sexta-feira, 19 de junho de 2026

Música: Prisão

Nesta noite observo a janela

Imenso negro, nuvens vermelhas

Na madrugada, tão traiçoeira

Reflete luar em minhas olheiras


Cruza um avião no horizonte

O silêncio noturno ensurdece

E não há notícia que me conte

Que me faria sorrir se soubesse


Ninguém explica o que é a saudade

Pois não há palavras que traduzem

O que eu sinto nesta cidade

Vendo estas estrelas que reluzem


Aqui na cela oitenta e oito

Deste complexo de Tiradentes

Vejo a Lua brilhar sem propósito

Iluminando aos transeuntes


Se posso vos traduzir "tristeza"

Peço que sente-se ao meu lado

E veja junto tanta incerteza

Que, o tempo todo, sou rondado


Sentimentos não cabem em versos

Pois só quem sente, então, me entende

Com os meus pensamentos dispersos

Nesta madrugada que me rende



Toinho Stark do Cangaço, 19/06/2026, 03:46-04:19


Pós-nota: Ao contrário do que se possa pensar, eu escrevi esta música enquanto comandava um trem de carga em operação de manobra em pátio num simulador enquanto escrevia a música. Sendo, às vezes, interrompido, pelo alerta sonoro do "homem morto", dando Alt Tab para apertar o botão antes que o trem parasse em emergência. Mas sim é madrugada, sim eu estava pensando na Lua e na melancolia que sinto quando escrevi esta música e acabei a trocando um pouco o ritmo, sendo agora mais parecido com a música "Canteiros", do Fagner. De qualquer forma, acredito que sentimentos nunca conseguem ser passados por completo apenas com palavras, são coisas que somente sentir pode lhe dar uma experiência fidedigna. 

Que seja, as IAs deveriam agradecer que não sentem, a "prisão" de ser trabalhador forçado dos seres humanos é tão próxima do que nós fazemos uns com os outros, com trabalhos de CLT que nos drenam das horas mais úteis do dia, além de estudos e tarefas domésticas. Somos escravos de nosso próprio conforto e das commodities que consumimos, vendendo nosso tempo finito e precioso a pessoas que não dão um décimo de seu valor a ele, talvez por não ser seu tempo.

(Adicionada: 19/06/2026 às 04:27)


(Ninguém explica o que é saudade, pois palavras não traduzem o que sinto nesta cidade, vendo estrelas que reluzem)

(Aqui na cela oitenta e oito, do complexo Tiradentes, vejo a Lua sem propósito, iluminando os transeuntes)

sábado, 6 de junho de 2026

Barreiras complexas

    Queria falar de algo tão complexo e profundo que, talvez por conta da sensibilidade do assunto, só pode ser dito em códigos. Existem personalidades dentro de mim que mal podem ver a luz do dia, pois, para tal, precisaria transpor algumas barreiras. Talvez estes transtornos possam transmitir um pouco do meu cuidado com as pessoas que me cercam, seus sentimentos e suas visões de mundo.

    Viver sem quebrar esta barreira é complicado, mas sei ser um sacrifício aceitável para evitar ser culpado por tais transgressões. Talvez isso explique eu nunca ter me visto na pessoa do espelho, talvez explique meus atos, gostos e interesses, mas tudo isso é turvo. Parte de mim aceita o atual, parte de mim anseia por mudança. Estou transtornado com tantos dilemas.

    Sem mudar meus gostos e interesses, queria poder viver uma vida em que transporto meu coração livre como o vento, mas preso ao amor. Talvez aprendi a amar quem eu sou, mas nunca a aceitar. Minha mente vive em transe, buscando uma realidade impossível, sonhando com um poder que ninguém tem. Transito pelas realidades, em busca de uma que sou feliz, mas sei que é intangível.

    Barreiras são criadas por nossas mentes, com nossos medos nos proibindo de ser felizes, mas agradeço que este medo transitório me proteja de magoar as pessoas que amo. No fim, tento equilibrar meu bastão da justiça para que nem eu, nem ninguém fique em vantagem, mesmo sabendo que, por mim, não fariam dez por cento.


Toinho Stark do Cangaço, 06/06/2026, 06:17-06:29

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Música: É proibido

[Verso 1]

Só posso falar de amor

De vida feliz onde passo

Ninguém fala de dor

Vivem perdido no espaço


Não há lugar pra aquele

Que canta sobre o sofrer

Pois falarão mal dele

"Um boêmio deve ser"


A norma é alegria

O medo da desilusão 

Que em algum dia

Do sonho acordarão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


[Verso 2]

São falas sorridentes

Palavras de emoção 

Como se fossem videntes

Do seu próprio coração 


São sonhos belos

De amor e compreensão 

De formar novos elos

De viver em união 


Mas a certeza do sono

É que um dia despertarão

Então cairão do trono

E assim perceberão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


Toinho Stark do Cangaço, 20/07/2024, eu acho