domingo, 1 de março de 2026

A maravilha da solidão

    Eu não consigo explicar para as pessoas como que "estar sozinho", para mim, não é a mera ausência de alguém ao meu lado, mas sim um quadro quase clínico, onde experiencio algo que o DOI-CODI não usava por achar cruel demais. Talvez porque isso é tão parte da minha rotina que eu achava que todo mundo sentia as mesmas coisas quando ficava sozinho, mas, pelo visto, eu tenho o dom de ser acometido pelas piores combinações possíveis, do mesmo jeito que nasci no Nordeste e com alergia a poeira. Eu cansei de tentar explicar que ficar sozinho é como uma tortura para mim, então vou, minunciosamente, descrever o que eu passo quando fico sozinho. Porque eu achei que seria senso comum ver a solidão como uma agonia maior que um tinido nos ouvidos ou acertar o dedo mindinho na quina repetidas vezes. Mas, pelo visto, existem pessoas que romantizam a solidão, então te convido a experienciar, comigo, estes maravilhosos sintomas.

    Detesto ficar sozinho, mas é porque meu corpo continua, desesperadamente, procurando algo para se conectar. Quando não é hora de dormir, mas não tenho ninguém para conversar, fico andando pela casa, conversando comigo mesmo, organizando as coisas que já estão no lugar, procurando algo para fazer para que meu cérebro não hiper-foque em alguma besteira ou volte ao ciclo do que acontece à noite. Ando para um lado, depois para o outro, bufo, escalo o sofá, tento tocar o teto pela milésima vez, procuro imperfeições microscópicas na parede, planejo mil coisas que eu provavelmente nunca irei fazer, começo a estudar um assunto que nunca me interessou ou faço qualquer coisa. Eu só preciso me distrair para não transformar essa crise de ansiedade em ataque de pânico. Depois disso vem a noite, quando meus amigos já foram dormir e só tenho a mim, nesta casa. Se bem que daqui a pouco meu pai se acorda e ele é a única pessoa que me faz preferir estar só do que acompanhado. 

    Estar na cama, só, é uma resenha à parte. Acho incrível que tem gente que só deita numa cama e dorme, sem passar por uma ou duas horas de tortura, às vezes cinco. São todas as noites que estou deitado e me sento do nada, esmurrando os lençóis e bagunçando o cabelo, gritando em silêncio e tentando entender o que se passa na minha cabeça que não consigo me acalmar. Mas tudo isso só acontece quando estou sozinho. Às vezes me contorço, é contra minha vontade, às vezes meu corpo treme por alguns minutos, rolo da cama para cair no chão de propósito, coloco o travesseiro no lado oposto à cabeceira, viro para um lado e para o outro, para ver de qual lado meu nariz está menos entupido, tenho dificuldade de respirar, que fica cada vez mais pesado, meus olhos viajam sem rumo, em alta velocidade, pelo quarto, fico irritado, angustiado ou frustrado. Este é um resumo de coisas que acontecem quando estou tentando dormir sozinho. De tanto que, enquanto tentava dormir, soquei a parede para descarregar essa raiva que eu nem sei de onde vem, começo a achar que as dores em meu punho não são artrite, são consequência. Quando finalmente consigo dormir, ainda acordo diversas vezes, virando para os lados ou eufórico. Posso fechar ou abrir os olhos, não muda, demoro a voltar a dormir. Às vezes tenho paralisia do sono, que, por ventura, gosta de acontecer quando estou sufocando, sem conseguir respirar por alguma obstrução na garganta, talvez causada pela posição nada ergonômica que consegui dormir ou pela asma que já conheço de infância. Por muitas vezes pensei que morreria ali, mas consegui me mexer pouco antes de apagar completamente, por sorte, talvez.

    Sozinho no quarto, tudo fica melancólico, vazio e sem sentido. É o momento que mais me pergunto se viver vale a pena, porque todos estes maravilhosos sintomas me fazem querer fugir disso ao máximo possível. Na minha vida tem um conceito bem nítido, chamado de "dormir de tristeza", é quando estou tão triste que o peso da emoção me faz pegar no sono para não ver as consequências dela. É quando deixou de ser só tristeza e se tornou um peso que me impede de levantar, me deixando imóvel, mas este perdura até quando acordo. O acordar, por sinal, é quando não sinto vontade de levantar da cama, me sinto mais cansado do que quando fui dormir, talvez desmotivado. Um dia acho que só vou decidir não levantar mais e ficar lá até alguém vir me tirar do quarto. Já dormir com minha mãe em locais que tinham poucos quartos para muita gente e não senti nada disso, então sei que me falta companhia. Sei que a culpada disso tudo sempre foi a solidão. Se ela existisse como entidade física, digo com convicção que iria para a cadeia sorrindo se pudesse assassiná-la qualificadamente, com requintes de crueldade. Mas sei que para algumas pessoas, tudo que passo é "só um momento curto, que logo vai se acabar". Porque, para estas pessoas, este período é curti, mas, para mim, é o mais longo do dia.


Toinho Stark do Cangaço, 02/03/2026, 04:20-04:54


(Às vezes me contorço, é contra minha vontade, às vezes meu corpo treme por alguns minutos, rolo da cama para cair no chão de propósito, coloco o travesseiro no lado oposto à cabeceira, viro para um lado e para o outro, para ver de qual lado meu nariz está menos entupido, tenho dificuldade de respirar, que fica cada vez mais pesado, meus olhos viajam sem rumo, em alta velocidade, pelo quarto, fico irritado, angustiado ou frustrado. Este é um resumo de coisas que acontecem quando estou tentando dormir sozinho.)

(De tanto, enquanto tentava dormir, soquei a parede para descarregar essa raiva que eu nem sei de onde vem, acho que as dores em meu punho não são artrite, são consequência)

(Acho incrível que tem gente que só deita numa cama e dorme, sem passar por uma ou duas horas de tortura. São todas as noites que estou deitado e me sento do nada, esmurrando os lençóis e bagunçando o cabelo, gritando em silêncio e tentando entender o que se passa na minha cabeça que não consigo me acalmar. Mas tudo isso só acontece quando estou sozinho)

(Na minha vida tem um conceito bem nítido, chamado de "dormir de tristeza", é quando estou tão triste que o peso da emoção me faz pegar no sono para não ver as consequências dela. É quando deixou de ser só tristeza e se tornou um peso que me impede de levantar, me deixando imóvel, mas este perdura até quando acordo)

(Quando não é hora de dormir, mas não tenho ninguém para conversar, fico andando pela casa, conversando comigo mesmo, organizando as coisas que já estão no lugar, procurando algo para fazer para que meu cérebro não hiper-foque em alguma besteira ou volte ao ciclo do que acontece à noite)

(Iria para a cadeia sorrindo se pudesse assassinar qualificadamente a solidão, com requintes de crueldade)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Auto memorando

    Que minha memória nunca me falhe, é minha maior súplica pois sei que é a única coisa que não podem roubar de mim. Por isso crio este memorando, para manter guardado uma boa parte do que valorizo. Deste modo asseguro que mantenha tudo nesta caixinha segura, fora da minha cabeça frágil e depressiva. Dizem que morremos duas vezes, uma quando nosso corpo falece e outra quando somos esquecidos, por isso não quero esquecê-las.

    Eu espero que nunca esqueça dos meus amigos, nem de fazer por eles sem esperar nada em troca. Mesmo se uma doença neurológica me impeça de lembrar, mesmo se, um dia, eu tiver uma esposa que seja meu mundo, mesmo se a distância entre nós impossibilitar a comunicação, que eu nunca esqueça o quão importantes vocês são. Desde o Ale, James, Hitomaru, PãoDeForma, Júlia, Italo, Mateus, Popeeye, Decinho e até o maluco do Hopkins, dentre outros. Sim, a maioria é de apelido na internet porque ou eu não sei o nome real, ou os conheço melhor por estes nomes. Pois eram eles com quem eu conversava e ainda converso quando me sinto sozinho, com quem joguei alguns jogos ou pude interagir de outras formas.

    Nunca quero esquecer o quanto minha mãe se sacrificou por mim, o quanto, mesmo errando e me prejudicando, ela sempre tentou fazer-me bem. Que eu lembre de quando ela me comprou queijo do reino e refrigerante de uva só porque, um dia, despretensiosamente, eu comentei que tinha vontade de comer. Ou quando ela cuidou de mim, tantas vezes doente, em hospitais, na cama, no sofá ou no banheiro, nunca me abandonou. Que eu lembre de todos os almoços e as jantas, roupas lavadas, casa limpa, os tapas, as vezes trancado no quarto enquanto eu surtava, as vezes que fui tratado como criança, mesmo sendo maior de idade. Também as vezes que ela me desencorajou dos meus sonhos por medo de que eles me levassem a um caminho ruim ou que me julgassem por isso. Das vezes que ela me levou à escola, me levou ao show do Roupa Nova, da banda Calcinha Preta, do Amado Batista, do Bloco da Saudade, da Elba Ramalho, do Marrom Brasileiro e do Lenine. E que eu lembre de quando eu lambia o desodorante dela, com três anos de idade, eu era tabacudo demais.

    Esqueça de tudo, mas não de Marileide, a melhor tia que uma pessoa poderia ter, uma segunda mãe, que, mesmo partindo, nunca deixei morrer dentro de mim. Que até 2020 fez parte diária de minha vida, cuidando de mim mais até do que minha mãe podia. Que eu não esqueça das vezes que ela me levou no campinho de futebol da prefeitura, na oficina para ver os caminhões, na fábrica da Vitarella, só porque eu pedi, ou em tantos outros lugares, me amando incondicionalmente, mesmo com todos os erros que eu cometia. Que eu lembre do quanto a fiz sofrer, inconsequentemente, para que eu pague por isso um dia, porque minha infantilidade me cegava. Que eu plante, em sua homenagem, dois pés de manga, com uma rede entre eles, do jeito que te prometi e te faça um bolo de prestígio quando nos vermos novamente em outro plano. Que eu continue te vendo nos meus sonhos, mesmo quando acordo chorando, pois é uma graça te ter tão perto depois que você foi para tão longe.

    O mais importante na vida de todas as pessoas é a educação. Espero lembrar dos meus professores, que são o motivo de eu ter chegado em algum lugar, o motivo de eu saber e buscar aprender mais. Não tem como nomear todos aqui, porque estudei em três escolas, mas vou tentar homenagear aqueles que ainda lembro: Vanda, Luciara, Valdemir, Isaias, Josélia, Conceição, Lucinaldo, Dudu, Wellington Batalha, Sebá, Mitchell, dentre outros que não lembro o nome, mas a feição me é familiar. Todos foram pilares na formação de minha vida e muitos outros.

    Que eu também me lembre das pessoas que me machucaram, não só os Pedros que me fizeram bullying ou bateram em mim. Mas também meu pai, que eu não esqueça que, ainda que ele tenha feito tantas coisas boas por mim, compensou com tantas ignorâncias, humilhações e incompreensões, pois, mesmo que não me batendo tanto quanto apanhou, definitivamente não poupou esforços em me ferir com palavras, como faca, atravessando meu corpo. Que eu não esqueça que sua arrogância e seu jeito com tom de superioridade ao qual sempre tratou a mim e minha mãe, pois o perdão não fecha as feridas que que foram abertas pelo perdoado.

    Importa dizer que muito mais pessoas fizeram parte da minha vida e que,  de verdade, se eu vivi um dia foi por conta de uma delas. Espero que eu evolua e avance na vida, que eu tenha uma esposa e filhos e possa ser feliz com eles da mesma forma que sejam comigo. Mas que eu nunca esqueça, por nenhuma força, todos que estiveram ao meu lado me ajudando a segurar as pontas, mesmo sabendo que eu posso desistir a qualquer momento.


Toinho Stark do Cangaço, 28/02/2026, 02:42-04:45


(Espero que nunca esqueça dos meus amigos nem de fazer por eles sem esperar nada em troca. Mesmo se uma doença neurológica me impeça de lembrar, mesmo se, um dia, eu tiver uma esposa que seja meu mundo, mesmo se a distância entre nós impossibilitar a comunicação, que eu nunca esqueça o quão importantes vocês são. Desde o Ale, James, Hitomaru, PãoDeForma, Júlia, Italo, Mateus, Popeeye e até o maluco do Hopkins, dentre outros. Sim, a maioria é de apelido na internet porque ou eu não sei o nome real, ou os conheço melhor por estes nomes)

(Que eu nunca esqueça o quanto minha mãe se sacrificou por mim, o quanto, mesmo errando e me prejudicando, ela sempre tentou fazer-me bem. Que eu lembre de quando ela me comprou queijo do reino e refrigerante de uva só porque, um dia, despretensiosamente, eu comentei que tinha vontade de comer. Ou quando ela cuidou de mim, tantas vezes doente, em hospitais, na cama, no sofá ou no banheiro, ela nunca me abandonou.)

(Que eu lembre de Marileide, a melhor tia que uma pessoa poderia ter, uma segunda mãe, que mesmo partindo, nunca deixei morrer dentro de mim. Que até 2020 fez parte diária de minha vida, cuidando de mim mais até do que minha mãe podia. Que eu não esqueça das vezes que ela me levou no campinho de futebol da prefeitura, na oficina para ver os caminhões, na fábrica da Vitarella, só porque eu pedi ou em tantos outros lugares, me amando incondicionalmente, mesmo com todos os erros que eu cometia. Que eu lembre do quanto a fiz sofrer, inconsequentemente, para que eu pague por isso um dia, porque minha infantilidade me cegava. Que eu plante, em sua homenagem, dois pés de manga, com uma rede entre eles, do jeito que te prometi e te faça um bolo de prestígio quando nos vermos novamente em outro plano.)

(Espero lembrar dos meus professores, que são o motivo de eu ter chegado em algum lugar, o motivo de eu saber e buscar aprender mais.)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

50/50

    A vida parece tão incompleta do jeito que a levo. Sinto como se faltasse metade de mim, então vou explicar, aos mínimos detalhes, esta divisão. É como uma dor fantasma, machucando por ausência, pesando como uma barra, fazendo cair meus ombros. Berro e sangro pois amo algo que não tenho, desde sempre. Se algo faz falta por um mês, um ano ou uma década, imagine por vinte e seis anos? Desde sempre tive amigos, o maior tempo que fiquei sem foi cerca de um ano, começando quando um sumiu e terminando quando um novo apareceu. Não tive tempo o bastante para abstinência e acho que sofri mais por achar ter perdido o que sumiu do que realmente por não ter ninguém. Na época da escola, os amigos eram só para conversar, sempre durante o período escolar. Quando voltava para casa, ficava sozinho, jogando no computador pois meus pais não me permitiam brincar na rua. Me acostumei a jogar sozinho e buscar este tipo de diversão no modo single player. Mas namorada, amor romântico, beijos, dormir de conchinha, alguém sanar minhas inquietudes com um abraço ou cafuné, isto nunca tive. Não confio o suficiente nos meus pais para os contar dos meus problemas e meus amigos estão sempre tão longe. O céu bíblico parece tão perto quanto eles, algo bom, porém distante.

    Metade de meus sentimentos são dedicados a um tipo de relacionamento, enquanto a outra metade, ao outro. Nos cinquenta por cento de um lado, eu tenho meus amigos, minha família e conhecidos que fazem parte da minha vida. É um relacionamento de respeito, sem desejo sexual, às vezes sem presença física, com diversas limitações lógicas, que ambos concordam em ter. É neste lado que ficam as pessoas que interajo por um amor não romântico ou por coleguismo. Todas suprindo, mais ou menos, a mesma função, isto é: Nos divertirmos juntos em jogos, conversas, estudos ou eventos em grupo. Existe um certo intimismo, podemos debater sobre problemas pessoais, no caso de algumas pessoas, outras eu não confio tanto, como é o caso dos meus pais. Mas o retrato geral é que as pessoas deste grupo têm uma função de me ajudar e serem ajudadas por mim, se divertir juntos em certas atividades, enquanto nada podem fazer em outras. 

    Que sobra do outro lado? O amor romântico, desde o cafuné, os abraços e encontros, até o lado sexual, que, sendo bem franco, para mim não é tão importante assim. É a presença feminina, de traços que meus amigos não têm ou sentiriam vergonha de demonstrar. Este sorriso bobo ao cruzar olhares, este sentimento de vergonha no começo, que depois se torna desejo, estas flores que brotam na cabeça ao ver uma pessoa tão linda e gentil e saber que esta está em um relacionamento contigo. Esta pessoa doce e meiga que busca uma desculpa para me dar um carinho, tentando conseguir para si um pouco de felicidade e, em troca, me alegrando também. Um toque feminino nesta vida tão majoritariamente masculina, pois aprecio em demasia os traços tipicamente delas. Aprecio suas roupas, seus sapatos, seus estilos de cabelo, suas meias três quartos, sua cintura diferente, pescoço sem gogó, maxilar sutil e mãos menores, delicadas, sua elegância mesmo quando totalmente desarrumada. Pois a beleza feminina é agradável e única, algo que nenhum amigo meu tem e que não adianta minha mãe ter, já que não sou do Alabama.

    Me vem, porém, o problema, o lado romântico não tem ninguém, no máximo com uma desilusão que eu já sabia que daria errado antes mesmo de começar. O ponto é que este lado está, por completo, lutando contra mim, por estar vazio. Tal falta faz com que a única forma de manter esta balança equilibrada seria se todas as pessoas do outro lado estivessem, o tempo todo, agindo ao meu favor, sem nunca errarem ou fazerem algo que me deixe mal. O problema é que isto é impossível por dois motivos: O primeiro é que isto é inviável, todos têm suas vidas e seus problemas, seria até injusto cobrar que fizessem tanto por mim, além de ser egoísta e insensível com os problemas que eles também enfrentam; O segundo é que, mesmo se fossem dedicar tanto para equilibrar esta balança, nada impediria que somente uma destas pessoas fizesse algo que desbalanceasse tudo novamente, considerando a natureza falha humana. Inclusive, o segundo motivo já acontece bastante, com meu pai sempre dando um jeito de arruinar meu dia e minha paciência, com a faculdade me drenando emocional e fisicamente, com alguns amigos meus tendo, também, seus problemas e acabando por não poderem me suprir com suas amizades durante aquele tempo. Tudo isso é natural, inevitável.

    Falta uma ideia menos colossal, mais lógica. Então, a solução mais simples é achar alguém que preencha este outro lado, para que esta pessoa possa lutar junto de quem está do lado de cá em equilibrar a balança, tirando parte do peso que está no lado romântico, talvez até removendo-o por completo, de tal forma que ela conseguiria, sozinha, jogar a balança para o lado da felicidade, mesmo quando meus amigos não puderem nada me fazer. Mas, talvez, esta última expectativa seja tão irrealista quanto a de meus amigos serem suficientes para equilibrar esta balança, sozinhos. Queria que todos os meus amigos entendessem isso, que o motivo de eles não serem suficientes é porque realmente não dá, estão tentando fazer mais papéis do que qualquer pessoa seria capaz. Também queria que ninguém desmerecesse o quanto essa falta me machuca, que não "menosprezassem minha escolha de ir a uma faculdade de artes, querendo me prender a eles e me fazer desistir do meu sonho" (Quem assistiu "Look Back" sabe da cena que estou falando). Quando se tenta assumir papéis demais, não se faz nenhum bem.


Toinho Stark do Cangaço, 23/02/2026, 03:43-04:47


(Sinto como se faltasse metade de mim, então vou explicar, aos mínimos detalhes, esta divisão)

(Nos cinquenta por cento de um lado, eu tenho meus amigos, minha família e conhecidos que fazem parte da minha vida. É um relacionamento de respeito, sem desejo sexual, às vezes sem presença física, com diversas limitações lógicas, que ambos concordam em ter. É neste lado que ficam as pessoas que interajo por um amor não romântico, todas suprindo, mais ou menos, a mesma função, isto é: Nos divertirmos juntos em jogos, conversas ou eventos em grupo. Existe um certo intimismo, podemos debater sobre problemas pessoais, no caso de algumas pessoas, outras eu não confio tanto, como é o caso dos meus pais. Mas o retrato geral é que as pessoas deste grupo têm uma função de me ajudar e serem ajudadas por mim, se divertir juntos em certas atividades.)

(O ponto é que o lado do romance está, por completo, lutando contra mim, por estar vazio. Tal falta faz com que a única forma de manter esta balança equilibrada seria se todas as pessoas do outro lado estivessem, o tempo todo, agindo ao meu favor, sem nunca errarem ou fazerem algo que me deixe mal. O problema é que isto é impossível por dois motivos: O primeiro é que isto é inviável, todos têm suas vidas e seus problemas, seria até injusto cobrar que fizessem tanto por mim, além de ser egoísta e insensível com os problemas que eles também enfrentam; O segundo é que, mesmo se fossem dedicar tanto para equilibrar esta balança, nada impediria que somente uma destas pessoas fizesse algo que desbalanceasse tudo novamente, considerando a natureza falha humana. Inclusive, o segundo motivo já acontece bastante, com meu pai sempre dando um jeito de arruinar meu dia e minha paciência, com a faculdade me drenando emocional e fisicamente, com alguns amigos meus tendo, também, seus problemas e acabando por não poderem me suprir com suas amizades durante aquele tempo. Tudo isso é natural, inevitável.)

(Então, a solução mais simples é achar alguém que preencha este outro lado, para que esta pessoa possa lutar junto de quem está do outro lado em equilibrar a balança, tirando parte do peso que está no lado romântico, talvez até removendo-o por completo, de tal forma que ela conseguiria, sozinha, jogar a balança para o lado da felicidade, mesmo quando meus amigos não puderem nada me fazer. Mas, talvez, esta última expectativa seja tão irrealista quanto a de meus amigos serem suficientes para equilibrar esta balança, sozinhos.)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Só e acompanhado

    Está abafado hoje, parece que vai chover. Não quero, novamente, fazer analogias e metáforas com lágrimas e chuva, apenas constatar que este desconforto não me impediria de abraçar alguém que amasse, mesmo com tanto desconforto físico. Mas a distância ou inexistência dessas pessoas sim, consegue me impedir. 

    Tudo parece desconfortável quando estou sozinho, talvez por ter sido o estado que me encontrei por mais tempo na vida, algo que quero me afastar para sempre. A solidão é como uma "ex", que você encontra no caminho. Porém não consigo evitá-la, pois sua onipresença a faz tomar conta quando meus amigos não estão comigo. Deixando-me com frio mesmo aos 30°C. Parece que meu corpo é uma geladeira, quente por fora e frio por dentro.

    Bem forte, o sentimento toma conta de mim nesses hiatos que meus amigos não estão. É como se eu estivesse sempre no frio, numa rua, largado no chão. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida. Agravada pelos problemas que "todo mundo tem", mas acredito que algo que todos estes também têm são motivos para continuar seguindo em frente e suportá-los.

    Eu sinto que os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento. A sensação de que é algo forte, sem ser diluído pelo carinho aconchegante de alguém. É como comer coentro puro, tomar Coca-Cola de 1990 pura ou empurrar um carro. Se você não entendeu, tudo bem, queria que você pudesse experimentar e me dizer como é passar por isso uma vez, depois refletir como é ter isso todos os dias.

    Acho que tem solução, na companhia de mais e mais pessoas até que não haja mais hiato em minha vida, assim, sem passar um segundo me sentindo só, sentindo frio. Espero que este dia chegue, que eu possa me libertar de tudo aquilo que me acorrenta ao chão. Espero que quando eu, no futuro, diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência. Torça para que seja a reposta positiva, pois uma delas haverá.


Toinho Stark do Cangaço, 04/02/2026, 20:46-22:15


(O sentimento é como se eu estivesse sempre no frio, numa rua. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida.)

(Espero que quando eu diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência.)

(Os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento)

sábado, 24 de janeiro de 2026

Mendicância

    Mendigo, é como me encontro agora, na Conde da Boa Vista, belo nome para uma rua, pena que não sei ler direito para saber o nome das outras. Fico aqui sentado na calçada tentando resistir às tormentas do mundo. Vivo livre, mas não tem sentido caminhar daqui, para onde vou? Só tento sobreviver, sem saber o motivo, pois não tenho ninguém para me acolher aqui, apenas pessoas que passam, dão um trocado e se vão. Mesmo assim, parece que eles estão mais tristes que eu, cada um com suas lutas, eu diria.

    Um momento de beleza no céu, mas não posso aproveitar, quem dera pudesse desbravar este mundo tão bonito, mas me falta alimento e tenho que me preocupar com o essencial para estar aqui de novo. Mas por que estou aqui? Mesmo se estiver vivo amanhã, não mudará nada da minha vida. Vivo na esperança de que um dia posso andar como as pessoas que passam por aqui, mas parece que nem elas estão felizes também.

    Amor e carinho são demonstrados por casais na rua, bem como sacolas cheias de compras, pessoas tomando sorvete ou raspadinha, comendo e até derrubando um pouco no chão. Não faz diferença para eles, têm em abundância. Conversam com seus amigos ou reclamam do clima, imagina se estivessem aqui neste papelão, sobre o chão?

    Na rua, observo aquelas pessoas com roupas limpas e novas, todas bem alimentadas, não tem como não me sentir mal por estar aqui largado, esquecido por todos, como se pagasse uma penitência sem ter cometido um crime. Enquanto elas esbanjam todas essas riquezas, não quero tomar isso delas, apenas queria também ter o que elas têm, será que é pedir de mais? Por que todos que vejo têm, menos eu e um grupo tão pequeno de outros indivíduos, que compartilham da mesma dor?

    Vida tão diferente, como fizeram para chegar onde chegaram? Por que eles têm e eu não? Por que não me ajudam a ter também? Não quero tirar o que é seu, apenas estar no mesmo nível. Por que fico condenado aqui na sarjeta enquanto eles podem ter o que eu preciso para viver com tanta facilidade que talvez nem saibam o valor que tem?


Toinho Stark do Cangaço, 24/01/2026, 22:46-23:01


(E não, este texto não é só para falar da vida de um mendigo, mas aí cabe a você entender o que mais ele fala. Não sou mendigo, mas, talvez, tenha conexão comigo, quem sabe?)

domingo, 18 de janeiro de 2026

As cores e sons do...

    Silêncio, é o que resta após acabar a chamada de voz com os amigos. Os jogos, as conversas e os comentários vão, aos poucos, esmaecendo em minha mente, de maneira não tão abrupta quanto o fim do nosso entretenimento, que se encerra com um "boa noite" ou "até mais". Depois da tempestade, sempre chega a calma, mas o que não te contam é que depois da felicidade, chega a tristeza, sorrateiramente tomando o lugar ocupado, outrora, pela alegria compartilhada. Pois ela deixou livre uma vaga de estacionamento num shopping lotado.

    Inunda, lentamente, minha mente de pensamentos. Não é de minha vontade, apenas vêm, são como o vento, que sopra independente de você ter fechado a janela. Metaforicamente e literalmente, abro tal janela quando a chamada acaba, pois agora posso desabafar o cômodo por não precisar mais de isolamento acústico. Nem mesmo o calor desconfortável pode me incomodar quando estou com eles, mas a brisa mais fria e seca que entra pode ser suficiente para derramar lágrimas.

    Lentamente, a solidão de um quarto tão vazio começa a pesar, como um pequeno furo num navio, deixando as emoções que nos põem para baixo se alojarem em nós. Não sei o que eles sentem, sinceramente, dado que eles não estarão sós quando acabar, terão namorada, bichinhos de estimação ou outros amigos para interagir, então, talvez, nem sabem como é estar na minha pela. Suas imaginações mais férteis não os colocam na ponta do iceberg que faz meu Titanic afundar.

    Êxtase é substituída por exílio, nada voluntário. Eles não têm mais o que fazer por mim, pois, diferente de mim, têm vida a cumprir, tal vida que os trazem, dentre outros sentimentos, um pouco de felicidade. Eu, por outro lado, postergo compromissos e faço tarefas inúteis para passar o tempo, se não ocupar minha mente em um minuto ou menos, é capaz de eu pensar o suficiente para não querer mais estar neste mundo. Queria ter mais tempo para eles, mas, infelizmente, também tenho compromissos, chatos e incômodos, que me fazem questionar onde está o equilíbrio? Aquilo que se contrapõe a estes momentos tão ruins e tediosos.

    Nociva esta relação que tenho com meu próprio tempo, ainda mais sabendo que eles nada podem fazer para me ajudar, já fazem muito. Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que o fez, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que toda a nossa amizade. 

    Corta meu sofrimento de uma vez, por favor. Eu imploro, por medo do que está por vir, me deixa aflito ter que acordar amanhã, tenho muito medo do homem no espelho, acho que ele quer me matar. Os estalares dos móveis, o preto que tinge as paredes brancas na madrugada, o descolorir da sombra, são coisas que me marcam nas madrugadas, andando lentamente pela casa como se me despedisse, sei lá de que.

    Indelével, é como eu descrevo estas nuvens cinzas pairando sobre minha cabeça. Queria ser menos de um peso aos meus amigos, que se preocupam com minha saúde mental, e mais um amigo de verdade, que te faz bem, mas acho que não há muito o que fazer. Por que sou tão atrasado em tudo? Parece que sempre que eu acho uma solução para um problema, algo que estava perfeitamente normal decide se tornar num novo obstáculo.

    Ociosidade, a corda que, lentamente, aperta o pescoço, o vermelho que pulsa de minhas veias e o metal que dilacera os sentimentos. É meu maior inimigo, uma mente que quer correr presa a um corpo que quer se manter inerte. A ofegante respiração, minhas mãos bagunçando meu cabelo em um misto de raiva e tristeza, as gotas que caem em meu colo não são de chuva, é o que ouço em mais uma longa madrugada. 


Toinho Stark do Cangaço, 19/01/2025, 03:47-04:28


(Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que leu, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que todo a nossa amizade)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Se o mundo inteiro me pudesse ouvir

    Tenho que confessar meu cansaço, principalmente comigo mesmo. Não é porque estou doente, nem porque minha rinite está a mais de uma semana atacada, sem trégua, nem porque eu não tenho uma namorada ou alguém que possa estar afetivamente ao meu lado para me dar um abraço ou uma demonstração de afeto que não recebo desde quando não sabia falar ou por que não posso ter apoio emocional dos meus pais, já que "isso é mente fraca" ou "é falta de uma namorada" são as respostas menos imbecis que eu recebo. É porque eu não sei mais o que fazer, cada momento que fico sem fazer nada ou calado é capaz de me aproximar de Deus... ou do Diabo, seja lá quem me receberá.

    Resistido à moda antiga, é o que costumo fazer, mas a ociosidade me joga, aos poucos, de volta àqueles sentimentos que tinha antigamente, que tanto tentei esconder ou suprimir, mas que nunca foram resolvidos. Enquanto a máscara mostra um sorriso, nos bastidores, aqueles problemas não se resolveram, além dos novos que surgem. Mas sabe, não estou pedindo que resolvam, Bob Esponja tentava ajudar Lula Molusco, mas as coisas pioravam porque ele nunca entendia o problema dele, por isso não sabia como ajudar. Devo confessar que não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo.

    Isto é a ponta do iceberg, mas existem sentimentos que me fazem questionar se vale a pena. Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, quando é algo que não me interessa, apenas estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao favor deles. Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado.

    Sem rumo, fico divagando nesse mar, escrevendo textos que, provavelmente, ninguém lerá. Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar. Me desculpa se eu falhar em estar presente, se eu não for um bom amigo, estou tentando o que posso. Vocês têm valor para mim porque me trataram feito humano, não uma máquina criada para atender os prazeres dos outros.

    Ter tantos textos escritos por mim pode até soar como algo bom, mas todas as coisas boas que escrevi são apenas a vontade de estar em um lugar melhor, todas as coisas tristes são representações cruas de meus sentimentos. Pois, se estivesse vivendo as coisas boas que escrevo, vocês não saberiam, estaria aproveitando aquele momento, não perdendo meu tempo escrevendo sobre. É uma maldição de todo escritor, estar triste ou inconformado no momento de sua escrita.

    Esperança é como um farol, num porto, algo que escritores tentam ter quando escrevem suas fantasias de mundos perfeitos, mas acabam somente pondo os outros nesta utopia, continuando vazios em seus mundos reais. Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar. 


Toinho Stark do Cangaço, 08/01/2026, 03:42-04:43


Ah, e feliz aniversário, James.


(Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao seu favor.)

(Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado)

(Não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo)

(Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar.)

(Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar.)