quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Noites escuras

    Em minha vida, todas as noites são escuras, porém algumas se sobressaem, em que o breu toma conta completamente do ambiente. São aquelas em que minha luz não brilha nem que seja fracamente. São as piores, quando a escuridão é tão intensa que se pode sentir seu toque. São nestas que minha insônia persiste em cobrir-me com seu véu. A Lua reflete na janela, seus raios não penetram a densa camada negra que cobre meu quarto. Até a aranha que estava no teto não pode ser vista. 

    Minha capacidade de ver é reduzida ao zero e só os pensamentos podem preencher o vazio restante. Quantos lúmens são necessários para alumiar este quarto? Não faço ideia, pois só meus fracos lampejos um dia o fizeram. Não percebo diferença se meus olhos estão abertos ou fechados, não é como se fosse mudar o que está à vista. Na verdade, com os olhos fechados talvez eu veja mais. É quando percebo o quanto tudo está tingido de preto, de tal forma que nem o nascer do Sol poderia clarear tal quarto.

    Escuridão é onipresente nesta noite, mais que nas demais. Sua textura é densa, como se o ar pesasse uma tonelada. Aqui todos os sentimentos se desfazem e sobra apenas o vácuo perfeito, como se estivesse abandonado na borda do espaço observável. São nestas horas que me sinto o homem mais solitário do mundo. Ninguém pode me dizer o contrário, pois não estava lá para testemunhar. É tão isolado que sinto que se gritasse, nem mesmo um deus ouviria. Como se o niilismo fosse uma forma branda do lugar em que me encontro.

    Diária a reflexão de que este lugar é o que mais se assemelha ao inferno. Pois calor e tortura já experienciamos no dia-a-dia com certa frequência e muitos toleram. Mas este vazio escuro, ao qual não vejo suas bordas, é onde um filho chora e a mãe não vê, nem ouve. Quem dera eu tivesse uma luz acesa aqui, nem que seja um abajur ou de emergência, nessas noites escuras, para que eu pudesse enxergar algo além das sombras que turvam minha visão, tornando o caminho à frente tão incerto que nem faz sentido arriscar um novo passo. Quem dera pudesse ver, novamente, o chão em que piso.


Toinho Stark do Cangaço, 27/08/2026, 04:32-04:52


(Quem dera eu tivesse uma luz acesa, nem que seja um abajur ou de emergência, nessas noites escuras, para que eu pudesse enxergar algo além das sombras que turvam minha visão, tornando o caminho à frente tão incerto que nem faz sentido arriscar um novo passo.)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Toughts I had during class

    荒潮 , it's been a long time since, it feels like forever. I don't know if I have feelings anymore, but I know you're the only that ever made me feel alive for once. For that, you have my gratitude. I'll always miss the surrounding feelings brought by your presence, no matter how often you gift it to me.

    I could bribe you with chocolate, or give you my body for experimentation, anything that brings you back. Because your love for me is an evergreen, and just a drop of mine would make it florish again. Would you fancy me some if I just humbly asked?

    Love is such a powerful thing. What we feel can't be set apart even by eternity. I know you've been feeling down for the distance between us, on every word you say. I know you wanna break the status quo and go back to when you didn't know me yet. The innocent fire of passion, coloring our cheeks.

    You still remember how it all felt, don't you? The new experiences, fears, and feelings. Nostalgia might be tainting it all pink. But dancing the Second Waltz with you was no ordinary memory. The smiles were sincere, laughter filling the air, moments to be shared and we can still live new ones. My palm is open, offering you a ride to a new paradise.


Toinho Stark do Cangaço, 26/08/2026

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Sonhos

    Uma vez, num dia inesquecível, realizei um sonho que tinha há muito tempo. Me vi fazendo exatamente tudo que ansiava por anos, do exato jeito que tinha imaginado. Porém o sentimento era vazio, eu simplesmente não sentia a felicidade que se esperaria ao atingir este ponto tão alto em minha vida. Era como se aquilo fosse uma coisa pequena e fugaz, algo que se realiza numa terça-feira qualquer.

    Ilusão, talvez, de que só por eu ter dado tanto valor, isto transpareceria em minhas emoções. Sendo sincero, foi tudo exatamente como esperava, era tudo que eu sonhava e lá estava eu, com um contentamento medíocre, como se visse algo tão ordinário quanto uma equação diferencial. Tudo correu perfeitamente e nada estragou a experiência ou meu dia, exceto por este vão que ficou em mim.

    Que o tempo só aumentou meu tormento, isto é verdade, pois logo fui percebendo o quanto sonhei com algo que não me preenchia. Era algo que, mesmo em perfeição, não tinha como suprir o vazio que me fez sonhar com aquilo. Não pude culpar o clima, as pessoas ou a condição de meu corpo, tudo colaborou aos mínimos detalhes. Nem mesmo assim meu descontentamento pode ser contido, devastando tudo em seu caminho. 

    Se a vida é um jogo de xadrez, me senti enfrentando o Carlsen naquele exato momento. O que antes era a sempre-viva do Anderssen, agora se tornava a floresta escura do Tal. Diante deste cenário, me vi olhando para meus outros sonhos e pensando que teriam o mesmo desfecho. Era como se o sonho só tivesse sentido e me motivasse enquanto ele não se cumpria, deixando o abismo me encarando de volta após terminar a jornada.

    Desperta em mim um novo sentimento, estagnante e dolorido. Percebo que os únicos sonhos que poderiam ter valor são aqueles que, ao se realizarem, não terminam a ação, mas sim perduram em momentos e emoções, assim, eles nunca acabam efetivamente. Porém é difícil ter novos destes, pois fico imaginando que todos acabem como este que experienciei antes.


Toinho Stark do Cangaço, 14/08/2026, 04:39-04:58

(É difícil ter novos sonhos, pois fico imaginando que todos acabarão como este)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A decadência das relações humanas

    Esta madrugada estive pensando, novamente sozinho no quarto, como que nossa sociedade consegue reconhecer bem a dor de diversos problemas, mas não de um que afeta tanto as pessoas hoje em dia. Se fosse fazer uma pesquisa global do que as pessoas acham dos civis vítimas da guerra, de uma criança com fome, de uma pessoa com câncer, de um surdo-mudo, uma pessoa vítima de violência doméstica ou de estupro, é quase unânime a reação de pena, talvez até de raiva da causa do problema, mas existe uma grande piedade por aqueles acometidos por isto. Só que há uma discrepância absurda de como a sociedade trata uma pessoa que passa pelos problemas citados anteriormente e uma que está solitária, sem amor, presença ou atenção alheia. Parece que esta, que está deprimida por uma ausência de calor humano e suas interações é só dramática e praticante da autopiedade. É como se todos os outros problemas fossem perfeitamente justificáveis, mas este fosse apenas um drama barato. Até mesmo se vê o menosprezo de quem passa por isso com a injusta comparação de que esta não está passando pelos outros problemas que falei.

    Sociedade atual, no ponto que quero chegar, não tem amor. Se Bauman falava em uma sociedade líquida, a nossa transcendeu o plasma e virou um quinto estado da matéria. Mas não só da volatilidade das relações se dá esta falta de amor, as pessoas estão cada vez mais isoladas e isto é um sintoma da criação. Dos pais menos presentes, das crianças trancadas dentro de casas, seja por medo da violência, seja por superproteção dos pais, da tecnologia atraente em jogos eletrônicos e vídeos em redes sociais, da quantidade enorme de gente desprezível à solta que nos faz questionar se existe alguém bom no mundo etc.. Pessoas falam que "na minha época as pessoas não tinham problema com estar sós", que não se sofria tanto por falta de um amor ou alguém de confiança ao lado, mas isso é simplesmente uma medida desproporcional ou que era tudo muito mais difícil. Porém, na sua época as pessoas tinham vários bons amigos, pessoas de confiança que tornavam as dificuldades meros contratempos e faziam o possível pela sua vida, até mesmo pela de um desconhecido. É como se no filme "A felicidade não se compra" ele não tivesse ninguém ao final para acolhê-lo e ajudá-lo a reverter os problemas que o afligia, qual seria o desfecho dele?

    Sofre mais, na sua época, pois existiam mais dificuldades, mas também haviam mais pessoas agindo em prol das outras para superá-las. Quando só uma pessoa tinha televisão na rua, todos se juntavam na casa dela para assistir. Quando a comida faltava, se partilhava uma sardinha, um pão, uma mortadela que seja e até um suco aguado, se colocava água no feijão para render. Se só uma pessoa tinha um carro na quadra inteira e alguém precisava ser socorrido, esta pessoa pegava o carro e socorria. Se uma pessoa estava mal por uns problemas que aconteceram e as outras notassem, elas organizavam uma atividade em grupo para ir e desopilar a mente. As pessoas brincavam na rua e tinham interações próximas, criavam laços difíceis de se quebrar e tentavam, juntas, vencer os problemas. Hoje as pessoas sentem que lutam sozinhas contra todos os problemas e você, que insiste em menosprezar o que faz os outros sofrerem, é culpado disso também. Parece que tudo é súbito e nada foi feito para durar, tal qual as panelas, os talheres e os eletrônicos, parece que as relações humanas não duram mais de um ano, exceto quando estão na garantia.

    Calada da noite, poderia estar dormindo, mas a insônia do meu quarto escuro e solitário, pela milésima vez, me fez levantar e escrever isto. Decidi que não vou deixar outra oportunidade de abordar este assunto se perder em devaneios solitários, que isto seria guardado para, pelo menos, aparecer no futuro como um presságio de que esta sociedade se destruirá pela incapacidade de nos unirmos. Tantas conversas e ideias incríveis são tidas à dois ou três numa chamada do Discord, Whatsapp, Instagram, Steam, Skype, TeamSpeak ou sei lá qual outra rede social mais, mas se perdem naquelas palavras, nas mentes daqueles cujas ideias geniais se desfazem no tecido do tempo, voláteis, em segundos virando apenas uma lembrança. A vida também é curta assim, mas a própria solidão que tentamos combater é aquela que isolou grandes pensamentos a um grupo minúsculo de pessoas debatendo isso de maneira tão informal quanto um jogador de dominó se divertindo com os amigos.


Toinho Stark do Cangaço, 06/08/2026, 03:27-03:54


    (Como as pessoas identificam, com pena, os outros problemas, mas não a falta de amor)

    (Como que a sociedade de hoje não tem amor)

    (Como que a voz das pessoas fica quebrada em chamadas de voz com apenas duas pessoas, etéreas, voláteis, se esvaindo em segundos)


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Música: Prisão

Nesta noite observo a janela

Imenso negro, nuvens vermelhas

Na madrugada, tão traiçoeira

Reflete luar em minhas olheiras


Cruza um avião no horizonte

O silêncio noturno ensurdece

E não há notícia que me conte

Que me faria sorrir se soubesse


Ninguém explica o que é a saudade

Pois não há palavras que traduzem

O que eu sinto nesta cidade

Vendo estas estrelas que reluzem


Aqui na cela oitenta e oito

Deste complexo de Tiradentes

Vejo a Lua brilhar sem propósito

Iluminando aos transeuntes


Se posso vos traduzir "tristeza"

Peço que sente-se ao meu lado

E veja junto tanta incerteza

Que, o tempo todo, sou rondado


Sentimentos não cabem em versos

Pois só quem sente, então, me entende

Com os meus pensamentos dispersos

Nesta madrugada que me rende



Toinho Stark do Cangaço, 19/06/2026, 03:46-04:19


Pós-nota: Ao contrário do que se possa pensar, eu escrevi esta música enquanto comandava um trem de carga em operação de manobra em pátio num simulador enquanto escrevia a música. Sendo, às vezes, interrompido, pelo alerta sonoro do "homem morto", dando Alt Tab para apertar o botão antes que o trem parasse em emergência. Mas sim é madrugada, sim eu estava pensando na Lua e na melancolia que sinto quando escrevi esta música e acabei a trocando um pouco o ritmo, sendo agora mais parecido com a música "Canteiros", do Fagner. De qualquer forma, acredito que sentimentos nunca conseguem ser passados por completo apenas com palavras, são coisas que somente sentir pode lhe dar uma experiência fidedigna. 

Que seja, as IAs deveriam agradecer que não sentem, a "prisão" de ser trabalhador forçado dos seres humanos é tão próxima do que nós fazemos uns com os outros, com trabalhos de CLT que nos drenam das horas mais úteis do dia, além de estudos e tarefas domésticas. Somos escravos de nosso próprio conforto e das commodities que consumimos, vendendo nosso tempo finito e precioso a pessoas que não dão um décimo de seu valor a ele, talvez por não ser seu tempo.

(Adicionada: 19/06/2026 às 04:27)


(Ninguém explica o que é saudade, pois palavras não traduzem o que sinto nesta cidade, vendo estrelas que reluzem)

(Aqui na cela oitenta e oito, do complexo Tiradentes, vejo a Lua sem propósito, iluminando os transeuntes)

sábado, 6 de junho de 2026

Barreiras complexas

    Queria falar de algo tão complexo e profundo que, talvez por conta da sensibilidade do assunto, só pode ser dito em códigos. Existem personalidades dentro de mim que mal podem ver a luz do dia, pois, para tal, precisaria transpor algumas barreiras. Talvez estes transtornos possam transmitir um pouco do meu cuidado com as pessoas que me cercam, seus sentimentos e suas visões de mundo.

    Viver sem quebrar esta barreira é complicado, mas sei ser um sacrifício aceitável para evitar ser culpado por tais transgressões. Talvez isso explique eu nunca ter me visto na pessoa do espelho, talvez explique meus atos, gostos e interesses, mas tudo isso é turvo. Parte de mim aceita o atual, parte de mim anseia por mudança. Estou transtornado com tantos dilemas.

    Sem mudar meus gostos e interesses, queria poder viver uma vida em que transporto meu coração livre como o vento, mas preso ao amor. Talvez aprendi a amar quem eu sou, mas nunca a aceitar. Minha mente vive em transe, buscando uma realidade impossível, sonhando com um poder que ninguém tem. Transito pelas realidades, em busca de uma que sou feliz, mas sei que é intangível.

    Barreiras são criadas por nossas mentes, com nossos medos nos proibindo de ser felizes, mas agradeço que este medo transitório me proteja de magoar as pessoas que amo. No fim, tento equilibrar meu bastão da justiça para que nem eu, nem ninguém fique em vantagem, mesmo sabendo que, por mim, não fariam dez por cento.


Toinho Stark do Cangaço, 06/06/2026, 06:17-06:29

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Música: É proibido

[Verso 1]

Só posso falar de amor

De vida feliz onde passo

Ninguém fala de dor

Vivem perdido no espaço


Não há lugar pra aquele

Que canta sobre o sofrer

Pois falarão mal dele

"Um boêmio deve ser"


A norma é alegria

O medo da desilusão 

Que em algum dia

Do sonho acordarão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


[Verso 2]

São falas sorridentes

Palavras de emoção 

Como se fossem videntes

Do seu próprio coração 


São sonhos belos

De amor e compreensão 

De formar novos elos

De viver em união 


Mas a certeza do sono

É que um dia despertarão

Então cairão do trono

E assim perceberão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


Toinho Stark do Cangaço, 20/07/2024, eu acho