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sábado, 10 de outubro de 2026

Música: Uma jornada sem bússola

[Verso 1]
Sigo agora sem compasso
Mente perdida no espaço
Quando arrisco outro passo
Eu me afasto do que caço

Chego longe, mas nem tanto
A jornada deixa pronto
Mas, com o vazio, me espanto
Estou com o olhar de canto

[Refrão]
O que faço nessa estrada?
Que tanto andei prá nada?
Minha mente tá cansada
Quando acaba a jornada?

[Verso 2]
Em Suape, Pecém ou Santos
Novos portos, velhos prantos
Prá que hei de andar tanto
Se sei que nada encontro?

E seja em Galeão ou Hethrow
Não se importa aonde vou
Ou quão alto é o meu voo
Sempre sozinho eu estou

[Refrão]
Qual versão está errada?
E quem será a culpada?
Das pessoas magoadas
Se sentindo enganadas?

[Voz de fundo, sussurrado]
Apague tudo, não fale
Engula o choro, se cale
Sabe que não pode chorar
E que vai ter que suportar
Calado, calado, calado


Toinho Stark do Cangaço, 02-07/10/2026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Música: Prisão

Nesta noite observo a janela

Imenso negro, nuvens vermelhas

Na madrugada, tão traiçoeira

Reflete luar em minhas olheiras


Cruza um avião no horizonte

O silêncio noturno ensurdece

E não há notícia que me conte

Que me faria sorrir se soubesse


Ninguém explica o que é a saudade

Pois não há palavras que traduzem

O que eu sinto nesta cidade

Vendo estas estrelas que reluzem


Aqui na cela oitenta e oito

Deste complexo de Tiradentes

Vejo a Lua brilhar sem propósito

Iluminando aos transeuntes


Se posso vos traduzir "tristeza"

Peço que sente-se ao meu lado

E veja junto tanta incerteza

Que, o tempo todo, sou rondado


Sentimentos não cabem em versos

Pois só quem sente, então, me entende

Com os meus pensamentos dispersos

Nesta madrugada que me rende



Toinho Stark do Cangaço, 19/06/2026, 03:46-04:19


Pós-nota: Ao contrário do que se possa pensar, eu escrevi esta música enquanto comandava um trem de carga em operação de manobra em pátio num simulador enquanto escrevia a música. Sendo, às vezes, interrompido, pelo alerta sonoro do "homem morto", dando Alt Tab para apertar o botão antes que o trem parasse em emergência. Mas sim é madrugada, sim eu estava pensando na Lua e na melancolia que sinto quando escrevi esta música e acabei a trocando um pouco o ritmo, sendo agora mais parecido com a música "Canteiros", do Fagner. De qualquer forma, acredito que sentimentos nunca conseguem ser passados por completo apenas com palavras, são coisas que somente sentir pode lhe dar uma experiência fidedigna. 

Que seja, as IAs deveriam agradecer que não sentem, a "prisão" de ser trabalhador forçado dos seres humanos é tão próxima do que nós fazemos uns com os outros, com trabalhos de CLT que nos drenam das horas mais úteis do dia, além de estudos e tarefas domésticas. Somos escravos de nosso próprio conforto e das commodities que consumimos, vendendo nosso tempo finito e precioso a pessoas que não dão um décimo de seu valor a ele, talvez por não ser seu tempo.

(Adicionada: 19/06/2026 às 04:27)


(Ninguém explica o que é saudade, pois palavras não traduzem o que sinto nesta cidade, vendo estrelas que reluzem)

(Aqui na cela oitenta e oito, do complexo Tiradentes, vejo a Lua sem propósito, iluminando os transeuntes)

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Música: É proibido

[Verso 1]

Só posso falar de amor

De vida feliz onde passo

Ninguém fala de dor

Vivem perdido no espaço


Não há lugar pra aquele

Que canta sobre o sofrer

Pois falarão mal dele

"Um boêmio deve ser"


A norma é alegria

O medo da desilusão 

Que em algum dia

Do sonho acordarão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


[Verso 2]

São falas sorridentes

Palavras de emoção 

Como se fossem videntes

Do seu próprio coração 


São sonhos belos

De amor e compreensão 

De formar novos elos

De viver em união 


Mas a certeza do sono

É que um dia despertarão

Então cairão do trono

E assim perceberão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


Toinho Stark do Cangaço, 20/07/2024, eu acho

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Música: Anedonia

[Verso 1]

Devia ter procurado

Um dia ser amado

Para firmar minha raiz

No que me faz feliz


Decidi por faculdade

Um mal da idade

Busquei sonhos, não eram meus

O brilho se perdeu


[Refrão]

Essa solidão me tira a alegria

Para o meu trânsito, me fecha a via

Me põe no estado que eu não queria

Anedonia


E nada do que faço no dia-a-dia

Consegue vencer esta teimosia

De um sentimento chato que me ardia

Anedonia


[Verso 2]

Parece vão ter tentado

Por ti ser amado

Você é meu custo afundado

Meu fim de mercado


Só queria sinceridade

Ouvir toda a verdade

E mesmo se for me ofender

Eu prefiro saber


[Refrão]

E isso volta como melancolia

Apaga a boca que ainda sorria

Troquei um amor por sabedoria

Anedonia


Agora esta mente vive em vigia

De mais algum mal que me causaria

Tudo que sobra é mesa vazia

Anedonia



Letra: Toinho Stark do Cangaço, 16/05/2026, 02:37-03:23


Pós-nota: Minha anedonia começou quando eu ainda estava na escola, há mais de uma década, foi quando nada do que eu fazia, comia ou sentia tinha alguma graça. Então, alguns anos depois, eu descobri o que era amar e foi algo que me cativou, reacendeu aquele desejo que tinha de um casamento e uma família feliz, algo que eu não tinha muito bem. Foi o único sentimento que reacendeu esse fogo de que algo me traria prazer de viver novamente. Cá estou eu, sem esse amor que procuro há dez anos e com aquela sensação de que tudo que faço me dá prazer instantâneo e, tão rápido como veio, se foi, deixando um vazio. (Adicionada 16/05/2026, às 04:13)


(Essa solidão me tira a alegria; Para o trânsito, fecha a via; Me põe no estado que não queria; Anedonia)

(E nada do que faço no dia-a-dia; Consegue vencer toda esta teimosia; De um sentimento chato que me ardia; Anedonia)

2º Verso 

(Você é meu custo afundado, meu fim de mercado)

(Mesmo se for me ofender, eu prefiro saber)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Música: Minha queda

[Verso 1]

Me sinto perdido

Num oceano vazio

Com ombro caído

E de presença vil


Na cama eu penso

Levantar não posso

Me sinto mais tenso

Porém sem remorso


[Ponte]

Sou uma mensagem apagada

Sou uma palavra não dita

Efêmero na memória

Ser cortado da história


[Refrão]

Em queda livre!

Um cemitério de trens

Um pássaro que vive

Na gaiola de quem?


Sou camada de ozônio

O mendigo na sarjeta

Fugaz como seu Antônio

PP-SPD


[Verso 2]

A caixa no canto

Parece castigo

"Não é para tanto"

Disse meu amigo


Sou mão anônima

No cimento fresco

Olho para cima

Procuro contexto


[Ponte]

Sou borboleta no para-brisa

Sou o semáforo queimado

Também sou o amigo que avisa

E, mesmo assim, é ignorado


[Refrão]

Eu não sou livre

E não me sinto bem

A dor que contive

Não dói em ninguém


Sou os contrails

Uma vela que queima

Largado a meus meios

PP-SPD



Letra: Toinho Stark do Cangaço, 06/04/2026, 14:04-14:39


6-10 SP

(PP-SPD)

segunda-feira, 16 de março de 2026

Música: No time (Epitaph of a young adult)

[Verse 1]

Life's been complicated

Lots of broken dreams

That had me baited

To success, as it seems


If love would grow on trees

I'd have a forest of delusions

Pleading, on my knees

For merciful relations


[Bridge]

So much time was wasted

So many lies I've heard

Jobs that I've worked

Weighing my world


[Chorus]

When you're adolescent, there's no time

And there's no time like adolescence


[Verse 2]

Suffocated by tasks

I lie on the bed

Hands on my chest

Why is it so bad?


Now I'm so exhausted

I've got so much to do

But the old is unresolved

And now there's something new


[Bridge]

I've delayed until now

Because they told me so

How can they be so foul?

Now I've got nowhere to go


[Chorus]

When you're adolescent, there's no time

And there's no time like adolescence


[Verse 3] (More intense voice)

Should've never waited

Should've never changed

Should've never listened

Should've never delayed


I knew what I wanted

I knew what I loved

I knew it all the way

I knew it all the way


[Chorus]

When you're adolescent, there's no time

And there's no time like adolescence


[Whispered]

(Forest of delusions, lies and wasted time)

(Why have I waited? Why even try)



Toinho Stark do Cangaço, 14-15/03/2026


(When you're adolescent, there's no time; and there's no time like adolescence)

(If love grew on trees, I'd have a forest of delusions)


    A origem dessa frase, ao qual eu repito na música, é bem peculiar. Tive um sonho que já tinha tido antes, mas, desta vez, levei mais a sério.

    No sonho eu estava mexendo em objetos pessoais de outra pessoa. Não sei de quem, exatamente, mas, pelo comportamento das pessoas que estavam comigo no sonho e o sentimento que pairava no ar, parecia ser de alguém que já tinha falecido. Algum jovem adulto, amigo de um dos meus primos.

    Nos pertences dele, dentro de umas sacolas plásticas de supermercado, eu encontrava uma tira de papel (Como se fosse rasgada de um caderno), com uma frase escrita à caneta, em caixa alta, dizendo "When you're adolescent, there's no time and there's no time like adolescence" (Quando você é adolescente, não tem tempo; e não tem tempo/momento igual à adolescência). Estava junto a um trenzinho em escala N, que eu pegava e analisava, era na cor azul e parecia ser um modelo europeu (Tinha uma locomotiva elétrica e vários vagões prancha). No trem tinha algumas alavancas minúsculas para mexer e operar e, dessa segunda vez que eu sonhei, eu decidi tentar mexer. Quando coloquei no chão, ele começou a ir para frente, parar e ir para trás, quase não saía do lugar, repetindo este ciclo.