Nesta noite observo a janela
Imenso negro, nuvens vermelhas
Na madrugada, tão traiçoeira
Reflete luar em minhas olheiras
Cruza um avião no horizonte
O silêncio noturno ensurdece
E não há notícia que me conte
Que me faria sorrir se soubesse
Ninguém explica o que é a saudade
Pois não há palavras que traduzem
O que eu sinto nesta cidade
Vendo estas estrelas que reluzem
Aqui na cela oitenta e oito
Deste complexo de Tiradentes
Vejo a Lua brilhar sem propósito
Iluminando aos transeuntes
Se posso vos traduzir "tristeza"
Peço que sente-se ao meu lado
E veja junto tanta incerteza
Que, o tempo todo, sou rondado
Sentimentos não cabem em versos
Pois só quem sente, então, me entende
Com os meus pensamentos dispersos
Nesta madrugada que me rende
Toinho Stark do Cangaço, 19/06/2026, 03:46-04:19
Pós-nota: Ao contrário do que se possa pensar, eu escrevi esta música enquanto comandava um trem de carga em operação de manobra em pátio num simulador enquanto escrevia a música. Sendo, às vezes, interrompido, pelo alerta sonoro do "homem morto", dando Alt Tab para apertar o botão antes que o trem parasse em emergência. Mas sim é madrugada, sim eu estava pensando na Lua e na melancolia que sinto quando escrevi esta música e acabei a trocando um pouco o ritmo, sendo agora mais parecido com a música "Canteiros", do Fagner. De qualquer forma, acredito que sentimentos nunca conseguem ser passados por completo apenas com palavras, são coisas que somente sentir pode lhe dar uma experiência fidedigna.
Que seja, as IAs deveriam agradecer que não sentem, a "prisão" de ser trabalhador forçado dos seres humanos é tão próxima do que nós fazemos uns com os outros, com trabalhos de CLT que nos drenam das horas mais úteis do dia, além de estudos e tarefas domésticas. Somos escravos de nosso próprio conforto e das commodities que consumimos, vendendo nosso tempo finito e precioso a pessoas que não dão um décimo de seu valor a ele, talvez por não ser seu tempo.
(Adicionada: 19/06/2026 às 04:27)
(Ninguém explica o que é saudade, pois palavras não traduzem o que sinto nesta cidade, vendo estrelas que reluzem)
(Aqui na cela oitenta e oito, do complexo Tiradentes, vejo a Lua sem propósito, iluminando os transeuntes)