava lá, ninguém mais também. Já passei dias inteiros com apenas uma luz de SOS e uma fala de dez segundos de algumas pessoas. O resto desse tempo eu tive para mim, para ser torturado pela ausência de qualquer motivo de continuar vivo. Pela sua ausência e a desse micro ecossistema de pessoas que me dão algum suporte.

    Ocioso e cansado disso tudo, fico cada dia mais frustrado. Tudo isso tem me posto com a faca no pescoço. Porque meus problemas pessoais, como a faculdade, os deveres e os medos, continuam me atormentando e agora cada vez mais. Mas parece que você, e todos os outros, estão cada vez menos com tempo para me dar atenção. Do jeito que as coisas vão, esta ponta de Tramontina vai atravessar seu alvo. Eu não te odeio nem quero que você dedique todo o seu tempo a mim, só quero expressar meu descontentamento com meu estado atual, minha frustração e solidão. Se você não quiser ou puder me dar atenção, eu entendo, mas só se você explicar, não estou na sua cabeça para saber seus motivos. Se um dia eu te abandonar, não é porque quero distância, nem porque voluntariamente me afastei de você, é porque a Tramontina venceu a batalha.


Toinho Stark do Cangaço, 20/12/2025, 03:16-04:00


(E tantas vezes, no meu tempo livre, fiquei como um cão atrás da porta, esperando que você aparecesse, mas nada. Olhei pela janela, ouvi o barulho do vento, vi a luz entrando, mas nada de você entrar)

(Eu sei que você precisa do seu tempo, pois também preciso do meu, mas onde você estava no seu tempo livre? Você tem muitas coisas ao seu redor para te agradar, eu tenho tão poucas que, se você some, minhas chances de ficar sozinho são quase garantidas.)

(Você não entende o quanto um dia ruim pode ser suficiente para me jogar do abismo, e já tive vários, a maioria neste Dezembro, você não estava lá, ninguém mais também. Já passei dias inteiros com apenas uma luz de SOS e uma fala de dez segundos de algumas pessoas. O resto desse tempo eu tive para mim, para ser torturado pela ausência de qualquer motivo de continuar vivo)

(Não preciso de tempo livre, já tenho mais que suficiente, ao ponto de sentar por horas passando-o, esperando você chegar, algo que você não vê, nem te contei)

(Eu sei que você tem suas coisas, suas emoções, mas você já se sentiu triste por eu ter chegado tarde, nunca sofreu com isso? Era tudo besteira para você? Porque você, que tem sentimentos e mais companhia que eu, consegue sentir isso, imagine o que eu sinto? Mas, talvez eu seja tolo de esperar por você, deveria buscar algo para fazer, né? Mas adivinha, eu fui buscar e os "algos" também não estavam disponíveis, então eu fiquei ali, só, com mais tempo ainda para pensar o quanto não compensa estar ali)

(Eu sei que tem outras pessoas ao meu redor, mas elas também têm as ocupações delas e aposto que elas não fariam o mesmo por mim, ainda bem. Que bom que essas pessoas têm bom senso e vida suficiente para não largarem tudo o que estão fazendo ao primeiro sinal de que alguém que possa me salvar chegou)

(Tudo isso tem me posto com a faca no pescoço, porque meus problemas pessoais, como a faculdade, os deveres e os medos, continuam me atormentando e agora cada vez mais, mas parece que você, e todos os outros, estão cada vez menos com tempo para me dar atenção. Do jeito que as coisas vão, esta ponta de Tramontina vai atravessar seu alvo.)


20/12/2025

domingo, 12 de outubro de 2025

Súplica de um ser em extinção

[+18]

    Deixo minha cama pela quinta vez esta manhã, pois dormir é uma palavra sem definição clara em meu dicionário da vida. Naquele quarto iluminado, é difícil entender como não enxergo a luz no fim do túnel. Mas estou aqui, citando Fernando Mendes pela vigésima vez, dizendo que só queria um amor de verdade, sentir o gosto da felicidade que, há tanto tempo, eu escuto falar. O que posso dizer, se sonho com um amor onde as pessoas gostam de estar umas com as outras? Talvez eu seja datado, ultrapassado ou um otário, mas busco alguém que esteja comigo, me fazendo feliz, por muito mais que quinze minutos de prazer. Será que é tão difícil entender que a felicidade consiste em ter pessoas que amamos presentes quando precisamos?

    Aqui vejo um mundo doente por falta de amor e eu, que nem testei positivo para DDS-19 (Dependência De Sexo-19), fico aqui carente, suplicando um cafuné, um abraço ou palavras de consolo. Não quero ditar regras do que é amor, pois cada um ama como quiser e esta liberdade nunca deve ser subtraída, apenas queria achar alguém, e eu sei que tem, neste mundo que pudesse amar os dois lados da mesma moeda, sem julgar, sem depender apenas de um. Deixando claro, uma mulher que ame estar ao meu lado e possa conversar comigo sempre que tivermos tempo livre, mas que também queira ter nossa felicidade em quatro paredes, onde eu possa agrada-la, sendo feliz em saber que ela também está, os dois lados da moeda do amor romântico. Pois entendo que um amor sem sexo é amizade, também que devemos fazer por amar, não amar por fazer.

    Minha busca incessante parece ser infrutífera, pois até mesmo meus amigos tentam me convencer que deveria buscar tal prazer breve com pessoas que nem conheço direito, somente pela experiência. Mas de que vale a primeira vez com alguém que não se tem sentimentos? Não tem como se viciar em algo que não experimentou e sei que só estou vivo hoje porque não tenho abstinência de tal prazer que todos buscam. Num relacionamento, o que me interessa mesmo é uma companhia e boa conversa, um conforto de saber que ali, naquele momento tão fugaz, eternizado apenas pela agonia dos problemas da vida, estou seguro ao lado de alguém que confio, é este ninho que eu busco em alguém, o resto, posso viver sem. Deixo o sexo casual para aqueles que querem um prazer tão vazio quanto fumar um cigarro, pois, para mim, o maior prazer é ter, ao meu lado, alguém que me faça sorrir só por existir.

    Mensagem dada, a vida não espera e meus sentimentos também não. Por isso imploro, por meio deste fútil texto, que alguém me socorra dessa loucura, que me dê a esperança de continuar vivendo neste mundo, pois cada dia mais acredito que o apocalipse é uma esperança. Num mundo sem amor, o único mérito que sobra àqueles que o habitam é ser desintegrado por uma bomba atômica.


Toinho Stark do Cangaço, 09:15-09:33, 12/10/2025


    (E sim, eu escrevi esse texto em menos de 20 minutos, é como se tudo que eu quisesse falar já estivesse represado em mim, prestes a ser regurgitado a qualquer momento de angústia.)

    (Para mim, sexo é como um chocolate, enquanto carinho é um prato de arroz, feijão e carne. Um pode te dar mais prazer, mas logo você quer mais e todo aquele êxtase se perdeu, já o outro te sacia por muito mais tempo, te sustenta.)


(O que me interessa mesmo é uma companhia e boa conversa, um conforto de saber que ali, naquele momento tão fugaz, eternizado apenas pela agonia dos problemas da vida, estou seguro ao lado de alguém que confio)

(Deixe o sexo casual para aqueles que querem um prazer tão vazio quanto fumar um cigarro)


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

E se fosse o fim?

    Espero no sinal para atravessar, tentando voltar para casa após mais um dia. Mas hoje é diferente, coisas diferentes aconteceram e ainda marcam minha mente. Vejo cada Clio, Corsa, HB20, Celta e Corolla que passa na minha frente, cada rosto de cada motorista. Vejo os Millennium V da Mobibrasil, articulados, na linha 2480, vejo um Millennium V de 2023 fazendo a 2437, fito o rosto cansado do motorista e de cada passageiro na janela. Meu caminhar é bem mais lento que o habitual, este dia parece atípico, mas não para mim. Observo um Torino 2018 da Borborema fazendo a linha 331, voltando da Conde da Boa Vista, enquanto duas mulheres correm, lanche na mão, reclamando e rindo do inconveniente do ônibus ter se adiantado. Vejo mendigos no chão, olho cada detalhe dos trapos e roupas, até a bermuda verde com detalhes em azul e amarelo num deles, que dormia na parada. Chego na Agamenon e vejo o Xambá já parado no semáforo. Dou sinal e entro.

    Que será que se passa na cabeça do motorista do 515 da Caxangá? Que parece incomodado e irritado, mas sem explicar nada, respondendo por educação o meu "boa noite", mas parecendo me xingar nas entrelinhas. O Torino 2015 já demonstra sinais de desgaste, assim como eu. Ouço a escola de samba que se tornaram suas portas, janelas e seu elevador, sinais do tempo que afrouxa os parafusos e endurece as borrachas, um dia flexíveis. Tomo meu lugar no chão, no canto do ônibus, onde fica o espaço para deficientes, e começo a escrever um texto. Haviam cadeiras livres, mas hoje, me sento aqui. As pessoas conversam alto, riem, reclamam ou se calam em seus fones de ouvido. Logo estarei em Joana Bezerra, mas nada me entusiasma quanto a isso.

    Não muda a minha percepção quando chego na estação, tem um estande de brinquedos, várias pessoas vendendo água, pipoca, é como uma feira livre. Há um menino, uns 10 anos, com camisa do Sport e cheirando cola. No corredor polonês, salgados, pacotes e vendedores de passagem de metrô, são como atravessadores. Na tela, uma propaganda que nem me importei de ler, apenas sua luz verde me chamou a atenção. Na catraca, uma das máquinas com uma sacola por cima, significa que não funciona, até hoje tem um cavalete numa das passagens, que, por meses, não foi consertada. O guarda da estação já cansado, o chão um pouco molhado, a escada rolante sem funcionar, nada extraordinário. A plataforma cheia, sinal de que logo chegará o metrô. 

    Haja a experiência que for, ainda é de se surpreender com a condição precária dos metrôs da CBTU, o 15 chega para nos atender, em estado caquético e ar-condicionado quase sem funcionar. Normalmente, ninguém existiria ali, mas, hoje, eles existem, a mulher de pele morena e cabelos cacheados que conversa, rindo bastante, com a de pele clara e cabelos pretos lisos. O rapaz que aparenta voltar do trabalho, com barba rala, parece cansado, mas se mantém firme. O menino com camisa de escola pública que volta sozinho, sabe-se lá o porquê. O céu lá fora não tem estrelas, mas reparo tudo que posso, até na luz queimada de um poste.

    Amanhã pode não existir para certas pessoas, talvez seja a última vez que vejo estes rostos, carros, metrôs e prédios, essas ruas, calçadas e situações. Esta noite volto para casa, mas minha cabeça me preocupa. A vida é tão súbita, em segundos somos criados ou destruídos, não temos certeza de nada, exceto da morte. Meus passos lentos em direção ao meu lar é medo de ser a última vez que passo aqui, por isto, estou vendo cada detalhe, pessoa, animal, bola de futebol, luz acesa ou motociclista usando o celular, vivendo cada segundo como se fosse o último.


Toinho Stark do Cangaço, 03/09/2025

Este texto não é sobre a vida ser breve e vamos aproveitá-la, mas sim sobre um suicida voltando para casa sem saber se hoje ele terá coragem, por não aguentar mais tudo que tormenta sua cabeça. Pode-se ver que mesmo sendo rodeado de coisas e notando tudo, ninguém nota ele, nem darão falta se ele não estiver mais lá, o que contribui para seus pensamentos, que não são interrompidos por nada ou ninguém. 

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Quando choro

    Quando choro, as lágrimas fingem ser a tristeza saindo do meu corpo, mas são resquícios de minha sanidade, me sinto no frio de uma solidão, mas é somente a cerâmica do chão, não há ninguém ao meu redor ou um ombro a me apoiar. Quando choro, esmurro a parede até quase quebrar a mão, pois não há ninguém para me impedir, grito em silêncio para ninguém ouvir, mesmo sabendo que quem ouviria não ligaria e vice-versa. É quando estou fraco, vulnerável, mas não há perigo, não há ninguém. 

    Choro porque tudo está mal, estou sozinho, afinal, não há ninguém para me levantar do chão ou me estender a mão. Metade do meu dia é tamanha solidão, então lavo meus olhos para ver se consigo enxergar alguém que me faz bem ou luz no fim do túnel. Choro porque não quero morrer sem realizar meu maior sonho, mas como consigo um filho se nem namorada tenho? A minha pressa é porque meu relógio vai acabar, mas eu não sei quando, então não posso só ignorar ou deixar para lá. Uma hora será tarde demais e eu só saberei depois que ela passar.

    Morro de medo de, um dia, este choro se concretizar num ato, mas você não estará lá para me ajudar, nem mesmo você, minha própria mãe, me acolheu no meu pranto. Estava sem um mosquito a me picar, uma mosca a me rodear ou uma formiga a passear em minha pele. Nessas horas estou tão solitário que até penso em morrer, pois nem eu quero estar perto de mim. Não tenho escape nos ombros de ninguém. Nessas horas meus amigos são só nomes, minha mãe está a três metros de mim, mas é como se fosse em outro planeta, meu pai... Não faria nada para ajudar nem se tentasse.

    Por isso choro, tenho pena do que eu me tornei, medo do futuro e um passado de luto. É porque minha cabeça está cheia de problemas, porque, por impulso, destratei alguém, por acidente fiz alguém chorar, porque você não está aqui para me acariciar, por não ter a quem amar, por não falar aos outros que estou a beira de me prejudicar, por assumir que eu paro minha vida para atender um amigo, sacrifico minha saúde sem ninguém pedir, porque eu quero cuidar dos outros melhor do que esperaria que cuidassem de mim. Eu só quero um colo, um abraço, um cafuné acompanhado de "vai ficar tudo bem".

    Dentro deste quarto, me sinto desamparado, tal qual na vida, um espelho da minha realidade. A maior parte do meu tempo se resume a desamparo, por isso gosto tanto de ajudar os outros, porque sei como é sofrido não ter um que intercede por mim quando preciso, não quero que passem pelo que passo ou sintam o que sinto, quero dar a eles o que não tenho, mas depois disso, me escondo e choro.


Toinho Stark do Cangaço, 03/04/2025, 05:05-05:40


(Nessas horas estou tão solitário que até penso em morrer, pois nem eu quero estar perto de mim.)

domingo, 16 de março de 2025

Eu espero por tua libertação

    Por que me encontro aqui neste estado? Gritando internamente em berço escuro, eu conheço a verdade, mas não estou livre, não fui libertado. A liberdade de uma pessoa é o amor, é ter alguém ao seu lado que seja o motivo, um impulso para viver, que te empurra da cama todo dia ao amanhecer. Quando acordo, não vejo sentido em me torturar levantando-me da cama para mais um dia, quero ficar sob o edredom até morrer de sede. Não há entusiasmo algum na vida que levo, se aqui fosse o show de Truman, eu seria um palhaço do amor. Alguém me dê um motivo para me levantar, pois acho que um dia ficarei em paralisia, na cama, até a morte. Quando este dia chegar, não quero que deem falta de mim, já que não deram-me motivos para levantar enquanto podiam. Se eu ainda me levanto para falar contigo, saiba que você ainda é um motivo, só não se culpe se um dia eu não mais me levantar.

    Que há amor neste mundo, em diversos lugares, eu sei, mas parece intangível, como uma viagem à Namíbia ou um avião cruzando o céu, deixando apenas um rastro de condensação por onde passa. O amor é como o Andromada que passa sobre os céus quando você sai de sua safehouse no GTA San Andreas, para aqueles como eu, que querem jogar limpo e honestamente, ele parece etéreo, da mesma forma que eu, quando criança, via tal avião e pensava se um dia poderia voar com ele. Hoje em dia, faço aparecer o mesmo avião dos sonhos a qualquer hora, apenas usando um programa, o que o faz perder o brilho, o valor, mesmo podendo materializar centenas dele, acabo por não trazer nenhum à tona. Agora que posso ter a hora que quero e onde quero, não tem mais valor, era só o desejo de ter o que não se tinha, mas não havia sentimento envolvido nisto. Quanto ao amor, porém, eu sei que há sentimento, há brilho após conseguir, há jornada após o destino.

    Me sinto como um pássaro numa gaiola, um peixe num aquário, um gêmeo sem seu irmão, um cachorro com focinheira, amarrado na coleira do meu próprio medo, crucificado por buscar amor num lugar que reina ódio. Não sou santo, nem digno de estar em morada alguma, mas me diga uma palavra, faça algo para me tirar daqui e serei salvo. Estou cansado e sobrecarregado, mas onde está meu descanso? Não quero usar de minha liberdade para dar vontade aos desejos carnais, mas sim para servir aos outros com amor. Este é parte de minha alma, de que adiantaria ganhar o mundo inteiro se não tivesse-a? Não quero ficar amarrado, mas não consigo desfazer os nós, preciso que alguém me faça esse favor. Este fardo pesa cada dia mais e mesmo pernas fortes podem ceder se a mente estiver fraca.

    Abandonaste a tua empatia por mim e está tudo bem, de certo estou acostumado. Não cobro que ninguém se importe comigo, apenas que nunca se arrependam do que não fizeram por mim, pois pessoalmente odiaria cada um que só pensou e fazer por mim quando eu não mais estava ali para receber. Se eu preciso entender mais tarde, talvez até lá seja tarde demais, de que adianta entender depois que não mais estarei lá para usufruir? A vida é de tempo, quanto mais você espera por algo, mais você gastou seu único recurso infungível. Não existe espera justificada por algo que podia se ter conseguido antes. A única que se justifica é aquela necessária para produzir algo, pois não estava lá antes da espera acabar. De resto, nada é justo esperar. Com isso tudo em mente, eu lhe pergunto: "Até quando esperar?". 


Toinho Stark do Cangaço, 16/03/2025, 15:45


    Este texto, ironicamente, foi escrito referenciando alguns trechos da bíblia, além de vindo de um sentimento forte que me corrói e dilacera há tanto tempo. Às vezes pedimos ajuda a todos, mas nem mesmo Deus ou qualquer entidade que habite a Terra e o Universo podem ou querem ajudar. Às vezes estamos abandonados à nossa própria sorte, que eu não sei, nunca vi.

    Não tem solução, pois os que podem resolver, não resolvem, os que não podem, não podem e os que resolveriam, fecham os olhos aos problemas. Meu sofrimento é só meu, então só eu hei de me importar, espero que em minha morte, somente eu sofra, somente eu chore.

    Quem se importa dos meus gostos? Da minha felicidade? Será que você vê meu choro? Será que quer ver a verdade mesmo que ela te machuque? Ou prefere um sorriso falso para agradar seu desejo?


Os trechos da Bíblia que eu incluí no texto:

"Ó Senhor, eu espero a tua libertação!" -Gênesis, 49:18
"E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará". -João, 8:32
"Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado." -Mateus, 8:8
"Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês." -Mateus 11:28
"Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor." -Gálatas, 5:13
"Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?" -Mateus, 26:13

sexta-feira, 14 de março de 2025

Tudo branco

    Estou decepcionado, talvez contrariado, aqui acabado em um canto de uma sala. As paredes são brancas, o teto é branco, o chão é de cerâmica branca e até mesmo a porta é branca, sem cor. Parece a definição que alguém daria ao paraíso, mas te asseguro, aqui está mais próximo do inferno. Talvez pareça com um hospital, mas é a minha casa, uma prisão onde ninguém sai curado, apenas insano. Se, para alguns, o vazio é representado pela cor preta, para mim é a cor branca, que me cerca neste vazio, um amplo nada ao meu redor. Mediante este cenário, reflito minha tristeza.

    Perto da parede, estou num estado que nem uma piada de Chaves me faria rir, me sinto depressivo, deitado ao chão, cuja cerâmica faz parecer mais frio que o resto do ambiente. Sinto meus olhos pesados, mas não consigo dormir, fechando-os apenas faço escapar algumas lágrimas. Olho uma garrafa com suco de acerola completamente congelada, não mais fria que meu coração, onde a umidade se congela e depois escorre aos poucos, mas não tão intenso quanto minhas lágrimas.

    Do fundo da sala, ou do poço, consigo ver o teto, que parece intangível, tal qual meus sonhos, amigos e minha felicidade. As paredes parecem uma estrada ao horizonte, mas a gravidade me lembra de que não há caminho possível ao etéreo lugar onde minha motivação está. A esse ponto, o suco já descongelou. Bem como o branco do gelo ao seu redor, minha esperança some pelo ar, sem deixar vestígios, com apenas a água que escorreu de sua face espalhada pelo solo, simpatizo. Por não verem a vida pelos meus olhos, as pessoas acreditam que a uma hora que eu me divirto junto a elas compensa as outras vinte e três horas que eu sofro nessa caixa.

    Meu penar é praguejado pela incompreensão alheia, que prefere me censurar ou criticar por piadas que faço ou comentários que teço sem entender que eu só consigo rir à força. Se alguém pusesse uma arma em minha cabeça e me obrigasse a ser feliz, me sentiria mais que alegre com a ideia de puxarem o gatilho, então fingiria tristeza com a mesma falsidade que finjo alegria diariamente. Enquanto muitos buscam motivo para chorar rodeados de razões para sorrir, eu, rodeado de vazio, choro buscando uma razão para me levantar.

    Fim.


Toinho Stark do Cangaço, 14/03/2025, 20:23


Ps.: Não, Ale, não estou falando mal de você.

sábado, 23 de novembro de 2024

An open letter for those who want war

   Why to wage a war? That's the first thing that comes to mind. Living a peaceful life should be everyone's right, then, again, why ruin it with your political and/or economical ideas? A lack of symphaty, understanding, love and respect, that's the only reason to fight. For those who crave war, already lost their humanity, their feelings and their soul.

   To be a reasonable fight, it should only be to defend yourself and those you love from unfair agressions, but what we see today are made up enemies to conform political made up causes. Unfortunatly, the losses aren't made up. Look at your enemy and remember that, just like you, they have a family, friends and a political leader that really doesn't care about it all, but its own interest.

   Fight for what? War brings destruction, spends your money and of those you love, might also spend your lives, something you can never get back, no matter what victory it brings. Living under the constant fear that a flash of light will simply evaporate you and everyone you know in seconds isn't really a good life perspective, is it? Then, again, this is only for us, not for those political leaders who wage the war, they're well safegarded within their bunkers, away from the turmoil. On the day they lead an army in the frontline, then, maybe, it'll make sense to fight.

    Why go "Давай за" if you can simply avoid "Война"? I don't speak russian, so I can't really get them the same message, but I wish they could listen to their own music, especially KINO, so I leave here some citations: "И две тысячи лет война, война без особых причин, война дело молодых, лекарство против морщин" - Группа КИНО - Звезда по имени Солнце; "Перебиты, поломаны ноги, каждый звук отдаётся в мозгах, да и жаль умирать мне, ей богу, о двадцати неполных годах. Слёзы льются, из глаз моих льются, а не могу я их удержать, сам себе говорю: «Успокойся, а мы с улыбкой пойдём умирать!»" - Александр Дорошенко - Афган.

    To make the world a better place, we need to respect and understand each other, on both sides. Why not just go with a calm life? Daily buying some bread, beetroots, potatoes, meat and going home? Or going to work and safely come back home? Instead of coming out of your way to kill someone you don't even know, just because someone else said so. If two nations don't wanna fight each other, there's no war. Just live a safe life, there are already so many other problems in this world to deal, why create a new one?

    Die in war, what a sad way to end a life. Your badges won't take you to a better place, your medals won't bring you back to life, nor your fallen friends, war doesn't bring victory to anyone, just two types of defeat, the ones who lose everything to win the war and the ones who lose everything for nothing. My plead is not a case of "Make love, not war", it's more like "Make anything but war", we fight so many battles everyday, why fight one more?


Toinho Stark do Cangaço, 23/11/2024


23/11/2024

(Why to fight? Why to die?)

(Why not just go with a calm life? Daily buying some bread, beetroots, potatoes, meat and going home? Or going to work and safely come back home? Instead of coming out of your way to kill someone you don't even know, just because someone else said so.)

(Why go "Давай за" if you can simply avoid "Война"?)

(It's not a case of "Make love, not war", but rather a "Make anything but war")

(War doesn't bring victory to anyone, just two types of defeat)

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Estrada de flores

     Ando pela estrada de mão única, iluminada pelas luzes da alvorada, cada dia cresce a esperança de te ver de novo, nem sei se ainda lembras das promessas que te fiz depois de tantos anos, nem se ainda manténs os teus planos, teu sorriso suave para as pequenas conquistas do dia, tuas lágrimas sinceras de quem só se dedicou aos outros por toda a vida, que com tanto esforço varria a porta de casa, já envelhecida.

    Pensando em tudo que você fez por mim, desde o princípio ao fim, sinto a sua presença distante por aqui, sinto ansiedade de rever teus verdes olhos, de acariciar seus cabelos na cadeira da cozinha, mas as memórias machucam tanto, agouram minha visita a ti, pedem que eu largue tudo e vá te ver, mas não quero ser tão imprudente.

    Em jornada, caminho devagar pela estrada que outrora caminhastes, mas sigo a passos largos, como se quisesse chegar logo ao fim, me distraio com a beleza que deixastes para trás, os campos que floriram com tuas mãos, as pessoas que sorriram com tua graça, ando pegando flores para te entregar, pensando em versos para cantar, ansiando poder te encontrar, me pergunto como você deve estar.

    Você habita minha mente, pois meu lado já não pode mais, eu sigo aqui, dormente, esperando ter de novo tua paz, pois em ti ainda habita um pedaço do que fui, se meu coração ainda palpita, é porque a dor não dilui, mas não consigo esquecer de quem por mim tudo fazia, quem insisto em escrever, que era e sempre será minha tia.


Toinho Stark do Cangaço, 29/10/2024, 03:05


Contexto geral:

No dia 06 de Novembro de 2020, aquela que foi mais que uma segunda mãe, autoproclamada como minha mãe e irmã de minha mãe biológica acabou por estender sua distância de mim por um valor indeterminado matematicamente, pois seu coração batia apenas pelos outros, logo, ele não pode suportar o isolamento frio do hospital Otávio de Freitas, sem motivos para prosseguir, ele apenas parou para descansar. Ela, então, viu que já tinha cuidado de todos aqui que precisavam de sua ajuda, logo foi se aventurar por outros lugares além de nossa compreensão em busca de novas pessoas para ajudar.


(Ando pensando em você)

(Pegando flores para te entregar, pensando em versos para cantar, ansiando poder te encontrar, me perguntando como você deve estar)

sábado, 7 de setembro de 2024

O que seus olhos não veem, meu coração sente

    Salve para depois as palavras ao vento que não resolvem problemas, agora a pauta é sobre um problema que me corrói como ácido, machucando e remoendo até que não sobre nada. Meu coração dói, nem sei se é infarto ou tristeza, mas os dois podem me matar.

    O que me sufoca todas as noites é essa tristeza, sou muito carente, mas também tenho minhas preocupações, meus medos, meus problemas, todo um lado que não conto a ninguém, ou conto pouco para algumas pessoas que confio, mas esta é só a ponta do iceberg, não quero me tornar o terrível amigo/filho que só fala de problemas e preocupação, mesmo que, se eu fosse falar de minha vida diária, isto estaria em todas as páginas.

    Corpo dolorido, doenças, quedas, condições de saúde, isto dói, machuca e até me tira um pouco a esperança de ter uma boa vida, mas isto eu aguento, luto contra, é só acreditar que a dor não está lá, ela continua doendo, mas eu ignoro, dá para ignorar, é só um sinal elétrico passando pelo meu corpo até o cérebro avisando que algo está errado, mas e daí? Posso ignorar qualquer aviso.

    Onde eu me encontro agora é em que eu sou o maior perigo para mim mesmo, não aguento mais as noites em claro, a solidão, a insônia que a agrava, os medos de não conseguir algo, a falta de momentos bons, a falta de o quê comemorar, só vejo motivos para ficar ainda mais triste, estou ali em meu leito, sem ninguém, sem nada, sem sono, porém cansado, de tudo que passo e do nada que me cerca, não tenho ninguém para me acalmar ali, mas é quando estou mais tenso, é nesse momento que não tenho amigos, família, amor, nada, só eu e meus pensamentos no escuro e vazio do quarto.

    Reside ali um monte de gatilhos, mas ninguém para me desarmar, você não me vê chorar todos os dias na cama antes de dormir, sentir que o tempo está passando e eu continuo parado, sem conseguir nada, sem avançar um passo, de novo nessa câmara de tortura que é este quarto vazio, quarto que muitas vezes já fui trancado dentro pela minha mãe e agora me tranco por espontânea vontade, são tantas memórias ruins, agravadas pela solidão e o silêncio, que fazem barulho em minha alma.

    Rancor cresce a cada dia, por que passo por tal alforria? Quando tu mostras a tua alegria e as coisas boas da tua vida para alguém que está triste e sofrendo, estás torturando esta pessoa, é como mostrar o quão bem você come para uma pessoa que passa fome ou o quão bonita é a tua casa para um sem teto. Como você quer que eu não sofra? Se você me lembra todos os dias do que eu não tenho, me mostrando com um sorriso o que te faz bem e que não tenho aqui para me fazer bem. Mãe, pai e vocês tantos outros que me fazem isso, por quê? Me dizer que não tem que ser assim não muda como as coisas são e estão.

    Obscuro é o que eu sinto, pior ainda são os momentos em que estou só, à noite, sem ninguém ao meu lado, são estes momentos que você não vê, estas horas incessantes que eu estou martirizado por tudo, sem a proteção de um amigo, um amor, da minha família, onde está você agora? Está bem e aconchegado num amor, numa diversão, na sua felicidade, com seus amigos, por isso acha que eu também deveria me sentir assim, porém você tem motivos para tal, eu não. São nessas noites estressantes, desconfortáveis, tristes, indignantes e cruéis que eu mais sofro, isso acontece todas as noites, que eu me irrito, indigno-me, penso em me matar, não tem ninguém aqui para me dar suporte ou me acalmar, é isso que seus olhos não veem, mas meu coração sente. Uma dessas noites, se isso persistir, eu tenho certeza que vou enfiar algo no meu pescoço ou me sufocar até a morte, se agora já não aguento mais, imagine no futuro? O que você vai fazer mediante isso? Me dar mais motivos para me matar agora? Me culpar? Me atacar? Me dizer que eu estou errado? A escolha é sua, mas as consequências também são de sua culpa.


Observação do escritor: Este texto é exagerado parcialmente para passar melhor o sentimento e tem um teor mais dramático para que haja melhor compreensão da frustração, indignação e irritação minha mediante os sentimentos que tenho e não posso controlar ou nulificar.

    Eu continuo sofrendo para fazer minha mãe feliz porque ela diz que eu sou a única razão de sua felicidade, mas quem me faz feliz? E quem me fará feliz quando o tempo dela na terra acabar?


Toinho Stark do Cangaço, 02-08/09/2024


(Você não me vê chorar todos os dias na cama antes de dormir, sentir que o tempo está passando e eu continuo parado, sem conseguir nada, sem avançar um passo)

(Meu coração dói e nem sei se é infarto ou tristeza, os dois podem me matar)

(Quando mostras a tua alegria e as coisas boas da tua vida para alguém que está triste e sofrendo, estás torturando a pessoa, assim como mostrar o quão bem você come para uma pessoa que passa fome ou o quão bonita é a tua casa para um sem teto)

(Os piores são os momentos em que eu estou só, à noite, sem ninguém ao meu lado, são estes momentos que você não vê, estas horas incessantes que eu estou martirizado por tudo, sem a proteção de um amigo, um amor, da minha família, onde está você agora? Está bem e aconchegado num amor, numa diversão, na sua felicidade, com seus amigos, por isso acha que eu também deveria me sentir assim, porém você tem motivos para tal, eu não. São nessas noites estressantes, desconfortáveis, tristes, indignantes e cruéis que eu mais sofro, isso acontece todas as noites, que eu me irrito, indigno-me, penso em me matar, não tem ninguém aqui para me dar suporte ou me acalmar, é isso que seus olhos não veem, mas meu coração sente. Uma dessas noites, se isso persistir, eu tenho certeza que vou enfiar algo no meu pescoço ou me sufocar até a morte, se agora já não aguento mais, imagine no futuro?)

(Salve O Corpo Onde Reside Rancor Obscuro)

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Meu simbólico fim

    Muitas coisas mudaram desde uns tempos atrás, aquele menino sorridente, que não podia esconder um sorriso para uma foto, que brincava com seus carrinhos na sala de estar, onde é que ele está? Cadê teu sorriso? O menino de dez anos que já sonhava em se casar com uma mulher quando crescesse, ou que olhava atentamente as setas brancas nos pneus dos ônibus da Viação Mirim como se fossem ouro puro, agora não vê valor em nada, nem no que é mais valioso para a alma. Onde está aquele garoto que fitava as rodas de um caminhão girando como se hipnotizasse? Ou que se alegrava com o som das suspensões de um carro passando por uma lombada? Que estudava achando que algo seria no futuro se soubesse de tudo? Que sonhava em ter uma casa pequena com um terreno gigante? Que tinha sonhos?

    Ocorrências futuras mudaram bastante o meu jeito de ser, eu que atuava histórias que criava enquanto deitado na cama, perdi aquela vontade de me imergir na ficção, talvez porque a dura realidade quis que eu acordasse, praguejado por abusos, dos pais, dos professores, dos colegas de classe e dos amigos, por doenças e condições de saúde, pelo suicídio de amigos próximos, pela morte natural de pessoas importantes para mim, pela falta de amor e sobra de ódio.

    Ruins foram estes momentos, mas me ensinaram muito, hoje tenho uma facilidade incrível de desapegar de alguém, uma vez que passou o luto da despedida, esta pessoa nunca sequer existiu, é um personagem ficcional, faz parte de uma história qualquer. Aprendi também a prever as atitudes alheias, assim posso agir melhor quando elas acontecerem, não quero errar em algo trivial, muito menos de novo. Aprendi que quando você ignora algo, esquece disso, da mesma forma, é esquecido por isso, talvez por isso esqueço de tudo que não resolvo imediatamente, porque ignorar é esquecer e ser esquecido.

    Trouxeram a tona tantos sentimentos e tantas mudanças que não sou mais a mesma pessoa que eu era há dez anos atrás, não tenho as mesmas ideias, ambições, companhias, mesmos objetivos, mesmo sorriso, por isso, não quero mais ser chamado pelo meu nome de batismo, este homem com tal nome morreu, não sei quando, nem a causa, mas quem está aqui é uma pessoa que se passa por ele, responde por seu nome, mas, no fundo, não tem mais quase nada dele.

    Emancipação desta pessoa é o que aconteceu, o homem que vos escreve não sonha em morar nos Estados Unidos, não assiste mais novelas, não agride alguém que o assediar, não quer dinheiro sobrando, não joga por gostar, não cria estórias para atuar, não confia mais nas pessoas, não cheira fumaça de óleo diesel por gostar, não fica tomando vento frio com chuva no braço do sofá, não corre pela casa fingindo estar numa guerra, agora, a vida que é uma guerra, por isso, não sou mais eu, não sou mais nada.


Toinho Stark do Cangaço, 21/08/2024, 19:08 - 23:27



(Por isso, não quero mais ser chamado pelo meu nome de batismo, este homem com tal nome morreu)

(Muitas Ocorrências Ruins Trouxeram Emancipação)