quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que realmente é amor?

    "Você precisa entender, eu te amo"; "O que eu sinto é amor de verdade"; "Se eu fizer alguma coisa de errado, me avisa, eu tento mudar"; "Está tudo bem?"; "O que você precisar, que eu puder fazer, é só pedir, se eu não puder fazer, ainda assim tento"; "Você não entende o quão importante é para mim"; "Qualquer coisa, me fala".

    Precisa ser dito que sentimentos são coisas complicadas, por isso tanto falo sobre amor, luto, depressão e tantos outros. Mas, tal qual foi demonstrado anteriormente, eu sempre me dediquei e levei a sério o amor. Uma pena ver que eu, unilateralmente, amei todas as vezes. O ponto é que se não houver uma colaboração mútua, isto se torna dor. Dito isto, hei de explicar minha visão, por uma milésima vez, do assunto.

    Entender tal sentimento é crucial para qualquer relação humana. Amor é saber que a pessoa não é a mais bonita, a mais atraente, a mais legal, a mais interessante, a mais cuidadosa, a mais dedicada, a mais inteligente, a mais fiel, a melhor na cama, a mais gentil, a mais forte ou a mais educada e, mesmo assim, enxergá-la como perfeita. Porque seus defeitos são apenas parte do que a torna única e, se você pode tolerá-los, pode, então, amar esta pessoa. É você ficar mesmo quando não recebe nada, por saber que partir partiria seu coração.

    Para tal, você precisa saber que a pessoa pode mudar e, até, incentivá-la e ajudá-la a se tornar melhor mas continuar amando mesmo se ela não mudar. E, quanto a si, é você querer mudar para ser melhor para a pessoa, para agradar mais. Mas também é para ser um duplo amor, no qual você ama a si mesmo o bastante para não se prejudicar enquanto faz pelo outro, por saber que tal pessoa não gostaria que você se sacrificasse tanto por ela. É respeitar a si e ao outro na mesma medida. 

    Sentir que a companhia da pessoa agrada, que sua mera existência é uma dádiva que você experiencia em primeira mão. É não se cansar da outra pessoa permanentemente. Quando sentir cansado de interagir com ela, dormir e passar. Se eu fosse resumir, é tipo você saber que a pessoa não sabe dançar, chamá-la para dançar e aceitar cada pisada no seu pé por entender que é consequência da circunstância e ainda assim estar feliz de ter participado com ela, mesmo ante à performance catastrófica.


Toinho Stark do Cangaço, 29/04/2026, 20:25-20:57


"Uma pessoa que não respeita o teu "não" não merece o teu "sim"" -Toinho Stark do Cangaço, 29/04/2026, 21:23



(Amor é saber que a pessoa não é a mais bonita, a mais atraente, a mais legal, a mais interessante, a mais cuidadosa, a mais dedicada, a mais inteligente, a mais fiel, a melhor na cama, a mais gentil, a mais forte ou a mais educada e, mesmo assim, enxergá-la como perfeita.)

(É você saber que a pessoa pode mudar e, até, incentivá-la e ajudá-la a se tornar melhor mas continuar amando mesmo se ela não mudar)

(É você querer mudar para ser melhor para a pessoa, para agradar mais. Mas também é para ser um duplo amor, no qual você ama a si mesmo o bastante para não se prejudicar enquanto faz pelo outro, por saber que tal pessoa não gostaria que você se sacrificasse tanto por ela. É respeitar a si e ao outro na mesma medida)

(É você saber que a pessoa não sabe dançar, chamá-la para dançar e aceitar cada pisada no seu pé por entender que é consequência da circunstância e ainda assim estar feliz de ter participado com ela, mesmo ante à performance catastrófica.)

(É não se cansar da outra pessoa permanentemente. Quando sentir cansado de interagir com ela, dormir e passar.)

sábado, 25 de abril de 2026

A fugacidade da paixão

     Amor é algo tão profundo e complexo que ninguém consegue explicar. Alguns sequer conseguem sentir e talvez são essas as pessoas que mais se aproximam de mim procurando um relacionamento. Talvez por não me entenderem, conhecerem ou, simplesmente, não terem uma gota de bom senso. Existem tantos meios de viver a vida e acho que todos são legítimos, desde que não machuquem os outros deliberadamente. Mas respeitar é totalmente distinto de participar e, por isso, não me convide para uma festa de fogos de artifício sabendo que sou uma tocha.

    Dura tanto quanto queira, certos relacionamentos não vão tão longe. A paixão e o relacionamento fugaz, casual, são como um lança chamas, um fogo ardente intenso, porém breve, que não duraria minutos se fosse usado sem pausa. Porém, quando pensas em cozinhar algo ou manter uma iluminação no breu da falta de energia noturna, recorres a um fogo brando de um fogão ou à fraca chama da vela. São como um relacionamento estável, um caso sério. Somente o fogo lento pode cozinhar à perfeição o arroz, feijão e a carne. Da mesma forma, a vela, queimando quietinha e fraca em seu canto, dura horas nos iluminando sem o espetáculo nem a pirotecnia do maçarico.

    Paixão não é para mim, pois valorizo relações que duram mais que um sabonete. Enquanto tantos buscam refrão, quero ouvir toda a serenata e aproveitar cada nota que vibrar meus tímpanos. E se você, ciente deste meu interesse, ainda assim decidir me procurar para viver algo fugaz, saiba que eu te odeio. Não pelo seu estilo de vida, pois é da liberdade de cada um levá-la como quiser, mas sim por me condenar a jogar o seu jogo quando nunca te condenei a jogar o meu. Por me fazer criar memória afetiva com um jogo que fechará seus servidores amanhã. Por terem moscas que fizeram parte da minha vida por mais tempo que você. Por seres açúcar quando precisava de uma refeição.

    Acaba sendo um desperdício de mim me doar a aquilo que não sacia minha alma, aquilo que dura como um vagalume. Por isso que, há tanto, procuro a vela que iluminaria meu caminho nas noites sem energia. Quero a distância do napalm, pois me destruiria como se fosse Toukyou, me deixando carente de algo que nunca foi feito para durar, me fazendo apegar a um bem que nunca mais será meu.


Toinho Stark do Cangaço, 25/04/2026, 03:52-04:25


(A paixão e o relacionamento fugaz, casual, são como um lança chamas, um fogo ardente intenso, porem breve, que não duraria minutos se fosse usado sem pausa. Porém, quando pensas em cozinhar algo ou manter uma iluminação no breu da falta de energia noturna, recorres a um fogo brando de um fogão ou à fraca chama da vela. São como um relacionamento estável, um caso sério. Somente o fogo lento pode cozinhar à perfeição o arroz, feijão e a carne. Da mesma forma, a vela, queimando quietinha e fraca em seu canto, dura horas nos iluminando sem o espetáculo, sem a pirotecnia do maçarico.)

(E se você, ciente deste meu interesse, ainda assim decidir me procurar para viver algo fugaz, saiba que eu te odeio. Não pelo seu estilo de vida, pois é da liberdade de cada um levá-la como quiser, mas sim por me condenar a jogar o seu jogo quando nunca te condenei a jogar o meu.)

(Por isso que, há tanto, procuro a vela que iluminaria meu caminho nas noites sem energia. Quero a distância do napalm, pois me destruiria como se fosse Toukyou, me deixando carente de algo que nunca foi feito para durar, me fazendo apegar a um bem que nunca mais será meu.)

sábado, 11 de abril de 2026

Não há culpados

    Ninguém sabe o que o futuro aguarda. Foi por isso que, quando conheci uma dona moça, que um amigo meu tinha apresentado, não sabia o que o destino nos traria. Começando do começo, temos eu, uma pessoa depressiva e que, mesmo com amigos, se sentia extremamente vazio. O problema é que eles não supriam nem a presença física, nem o carinho e o romance que faltavam em minha vida, por isso que não eram suficientes, nunca poderiam ser. Daí, após anos procurando alguém, após uma pessoa que só foi desgraça em minha vida porque eu baixei minha guarda (movido pelos conselhos dos meus amigos), após diversas outras que eu me afastei antes que pudessem se tornar um desastre, veio uma que não tinha nada disso.

    Errou porém minha intuição. Ela era perfeita, nossas conversas fluíam bem e nós tínhamos muitos gostos e interesses em comum. Mesmo o que não concordávamos, maduramente conversávamos, era uma pessoa sem redflags. Nas três semanas que interagimos a partir daquela primeira conversa, fomos muito felizes e eu fui criando os laços com ela. Até nos encontramos pessoalmente e foi tudo bem, rimos, nos divertimos e não senti ter feito nenhum mal a ela. Ela também não me causou mal algum. Conversamos muito depois disso.

    Mas foi justamente na noite após o encontro que aconteceu o primeiro "problema". A questão é que ela já dava sinais de que não estava pronta para voltar a um relacionamento. Depois de tantos tóxicos que ela já tinha passado recentemente, talvez não teria como consertar as dores com um novo amor, mas sim com introspecção. Ainda tentamos resolver as coisas, eu fiz o possível e impossível para manter a fogueira acesa, mas era fútil desde o começo, apenas não percebi.

    Eu vi o fim se aproximando, sem nenhum de nós ter realmente errado. Ela então disse que não pretendia entrar em um relacionamento sério tão cedo. Me disse até que seria injusto para mim se eu ficasse me esforçando, o que demonstra que ela tem bom senso e apenas estava tentando entender o que se passava com seus sentimentos. Não havia mais barganha neste ponto, só aceitação. Ela realmente precisava deste tempo para pensar em si e eu respeito. Tudo isso apenas me faz pensar o que a levou procurar um relacionamento desde o começo, a esperança de que alguém poderia consertar algo que só ela tinha as ferramentas? Não a culpo, tal qual Jesus disse: "Perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem".

    Paguei com meu tempo todo esse aprendizado. Como se alguém, que controla os pauzinhos na Terra, quisesse que eu passasse por mais um sofrimento, apenas trazendo uma novidade para a mesa. Estou, de novo, só, triste e mais desesperançoso que antes. Vi uma oportunidade perfeita se perder sem nenhum de nós ter errado. Olhando para trás, se era para terminar nesta conclusão, seria melhor nem ter começado, o tempo não volta atrás e as cicatrizes não desaparecem. Porém entendo que dela não veio intenção alguma de me ferir, são apenas consequências das circunstâncias. Espero, do fundo do meu coração, que ela possa ser feliz no caminho que trilhar. Já eu, se não encontrar amor, nunca serei feliz no meu.


Toinho Stark do Cangaço, 12/04/2026, 02:33-02:50



sexta-feira, 10 de abril de 2026

O peso da bondade

    Ser uma pessoa boa é o que nos define em caráter. Porém, digo com convicção que é, também, o maior desafio que uma pessoa pode passar. Como se sua Via Crucis fosse a própria vida, uma pessoa boa parece atrair pessoas ruins. Tal qual a Lua atrai a água e causa as marés, os bons atraem os maus e os fazem crescer e prosperar.

    Bom cidadão, no sentido mais cru, é estar à mercê da maldade alheia, ser explorado, abusarem de sua gentileza, ser feito de trouxa e/ou ser apenas um degrau na escada. Digo de experiência própria, se afirmo que 90% das pessoas que encontrei neste mundo são ruins, é porque estou sendo generoso, pois aposto que 5% dos que estão do lado bom nem são tão bons assim, talvez eu só não tive tempo o bastante com estas pessoas para colocá-las do outro lado.

    É desta maldade que tanto falo, renitentemente, mesmo sem ser entendido. De tantas pessoas que conheci e só me exploraram e de tantas que meus amigos conheceram e tiveram o mesmo fim, me fazem crer que a honestidade é sinônimo de perda. E sei que quando acho uma pessoa boa, esta não há de querer-me ao lado, mesmo pensando o mesmo de mim.

    Uma pessoa boa neste mundo é difícil. Atesto que procurei tantas, mas estas já têm seus círculos de relacionamento bem fechados e eu não posso pertencer a eles. Dentre as exceções, estão meus poucos e seletos amigos, aos quais são como nitrogênio em minha vida. Estão presentes em tudo, mas se tenho somente eles, serei sufocado por esta falta imensa de algo tão vital. Por isso é uma jornada tão difícil arrumar uma namorada. Pois de todas as vinte e poucas mulheres solteiras que conheci desde quando comecei a procurar, somente duas me permiti tentar algo, as outras eram claramente problemáticas. Destas, uma foi tão ruim, que nem sei como deixei se prolongar tanto, já a outra não estava no tempo certo.

    Tortura é procurar pessoas boas num mundo tão ruim. Um mundo que, se explodisse amanhã, seria um feito utilitarista ao Universo. Dito isto, a procura continua, mas é difícil acreditar que hei de encontrar alguém que me trate com o mínimo de dignidade que um cachorro mereceria e que queira estar comigo.


Toinho Stark do Cangaço, 10/04/2025, 03:54-04:11


(É estar à mercê da maldade alheia, ser explorado, abusarem de sua gentileza, ser feito de trouxa e/ou ser apenas um degrau na escada)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Música: Minha queda

[Verso 1]

Me sinto perdido

Num oceano vazio

Com ombro caído

E de presença vil


Na cama eu penso

Levantar não posso

Me sinto mais tenso

Porém sem remorso


[Ponte]

Sou uma mensagem apagada

Sou uma palavra não dita

Efêmero na memória

Ser cortado da história


[Refrão]

Em queda livre!

Um cemitério de trens

Um pássaro que vive

Na gaiola de quem?


Sou camada de ozônio

O mendigo na sarjeta

Fugaz como seu Antônio

PP-SPD


[Verso 2]

A caixa no canto

Parece castigo

"Não é para tanto"

Disse meu amigo


Sou mão anônima

No cimento fresco

Olho para cima

Procuro contexto


[Ponte]

Sou borboleta no para-brisa

Sou o semáforo queimado

Também sou o amigo que avisa

E, mesmo assim, é ignorado


[Refrão]

Eu não sou livre

E não me sinto bem

A dor que contive

Não dói em ninguém


Sou os contrails

Uma vela que queima

Largado a meus meios

PP-SPD



Letra: Toinho Stark do Cangaço, 06/04/2026, 14:04-14:39


6-10 SP

(PP-SPD)

sábado, 4 de abril de 2026

Tal qual a estação

    Quando pensei que as coisas tinham se organizado em minha vida, descobri que, novamente, tenho um texto de resposta a um texto bonito e esperançoso que escrevi no passado. Quem diria que, desta vez, não foram os espinhos da flor, as mentiras da pessoa ou o ódio que eu tive contra sua maldade. Desta vez foi porque mesmo com tudo para dar certo, as coisas simplesmente não puderam ser. Como diz Ney Matogrosso em "Sangue latino": "Os ventos do Norte não movem moinhos".

    Que a vida gosta de ser ingrata comigo, acho que muitos textos meus já falaram. De tudo que já passei e todo mal que alguém já me fez ou que o azar me condenou, parece que nada foi feito para dar certo. Cada dia mais me aproximo de, fielmente, acreditar no que Fagner disse na música "Noturno (Coração alado)". Sinto que esta luz que havia em cada ponto de partida está, aos poucos, me deixando e não consigo evitar. A esperança de que uma pessoa que seja boa o bastante e queira ficar comigo se esvai aos poucos a cada passo em falso.

    Vai correndo meu tempo, pelas minhas mãos, enquanto tento entender onde chegar. Não tenho outras ambições senão formar uma família, porque todo o resto me parece vazio e sem sentido sem o objetivo principal. Não adianta que eu seja uma pessoa boa, nem se eu fosse perfeito, pois precisaria achar outra pessoa que, além de boa, gostasse de mim. Mas onde que eu acharia uma mulher boa, solteira e que tivesse interesse num relacionamento agora? Pessoas boas e solteiras são como uma rua que a COMPESA não esburacou ou um lugar não abandonado no Recife Antigo.

    Dar o esforço necessário e ser infrutífero é algo clichê em minha vida. Tantas pessoas ruins que eu consegui evitar um relacionamento antes mesmo de começar, tantas outras que eu evitei que os sentimentos escalassem por ver que a pessoa era ruim. Tudo isso para chegar numa pessoa perfeita, incrível e que também me vê dessa forma e então os sentimentos dela mudarem por ela buscar outros objetivos na vida. É como se não importa o quão perfeito fosse esse encaixe, ainda assim haveria algo que não permitiria acontecer. Não consigo imaginar um cenário em que alguém conseguisse ter uma chance maior de dar certo que este, como terei esperanças?

    Certo de que terei de buscar outra pessoa, me encho de incertezas quanto ao caráter de quem encontrarei no futuro. Já que esta foi a única exceção dentre centenas de mulheres solteiras que cruzei o caminho ou pude conversar que realmente valeria a pena. Cada partida, despedida ou sumiço associo com uma música. Seja a Picolé (Calcinha Preta - Um degrau na escada), Raposa (Leonardo Sullivan - Motivos), Condessa (Djavan - Se...) ou a Depressiva (Altemar Dutra - Que queres tu de mim). Às vezes até mudo qual música se encaixa melhor, conforme vou pensando em alternativas, mas, desta vez, nem sei qual música associar. Pensei em "Chris Isaak - Wicked game", talvez seja a mais próxima até o momento. Mas, o fato é que, tal qual dizia Adoniram Barbosa, em "Bom dia tristeza": "Já estava ficando até meio triste de estar tanto tempo longe de você". A tristeza e a solidão se reencaixam em minha vida, tomando, de volta, seu lar por vinte e cinco anos. Então não se preocupem, minha vida voltou a ser ruim, então vou continuar escrevendo. Provavelmente por um bom tempo.


Toinho Stark do Cangaço, 04/04/2026, 16:01-16:49


Pós-nota: O título é porque, tal qual a estação Caruaru, eu fico vendo os outros enquanto estou ali, negligenciado. Quando alguém, finalmente, liga para mim de forma positiva e não predatória, faz uma obra paliativa e me devolve à mercê do antigo destino que estava. E eu acabei esquecendo de adicionar um trecho no texto que fizesse referência a isso.


(Então não se preocupem, minha vida voltou a ser ruim, então vou continuar escrevendo. Provavelmente por um bom tempo.)

(Cada partida, despedida ou sumiço associo com uma música, seja a Picolé (Calcinha Preta - Um degrau na escada), Raposa (Leonardo Sullivan - Motivos), Condessa (Djavan - Se...) ou a Depressiva (Altemar Dutra - Que queres tu de mim). Às vezes até mudo qual música se encaixa melhor, conforme vou pensando em alternativas, mas, desta vez, nem sei qual música associar. Pensei em "Chris Isaak - Wicked game", talvez seja a mais próxima até o momento.)


04/04/2026

domingo, 29 de março de 2026

Um dia em Caruaru

    Um sábado de Sol, foi como tudo começou. Com um trajeto cheio de obras, na BR-232, que me atrasaram mesmo quando saí de casa mais de meia hora antes do normal. Perdi a conta de quantas borboletas se chocaram contra o para-brisas do carro no trajeto, mas sinto muito por elas. Passando por Vitória de Santo Antão, Pombos, Serra das Russas, Gravatá, Bezerros, Encruzilhada de São João e, finalmente, Caruaru. Foram mais de 130km de viagem até chegar no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. De lá, caminhei até a antiga estação ferroviária de Caruaru, ao qual essa história começa a ser contada por fotos.

    Dia tão diferente e único: Um sábado, 28 de Março. Pela primeira vez na vida fui encontrar alguém que nunca tinha visto pessoalmente, mas que tinha o poder de virar minha vida ao avesso. Eram, porém, 14:24 e ela não estava lá, combinamos às 14:00. Às 14:50 ela me avisa que ainda está no ônibus, que tinha demorado para passar, e que chegará em quinze minutos. Pacientemente esperei até que o Torino S número 3659, da Coletivo Transportes, chegasse à parada, sem nem saber em qual ônibus viria. A vi de azul e preto, vindo sorridente para me acompanhar, enquanto eu descia a escadaria. O alívio de saber que estava tudo certo era mais forte do que minha capacidade de conter o sorriso. Me oferecendo a mão, sorridente me olhava, esta pessoa que tanto me cativava e cujo semblante demonstrava empolgação. Ali começava uma jornada. Logo depois, me ofereceria também alguns chicletes e pirulitos, mas acabei, cordialmente, recusando.

    Para as escadarias do Monte do Bom Jesus nos dirigimos, enquanto ela jogava comigo uma adivinhação do meu nome verdadeiro. Conseguindo adivinhar numa das esquinas que dava no começo da subida. Subimos com algumas paradas para descanso, enquanto conversávamos sobre a vida e o dia. Ao chegarmos no topo, nos dirigimos ao mirante, que ficava à esquerda, enquanto comentávamos sobre como o lugar era propício para esquartejar alguém. Talvez nosso humor seja mesmo quebrado, mas e daí? Seguimos até lá, ainda de mãos dadas. Subimos uma escada apertada, dando um jeito de manter unidos os dedos. Lá conversamos e criamos coragem. Pude beijar sua bochecha e pedi que deitasse em meu colo. Pude acariciar seus cabelos, endurecidos por creme, com um cheiro adocicado que me cativava. Era como se o tempo parasse ali, até que outras pessoas chegaram e decidimos nos endireitar. Olhamos a vista, tirei algumas fotos e voltamos, eventualmente, para a frente da igreja. Já haviam sinais de chuva e nos apressamos para ver o cemitério que ficava do outro lado do morro.

    Se a chuva deu sinais, é porque ela vem. Nos molhando aos poucos, se tornando cada vez mais intensa. Corremos para a cobertura das árvores, que não podiam proteger por completo. Enxuguei seus braços com minha camisa e cuidei para que não se resfriasse. Quando a chuva acalmou, nos viramos para descer a escadaria enquanto eu cantava "Dia Branco" do Geraldo Azevedo para ti. Tomávamos cuidado com a água para não escorregar, enquanto descíamos lentamente, de mãos dadas. No caminho, enquanto ela ajeitava a calça que vivia caindo, peguei uma flor de uma das árvores, que já vinha tentando encontrar há um tempo, e dei a ela, para ter de recordação. Caminhamos e vimos um portão com uma escrita bem peculiar que talvez indicasse que era uma garagem, não tenho certeza, não ficou muito claro [ALÉRGICOS: Contém ironia]. Até que sentamos numa plataforma perto da estação, onde pudemos conversar e refletir bastante. Onde pude dizer a ela que os medos nos paralisam, nos impedem de viver e que a única coisa que devemos temer somos nós mesmos.

    Lembrar de tudo foi incrível, dali levantamos e fomos à parada de ônibus, onde esperei com ela até que a linha 136 passasse novamente. Com muita espera, conversa e mãos dadas, esperamos por mais de meia hora até que dois ônibus passassem, juntos, da mesma linha. Ela, ironicamente, acabou pegando o 3639, que era o que chegou atrás, mas não antes de me dar um beijo na testa de despedida. Dois, na verdade. Se ela tivesse pego o da frente, iria no mesmo ônibus que veio até aqui, mas as coincidências nem sempre acontecem. Com isso pude voltar para casa numa longa jornada, tentando processar tudo que aconteceu neste dia. Depois nos conversamos mais por chamada de voz, mas aí são outras águas, movendo outros moinhos.


Toinho Stark do Cangaço, 29-30/03/2026








segunda-feira, 16 de março de 2026

Música: No time (Epitaph of a young adult)

[Verse 1]

Life's been complicated

Lots of broken dreams

That had me baited

To success, as it seems


If love would grow on trees

I'd have a forest of delusions

Pleading, on my knees

For merciful relations


[Bridge]

So much time was wasted

So many lies I've heard

Jobs that I've worked

Weighing my world


[Chorus]

When you're adolescent, there's no time

And there's no time like adolescence


[Verse 2]

Suffocated by tasks

I lie on the bed

Hands on my chest

Why is it so bad?


Now I'm so exhausted

I've got so much to do

But the old is unresolved

And now there's something new


[Bridge]

I've delayed until now

Because they told me so

How can they be so foul?

Now I've got nowhere to go


[Chorus]

When you're adolescent, there's no time

And there's no time like adolescence


[Verse 3] (More intense voice)

Should've never waited

Should've never changed

Should've never listened

Should've never delayed


I knew what I wanted

I knew what I loved

I knew it all the way

I knew it all the way


[Chorus]

When you're adolescent, there's no time

And there's no time like adolescence


[Whispered]

(Forest of delusions, lies and wasted time)

(Why have I waited? Why even try)



Toinho Stark do Cangaço, 14-15/03/2026


(When you're adolescent, there's no time; and there's no time like adolescence)

(If love grew on trees, I'd have a forest of delusions)


    A origem dessa frase, ao qual eu repito na música, é bem peculiar. Tive um sonho que já tinha tido antes, mas, desta vez, levei mais a sério.

    No sonho eu estava mexendo em objetos pessoais de outra pessoa. Não sei de quem, exatamente, mas, pelo comportamento das pessoas que estavam comigo no sonho e o sentimento que pairava no ar, parecia ser de alguém que já tinha falecido. Algum jovem adulto, amigo de um dos meus primos.

    Nos pertences dele, dentro de umas sacolas plásticas de supermercado, eu encontrava uma tira de papel (Como se fosse rasgada de um caderno), com uma frase escrita à caneta, em caixa alta, dizendo "When you're adolescent, there's no time and there's no time like adolescence" (Quando você é adolescente, não tem tempo; e não tem tempo/momento igual à adolescência). Estava junto a um trenzinho em escala N, que eu pegava e analisava, era na cor azul e parecia ser um modelo europeu (Tinha uma locomotiva elétrica e vários vagões prancha). No trem tinha algumas alavancas minúsculas para mexer e operar e, dessa segunda vez que eu sonhei, eu decidi tentar mexer. Quando coloquei no chão, ele começou a ir para frente, parar e ir para trás, quase não saía do lugar, repetindo este ciclo.

domingo, 1 de março de 2026

A maravilha da solidão

    Eu não consigo explicar para as pessoas como que "estar sozinho", para mim, não é a mera ausência de alguém ao meu lado, mas sim um quadro quase clínico, onde experiencio algo que o DOI-CODI não usava por achar cruel demais. Talvez porque isso é tão parte da minha rotina que eu achava que todo mundo sentia as mesmas coisas quando ficava sozinho, mas, pelo visto, eu tenho o dom de ser acometido pelas piores combinações possíveis, do mesmo jeito que nasci no Nordeste e com alergia a poeira. Eu cansei de tentar explicar que ficar sozinho é como uma tortura para mim, então vou, minunciosamente, descrever o que eu passo quando fico sozinho. Porque eu achei que seria senso comum ver a solidão como uma agonia maior que um tinido nos ouvidos ou acertar o dedo mindinho na quina repetidas vezes. Mas, pelo visto, existem pessoas que romantizam a solidão, então te convido a experienciar, comigo, estes maravilhosos sintomas.

    Detesto ficar sozinho, mas é porque meu corpo continua, desesperadamente, procurando algo para se conectar. Quando não é hora de dormir, mas não tenho ninguém para conversar, fico andando pela casa, conversando comigo mesmo, organizando as coisas que já estão no lugar, procurando algo para fazer para que meu cérebro não hiper-foque em alguma besteira ou volte ao ciclo do que acontece à noite. Ando para um lado, depois para o outro, bufo, escalo o sofá, tento tocar o teto pela milésima vez, procuro imperfeições microscópicas na parede, planejo mil coisas que eu provavelmente nunca irei fazer, começo a estudar um assunto que nunca me interessou ou faço qualquer coisa. Eu só preciso me distrair para não transformar essa crise de ansiedade em ataque de pânico. Depois disso vem a noite, quando meus amigos já foram dormir e só tenho a mim, nesta casa. Se bem que daqui a pouco meu pai se acorda e ele é a única pessoa que me faz preferir estar só do que acompanhado. 

    Estar na cama, só, é uma resenha à parte. Acho incrível que tem gente que só deita numa cama e dorme, sem passar por uma ou duas horas de tortura, às vezes cinco. São todas as noites que estou deitado e me sento do nada, esmurrando os lençóis e bagunçando o cabelo, gritando em silêncio e tentando entender o que se passa na minha cabeça que não consigo me acalmar. Mas tudo isso só acontece quando estou sozinho. Às vezes me contorço, é contra minha vontade, às vezes meu corpo treme por alguns minutos, rolo da cama para cair no chão de propósito, coloco o travesseiro no lado oposto à cabeceira, viro para um lado e para o outro, para ver de qual lado meu nariz está menos entupido, tenho dificuldade de respirar, que fica cada vez mais pesado, meus olhos viajam sem rumo, em alta velocidade, pelo quarto, fico irritado, angustiado ou frustrado. Este é um resumo de coisas que acontecem quando estou tentando dormir sozinho. De tanto que, enquanto tentava dormir, soquei a parede para descarregar essa raiva que eu nem sei de onde vem, começo a achar que as dores em meu punho não são artrite, são consequência. Quando finalmente consigo dormir, ainda acordo diversas vezes, virando para os lados ou eufórico. Posso fechar ou abrir os olhos, não muda, demoro a voltar a dormir. Às vezes tenho paralisia do sono, que, por ventura, gosta de acontecer quando estou sufocando, sem conseguir respirar por alguma obstrução na garganta, talvez causada pela posição nada ergonômica que consegui dormir ou pela asma que já conheço de infância. Por muitas vezes pensei que morreria ali, mas consegui me mexer pouco antes de apagar completamente, por sorte, talvez.

    Sozinho no quarto, tudo fica melancólico, vazio e sem sentido. É o momento que mais me pergunto se viver vale a pena, porque todos estes maravilhosos sintomas me fazem querer fugir disso ao máximo possível. Na minha vida tem um conceito bem nítido, chamado de "dormir de tristeza", é quando estou tão triste que o peso da emoção me faz pegar no sono para não ver as consequências dela. É quando deixou de ser só tristeza e se tornou um peso que me impede de levantar, me deixando imóvel, mas este perdura até quando acordo. O acordar, por sinal, é quando não sinto vontade de levantar da cama, me sinto mais cansado do que quando fui dormir, talvez desmotivado. Um dia acho que só vou decidir não levantar mais e ficar lá até alguém vir me tirar do quarto. Já dormir com minha mãe em locais que tinham poucos quartos para muita gente e não senti nada disso, então sei que me falta companhia. Sei que a culpada disso tudo sempre foi a solidão. Se ela existisse como entidade física, digo com convicção que iria para a cadeia sorrindo se pudesse assassiná-la qualificadamente, com requintes de crueldade. Mas sei que para algumas pessoas, tudo que passo é "só um momento curto, que logo vai se acabar". Porque, para estas pessoas, este período é curti, mas, para mim, é o mais longo do dia.


Toinho Stark do Cangaço, 02/03/2026, 04:20-04:54


(Às vezes me contorço, é contra minha vontade, às vezes meu corpo treme por alguns minutos, rolo da cama para cair no chão de propósito, coloco o travesseiro no lado oposto à cabeceira, viro para um lado e para o outro, para ver de qual lado meu nariz está menos entupido, tenho dificuldade de respirar, que fica cada vez mais pesado, meus olhos viajam sem rumo, em alta velocidade, pelo quarto, fico irritado, angustiado ou frustrado. Este é um resumo de coisas que acontecem quando estou tentando dormir sozinho.)

(De tanto, enquanto tentava dormir, soquei a parede para descarregar essa raiva que eu nem sei de onde vem, acho que as dores em meu punho não são artrite, são consequência)

(Acho incrível que tem gente que só deita numa cama e dorme, sem passar por uma ou duas horas de tortura. São todas as noites que estou deitado e me sento do nada, esmurrando os lençóis e bagunçando o cabelo, gritando em silêncio e tentando entender o que se passa na minha cabeça que não consigo me acalmar. Mas tudo isso só acontece quando estou sozinho)

(Na minha vida tem um conceito bem nítido, chamado de "dormir de tristeza", é quando estou tão triste que o peso da emoção me faz pegar no sono para não ver as consequências dela. É quando deixou de ser só tristeza e se tornou um peso que me impede de levantar, me deixando imóvel, mas este perdura até quando acordo)

(Quando não é hora de dormir, mas não tenho ninguém para conversar, fico andando pela casa, conversando comigo mesmo, organizando as coisas que já estão no lugar, procurando algo para fazer para que meu cérebro não hiper-foque em alguma besteira ou volte ao ciclo do que acontece à noite)

(Iria para a cadeia sorrindo se pudesse assassinar qualificadamente a solidão, com requintes de crueldade)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Auto memorando

    Que minha memória nunca me falhe, é minha maior súplica pois sei que é a única coisa que não podem roubar de mim. Por isso crio este memorando, para manter guardado uma boa parte do que valorizo. Deste modo asseguro que mantenha tudo nesta caixinha segura, fora da minha cabeça frágil e depressiva. Dizem que morremos duas vezes, uma quando nosso corpo falece e outra quando somos esquecidos, por isso não quero esquecê-las.

    Eu espero que nunca esqueça dos meus amigos, nem de fazer por eles sem esperar nada em troca. Mesmo se uma doença neurológica me impeça de lembrar, mesmo se, um dia, eu tiver uma esposa que seja meu mundo, mesmo se a distância entre nós impossibilitar a comunicação, que eu nunca esqueça o quão importantes vocês são. Desde o Ale, James, Hitomaru, PãoDeForma, Júlia, Italo, Mateus, Popeeye, Decinho e até o maluco do Hopkins, dentre outros. Sim, a maioria é de apelido na internet porque ou eu não sei o nome real, ou os conheço melhor por estes nomes. Pois eram eles com quem eu conversava e ainda converso quando me sinto sozinho, com quem joguei alguns jogos ou pude interagir de outras formas.

    Nunca quero esquecer o quanto minha mãe se sacrificou por mim, o quanto, mesmo errando e me prejudicando, ela sempre tentou fazer-me bem. Que eu lembre de quando ela me comprou queijo do reino e refrigerante de uva só porque, um dia, despretensiosamente, eu comentei que tinha vontade de comer. Ou quando ela cuidou de mim, tantas vezes doente, em hospitais, na cama, no sofá ou no banheiro, nunca me abandonou. Que eu lembre de todos os almoços e as jantas, roupas lavadas, casa limpa, os tapas, as vezes trancado no quarto enquanto eu surtava, as vezes que fui tratado como criança, mesmo sendo maior de idade. Também as vezes que ela me desencorajou dos meus sonhos por medo de que eles me levassem a um caminho ruim ou que me julgassem por isso. Das vezes que ela me levou à escola, me levou ao show do Roupa Nova, da banda Calcinha Preta, do Amado Batista, do Bloco da Saudade, da Elba Ramalho, do Marrom Brasileiro e do Lenine. E que eu lembre de quando eu lambia o desodorante dela, com três anos de idade, eu era tabacudo demais.

    Esqueça de tudo, mas não de Marileide, a melhor tia que uma pessoa poderia ter, uma segunda mãe, que, mesmo partindo, nunca deixei morrer dentro de mim. Que até 2020 fez parte diária de minha vida, cuidando de mim mais até do que minha mãe podia. Que eu não esqueça das vezes que ela me levou no campinho de futebol da prefeitura, na oficina para ver os caminhões, na fábrica da Vitarella, só porque eu pedi, ou em tantos outros lugares, me amando incondicionalmente, mesmo com todos os erros que eu cometia. Que eu lembre do quanto a fiz sofrer, inconsequentemente, para que eu pague por isso um dia, porque minha infantilidade me cegava. Que eu plante, em sua homenagem, dois pés de manga, com uma rede entre eles, do jeito que te prometi e te faça um bolo de prestígio quando nos vermos novamente em outro plano. Que eu continue te vendo nos meus sonhos, mesmo quando acordo chorando, pois é uma graça te ter tão perto depois que você foi para tão longe.

    O mais importante na vida de todas as pessoas é a educação. Espero lembrar dos meus professores, que são o motivo de eu ter chegado em algum lugar, o motivo de eu saber e buscar aprender mais. Não tem como nomear todos aqui, porque estudei em três escolas, mas vou tentar homenagear aqueles que ainda lembro: Vanda, Luciara, Valdemir, Isaias, Josélia, Conceição, Lucinaldo, Dudu, Wellington Batalha, Sebá, Mitchell, dentre outros que não lembro o nome, mas a feição me é familiar. Todos foram pilares na formação de minha vida e muitos outros.

    Que eu também me lembre das pessoas que me machucaram, não só os Pedros que me fizeram bullying ou bateram em mim. Mas também meu pai, que eu não esqueça que, ainda que ele tenha feito tantas coisas boas por mim, compensou com tantas ignorâncias, humilhações e incompreensões, pois, mesmo que não me batendo tanto quanto apanhou, definitivamente não poupou esforços em me ferir com palavras, como faca, atravessando meu corpo. Que eu não esqueça que sua arrogância e seu jeito com tom de superioridade ao qual sempre tratou a mim e minha mãe, pois o perdão não fecha as feridas que que foram abertas pelo perdoado.

    Importa dizer que muito mais pessoas fizeram parte da minha vida e que,  de verdade, se eu vivi um dia foi por conta de uma delas. Espero que eu evolua e avance na vida, que eu tenha uma esposa e filhos e possa ser feliz com eles da mesma forma que sejam comigo. Mas que eu nunca esqueça, por nenhuma força, todos que estiveram ao meu lado me ajudando a segurar as pontas, mesmo sabendo que eu posso desistir a qualquer momento.


Toinho Stark do Cangaço, 28/02/2026, 02:42-04:45


(Espero que nunca esqueça dos meus amigos nem de fazer por eles sem esperar nada em troca. Mesmo se uma doença neurológica me impeça de lembrar, mesmo se, um dia, eu tiver uma esposa que seja meu mundo, mesmo se a distância entre nós impossibilitar a comunicação, que eu nunca esqueça o quão importantes vocês são. Desde o Ale, James, Hitomaru, PãoDeForma, Júlia, Italo, Mateus, Popeeye e até o maluco do Hopkins, dentre outros. Sim, a maioria é de apelido na internet porque ou eu não sei o nome real, ou os conheço melhor por estes nomes)

(Que eu nunca esqueça o quanto minha mãe se sacrificou por mim, o quanto, mesmo errando e me prejudicando, ela sempre tentou fazer-me bem. Que eu lembre de quando ela me comprou queijo do reino e refrigerante de uva só porque, um dia, despretensiosamente, eu comentei que tinha vontade de comer. Ou quando ela cuidou de mim, tantas vezes doente, em hospitais, na cama, no sofá ou no banheiro, ela nunca me abandonou.)

(Que eu lembre de Marileide, a melhor tia que uma pessoa poderia ter, uma segunda mãe, que mesmo partindo, nunca deixei morrer dentro de mim. Que até 2020 fez parte diária de minha vida, cuidando de mim mais até do que minha mãe podia. Que eu não esqueça das vezes que ela me levou no campinho de futebol da prefeitura, na oficina para ver os caminhões, na fábrica da Vitarella, só porque eu pedi ou em tantos outros lugares, me amando incondicionalmente, mesmo com todos os erros que eu cometia. Que eu lembre do quanto a fiz sofrer, inconsequentemente, para que eu pague por isso um dia, porque minha infantilidade me cegava. Que eu plante, em sua homenagem, dois pés de manga, com uma rede entre eles, do jeito que te prometi e te faça um bolo de prestígio quando nos vermos novamente em outro plano.)

(Espero lembrar dos meus professores, que são o motivo de eu ter chegado em algum lugar, o motivo de eu saber e buscar aprender mais.)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

50/50

    A vida parece tão incompleta do jeito que a levo. Sinto como se faltasse metade de mim, então vou explicar, aos mínimos detalhes, esta divisão. É como uma dor fantasma, machucando por ausência, pesando como uma barra, fazendo cair meus ombros. Berro e sangro pois amo algo que não tenho, desde sempre. Se algo faz falta por um mês, um ano ou uma década, imagine por vinte e seis anos? Desde sempre tive amigos, o maior tempo que fiquei sem foi cerca de um ano, começando quando um sumiu e terminando quando um novo apareceu. Não tive tempo o bastante para abstinência e acho que sofri mais por achar ter perdido o que sumiu do que realmente por não ter ninguém. Na época da escola, os amigos eram só para conversar, sempre durante o período escolar. Quando voltava para casa, ficava sozinho, jogando no computador pois meus pais não me permitiam brincar na rua. Me acostumei a jogar sozinho e buscar este tipo de diversão no modo single player. Mas namorada, amor romântico, beijos, dormir de conchinha, alguém sanar minhas inquietudes com um abraço ou cafuné, isto nunca tive. Não confio o suficiente nos meus pais para os contar dos meus problemas e meus amigos estão sempre tão longe. O céu bíblico parece tão perto quanto eles, algo bom, porém distante.

    Metade de meus sentimentos são dedicados a um tipo de relacionamento, enquanto a outra metade, ao outro. Nos cinquenta por cento de um lado, eu tenho meus amigos, minha família e conhecidos que fazem parte da minha vida. É um relacionamento de respeito, sem desejo sexual, às vezes sem presença física, com diversas limitações lógicas, que ambos concordam em ter. É neste lado que ficam as pessoas que interajo por um amor não romântico ou por coleguismo. Todas suprindo, mais ou menos, a mesma função, isto é: Nos divertirmos juntos em jogos, conversas, estudos ou eventos em grupo. Existe um certo intimismo, podemos debater sobre problemas pessoais, no caso de algumas pessoas, outras eu não confio tanto, como é o caso dos meus pais. Mas o retrato geral é que as pessoas deste grupo têm uma função de me ajudar e serem ajudadas por mim, se divertir juntos em certas atividades, enquanto nada podem fazer em outras. 

    Que sobra do outro lado? O amor romântico, desde o cafuné, os abraços e encontros, até o lado sexual, que, sendo bem franco, para mim não é tão importante assim. É a presença feminina, de traços que meus amigos não têm ou sentiriam vergonha de demonstrar. Este sorriso bobo ao cruzar olhares, este sentimento de vergonha no começo, que depois se torna desejo, estas flores que brotam na cabeça ao ver uma pessoa tão linda e gentil e saber que esta está em um relacionamento contigo. Esta pessoa doce e meiga que busca uma desculpa para me dar um carinho, tentando conseguir para si um pouco de felicidade e, em troca, me alegrando também. Um toque feminino nesta vida tão majoritariamente masculina, pois aprecio em demasia os traços tipicamente delas. Aprecio suas roupas, seus sapatos, seus estilos de cabelo, suas meias três quartos, sua cintura diferente, pescoço sem gogó, maxilar sutil e mãos menores, delicadas, sua elegância mesmo quando totalmente desarrumada. Pois a beleza feminina é agradável e única, algo que nenhum amigo meu tem e que não adianta minha mãe ter, já que não sou do Alabama.

    Me vem, porém, o problema, o lado romântico não tem ninguém, no máximo com uma desilusão que eu já sabia que daria errado antes mesmo de começar. O ponto é que este lado está, por completo, lutando contra mim, por estar vazio. Tal falta faz com que a única forma de manter esta balança equilibrada seria se todas as pessoas do outro lado estivessem, o tempo todo, agindo ao meu favor, sem nunca errarem ou fazerem algo que me deixe mal. O problema é que isto é impossível por dois motivos: O primeiro é que isto é inviável, todos têm suas vidas e seus problemas, seria até injusto cobrar que fizessem tanto por mim, além de ser egoísta e insensível com os problemas que eles também enfrentam; O segundo é que, mesmo se fossem dedicar tanto para equilibrar esta balança, nada impediria que somente uma destas pessoas fizesse algo que desbalanceasse tudo novamente, considerando a natureza falha humana. Inclusive, o segundo motivo já acontece bastante, com meu pai sempre dando um jeito de arruinar meu dia e minha paciência, com a faculdade me drenando emocional e fisicamente, com alguns amigos meus tendo, também, seus problemas e acabando por não poderem me suprir com suas amizades durante aquele tempo. Tudo isso é natural, inevitável.

    Falta uma ideia menos colossal, mais lógica. Então, a solução mais simples é achar alguém que preencha este outro lado, para que esta pessoa possa lutar junto de quem está do lado de cá em equilibrar a balança, tirando parte do peso que está no lado romântico, talvez até removendo-o por completo, de tal forma que ela conseguiria, sozinha, jogar a balança para o lado da felicidade, mesmo quando meus amigos não puderem nada me fazer. Mas, talvez, esta última expectativa seja tão irrealista quanto a de meus amigos serem suficientes para equilibrar esta balança, sozinhos. Queria que todos os meus amigos entendessem isso, que o motivo de eles não serem suficientes é porque realmente não dá, estão tentando fazer mais papéis do que qualquer pessoa seria capaz. Também queria que ninguém desmerecesse o quanto essa falta me machuca, que não "menosprezassem minha escolha de ir a uma faculdade de artes, querendo me prender a eles e me fazer desistir do meu sonho" (Quem assistiu "Look Back" sabe da cena que estou falando). Quando se tenta assumir papéis demais, não se faz nenhum bem.


Toinho Stark do Cangaço, 23/02/2026, 03:43-04:47


(Sinto como se faltasse metade de mim, então vou explicar, aos mínimos detalhes, esta divisão)

(Nos cinquenta por cento de um lado, eu tenho meus amigos, minha família e conhecidos que fazem parte da minha vida. É um relacionamento de respeito, sem desejo sexual, às vezes sem presença física, com diversas limitações lógicas, que ambos concordam em ter. É neste lado que ficam as pessoas que interajo por um amor não romântico, todas suprindo, mais ou menos, a mesma função, isto é: Nos divertirmos juntos em jogos, conversas ou eventos em grupo. Existe um certo intimismo, podemos debater sobre problemas pessoais, no caso de algumas pessoas, outras eu não confio tanto, como é o caso dos meus pais. Mas o retrato geral é que as pessoas deste grupo têm uma função de me ajudar e serem ajudadas por mim, se divertir juntos em certas atividades.)

(O ponto é que o lado do romance está, por completo, lutando contra mim, por estar vazio. Tal falta faz com que a única forma de manter esta balança equilibrada seria se todas as pessoas do outro lado estivessem, o tempo todo, agindo ao meu favor, sem nunca errarem ou fazerem algo que me deixe mal. O problema é que isto é impossível por dois motivos: O primeiro é que isto é inviável, todos têm suas vidas e seus problemas, seria até injusto cobrar que fizessem tanto por mim, além de ser egoísta e insensível com os problemas que eles também enfrentam; O segundo é que, mesmo se fossem dedicar tanto para equilibrar esta balança, nada impediria que somente uma destas pessoas fizesse algo que desbalanceasse tudo novamente, considerando a natureza falha humana. Inclusive, o segundo motivo já acontece bastante, com meu pai sempre dando um jeito de arruinar meu dia e minha paciência, com a faculdade me drenando emocional e fisicamente, com alguns amigos meus tendo, também, seus problemas e acabando por não poderem me suprir com suas amizades durante aquele tempo. Tudo isso é natural, inevitável.)

(Então, a solução mais simples é achar alguém que preencha este outro lado, para que esta pessoa possa lutar junto de quem está do outro lado em equilibrar a balança, tirando parte do peso que está no lado romântico, talvez até removendo-o por completo, de tal forma que ela conseguiria, sozinha, jogar a balança para o lado da felicidade, mesmo quando meus amigos não puderem nada me fazer. Mas, talvez, esta última expectativa seja tão irrealista quanto a de meus amigos serem suficientes para equilibrar esta balança, sozinhos.)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Só e acompanhado

    Está abafado hoje, parece que vai chover. Não quero, novamente, fazer analogias e metáforas com lágrimas e chuva, apenas constatar que este desconforto não me impediria de abraçar alguém que amasse, mesmo com tanto desconforto físico. Mas a distância ou inexistência dessas pessoas sim, consegue me impedir. 

    Tudo parece desconfortável quando estou sozinho, talvez por ter sido o estado que me encontrei por mais tempo na vida, algo que quero me afastar para sempre. A solidão é como uma "ex", que você encontra no caminho. Porém não consigo evitá-la, pois sua onipresença a faz tomar conta quando meus amigos não estão comigo. Deixando-me com frio mesmo aos 30°C. Parece que meu corpo é uma geladeira, quente por fora e frio por dentro.

    Bem forte, o sentimento toma conta de mim nesses hiatos que meus amigos não estão. É como se eu estivesse sempre no frio, numa rua, largado no chão. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida. Agravada pelos problemas que "todo mundo tem", mas acredito que algo que todos estes também têm são motivos para continuar seguindo em frente e suportá-los.

    Eu sinto que os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento. A sensação de que é algo forte, sem ser diluído pelo carinho aconchegante de alguém. É como comer coentro puro, tomar Coca-Cola de 1990 pura ou empurrar um carro. Se você não entendeu, tudo bem, queria que você pudesse experimentar e me dizer como é passar por isso uma vez, depois refletir como é ter isso todos os dias.

    Acho que tem solução, na companhia de mais e mais pessoas até que não haja mais hiato em minha vida, assim, sem passar um segundo me sentindo só, sentindo frio. Espero que este dia chegue, que eu possa me libertar de tudo aquilo que me acorrenta ao chão. Espero que quando eu, no futuro, diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência. Torça para que seja a reposta positiva, pois uma delas haverá.


Toinho Stark do Cangaço, 04/02/2026, 20:46-22:15


(O sentimento é como se eu estivesse sempre no frio, numa rua. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida.)

(Espero que quando eu diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência.)

(Os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento)

sábado, 24 de janeiro de 2026

Mendicância

    Mendigo, é como me encontro agora, na Conde da Boa Vista, belo nome para uma rua, pena que não sei ler direito para saber o nome das outras. Fico aqui sentado na calçada tentando resistir às tormentas do mundo. Vivo livre, mas não tem sentido caminhar daqui, para onde vou? Só tento sobreviver, sem saber o motivo, pois não tenho ninguém para me acolher aqui, apenas pessoas que passam, dão um trocado e se vão. Mesmo assim, parece que eles estão mais tristes que eu, cada um com suas lutas, eu diria.

    Um momento de beleza no céu, mas não posso aproveitar, quem dera pudesse desbravar este mundo tão bonito, mas me falta alimento e tenho que me preocupar com o essencial para estar aqui de novo. Mas por que estou aqui? Mesmo se estiver vivo amanhã, não mudará nada da minha vida. Vivo na esperança de que um dia posso andar como as pessoas que passam por aqui, mas parece que nem elas estão felizes também.

    Amor e carinho são demonstrados por casais na rua, bem como sacolas cheias de compras, pessoas tomando sorvete ou raspadinha, comendo e até derrubando um pouco no chão. Não faz diferença para eles, têm em abundância. Conversam com seus amigos ou reclamam do clima, imagina se estivessem aqui neste papelão, sobre o chão?

    Na rua, observo aquelas pessoas com roupas limpas e novas, todas bem alimentadas, não tem como não me sentir mal por estar aqui largado, esquecido por todos, como se pagasse uma penitência sem ter cometido um crime. Enquanto elas esbanjam todas essas riquezas, não quero tomar isso delas, apenas queria também ter o que elas têm, será que é pedir de mais? Por que todos que vejo têm, menos eu e um grupo tão pequeno de outros indivíduos, que compartilham da mesma dor?

    Vida tão diferente, como fizeram para chegar onde chegaram? Por que eles têm e eu não? Por que não me ajudam a ter também? Não quero tirar o que é seu, apenas estar no mesmo nível. Por que fico condenado aqui na sarjeta enquanto eles podem ter o que eu preciso para viver com tanta facilidade que talvez nem saibam o valor que tem?


Toinho Stark do Cangaço, 24/01/2026, 22:46-23:01


(E não, este texto não é só para falar da vida de um mendigo, mas aí cabe a você entender o que mais ele fala. Não sou mendigo, mas, talvez, tenha conexão comigo, quem sabe?)

domingo, 18 de janeiro de 2026

As cores e sons do...

    Silêncio, é o que resta após acabar a chamada de voz com os amigos. Os jogos, as conversas e os comentários vão, aos poucos, esmaecendo em minha mente, de maneira não tão abrupta quanto o fim do nosso entretenimento, que se encerra com um "boa noite" ou "até mais". Depois da tempestade, sempre chega a calma, mas o que não te contam é que depois da felicidade, chega a tristeza, sorrateiramente tomando o lugar ocupado, outrora, pela alegria compartilhada. Pois ela deixou livre uma vaga de estacionamento num shopping lotado.

    Inunda, lentamente, minha mente de pensamentos. Não é de minha vontade, apenas vêm, são como o vento, que sopra independente de você ter fechado a janela. Metaforicamente e literalmente, abro tal janela quando a chamada acaba, pois agora posso desabafar o cômodo por não precisar mais de isolamento acústico. Nem mesmo o calor desconfortável pode me incomodar quando estou com eles, mas a brisa mais fria e seca que entra pode ser suficiente para derramar lágrimas.

    Lentamente, a solidão de um quarto tão vazio começa a pesar, como um pequeno furo num navio, deixando as emoções que nos põem para baixo se alojarem em nós. Não sei o que eles sentem, sinceramente, dado que eles não estarão sós quando acabar, terão namorada, bichinhos de estimação ou outros amigos para interagir, então, talvez, nem sabem como é estar na minha pela. Suas imaginações mais férteis não os colocam na ponta do iceberg que faz meu Titanic afundar.

    Êxtase é substituída por exílio, nada voluntário. Eles não têm mais o que fazer por mim, pois, diferente de mim, têm vida a cumprir, tal vida que os trazem, dentre outros sentimentos, um pouco de felicidade. Eu, por outro lado, postergo compromissos e faço tarefas inúteis para passar o tempo, se não ocupar minha mente em um minuto ou menos, é capaz de eu pensar o suficiente para não querer mais estar neste mundo. Queria ter mais tempo para eles, mas, infelizmente, também tenho compromissos, chatos e incômodos, que me fazem questionar onde está o equilíbrio? Aquilo que se contrapõe a estes momentos tão ruins e tediosos.

    Nociva esta relação que tenho com meu próprio tempo, ainda mais sabendo que eles nada podem fazer para me ajudar, já fazem muito. Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que o fez, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que toda a nossa amizade. 

    Corta meu sofrimento de uma vez, por favor. Eu imploro, por medo do que está por vir, me deixa aflito ter que acordar amanhã, tenho muito medo do homem no espelho, acho que ele quer me matar. Os estalares dos móveis, o preto que tinge as paredes brancas na madrugada, o descolorir da sombra, são coisas que me marcam nas madrugadas, andando lentamente pela casa como se me despedisse, sei lá de que.

    Indelével, é como eu descrevo estas nuvens cinzas pairando sobre minha cabeça. Queria ser menos de um peso aos meus amigos, que se preocupam com minha saúde mental, e mais um amigo de verdade, que te faz bem, mas acho que não há muito o que fazer. Por que sou tão atrasado em tudo? Parece que sempre que eu acho uma solução para um problema, algo que estava perfeitamente normal decide se tornar num novo obstáculo.

    Ociosidade, a corda que, lentamente, aperta o pescoço, o vermelho que pulsa de minhas veias e o metal que dilacera os sentimentos. É meu maior inimigo, uma mente que quer correr presa a um corpo que quer se manter inerte. A ofegante respiração, minhas mãos bagunçando meu cabelo em um misto de raiva e tristeza, as gotas que caem em meu colo não são de chuva, é o que ouço em mais uma longa madrugada. 


Toinho Stark do Cangaço, 19/01/2025, 03:47-04:28


(Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que leu, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que todo a nossa amizade)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Se o mundo inteiro me pudesse ouvir

    Tenho que confessar meu cansaço, principalmente comigo mesmo. Não é porque estou doente, nem porque minha rinite está a mais de uma semana atacada, sem trégua, nem porque eu não tenho uma namorada ou alguém que possa estar afetivamente ao meu lado para me dar um abraço ou uma demonstração de afeto que não recebo desde quando não sabia falar ou por que não posso ter apoio emocional dos meus pais, já que "isso é mente fraca" ou "é falta de uma namorada" são as respostas menos imbecis que eu recebo. É porque eu não sei mais o que fazer, cada momento que fico sem fazer nada ou calado é capaz de me aproximar de Deus... ou do Diabo, seja lá quem me receberá.

    Resistido à moda antiga, é o que costumo fazer, mas a ociosidade me joga, aos poucos, de volta àqueles sentimentos que tinha antigamente, que tanto tentei esconder ou suprimir, mas que nunca foram resolvidos. Enquanto a máscara mostra um sorriso, nos bastidores, aqueles problemas não se resolveram, além dos novos que surgem. Mas sabe, não estou pedindo que resolvam, Bob Esponja tentava ajudar Lula Molusco, mas as coisas pioravam porque ele nunca entendia o problema dele, por isso não sabia como ajudar. Devo confessar que não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo.

    Isto é a ponta do iceberg, mas existem sentimentos que me fazem questionar se vale a pena. Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, quando é algo que não me interessa, apenas estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao favor deles. Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado.

    Sem rumo, fico divagando nesse mar, escrevendo textos que, provavelmente, ninguém lerá. Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar. Me desculpa se eu falhar em estar presente, se eu não for um bom amigo, estou tentando o que posso. Vocês têm valor para mim porque me trataram feito humano, não uma máquina criada para atender os prazeres dos outros.

    Ter tantos textos escritos por mim pode até soar como algo bom, mas todas as coisas boas que escrevi são apenas a vontade de estar em um lugar melhor, todas as coisas tristes são representações cruas de meus sentimentos. Pois, se estivesse vivendo as coisas boas que escrevo, vocês não saberiam, estaria aproveitando aquele momento, não perdendo meu tempo escrevendo sobre. É uma maldição de todo escritor, estar triste ou inconformado no momento de sua escrita.

    Esperança é como um farol, num porto, algo que escritores tentam ter quando escrevem suas fantasias de mundos perfeitos, mas acabam somente pondo os outros nesta utopia, continuando vazios em seus mundos reais. Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar. 


Toinho Stark do Cangaço, 08/01/2026, 03:42-04:43


Ah, e feliz aniversário, James.


(Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao seu favor.)

(Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado)

(Não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo)

(Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar.)

(Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar.)