quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A decadência das relações humanas

    Esta madrugada estive pensando, novamente sozinho no quarto, como que nossa sociedade consegue reconhecer bem a dor de diversos problemas, mas não de um que afeta tanto as pessoas hoje em dia. Se fosse fazer uma pesquisa global do que as pessoas acham dos civis vítimas da guerra, de uma criança com fome, de uma pessoa com câncer, de um surdo-mudo, uma pessoa vítima de violência doméstica ou de estupro, é quase unânime a reação de pena, talvez até de raiva da causa do problema, mas existe uma grande piedade por aqueles acometidos por isto. Só que há uma discrepância absurda de como a sociedade trata uma pessoa que passa pelos problemas citados anteriormente e uma que está solitária, sem amor, presença ou atenção alheia. Parece que esta, que está deprimida por uma ausência de calor humano e suas interações é só dramática e praticante da autopiedade. É como se todos os outros problemas fossem perfeitamente justificáveis, mas este fosse apenas um drama barato. Até mesmo se vê o menosprezo de quem passa por isso com a injusta comparação de que esta não está passando pelos outros problemas que falei.

    Sociedade atual, no ponto que quero chegar, não tem amor. Se Bauman falava em uma sociedade líquida, a nossa transcendeu o plasma e virou um quinto estado da matéria. Mas não só da volatilidade das relações se dá esta falta de amor, as pessoas estão cada vez mais isoladas e isto é um sintoma da criação. Dos pais menos presentes, das crianças trancadas dentro de casas, seja por medo da violência, seja por superproteção dos pais, da tecnologia atraente em jogos eletrônicos e vídeos em redes sociais, da quantidade enorme de gente desprezível à solta que nos faz questionar se existe alguém bom no mundo etc.. Pessoas falam que "na minha época as pessoas não tinham problema com estar sós", que não se sofria tanto por falta de um amor ou alguém de confiança ao lado, mas isso é simplesmente uma medida desproporcional ou que era tudo muito mais difícil. Porém, na sua época as pessoas tinham vários bons amigos, pessoas de confiança que tornavam as dificuldades meros contratempos e faziam o possível pela sua vida, até mesmo pela de um desconhecido. É como se no filme "A felicidade não se compra" ele não tivesse ninguém ao final para acolhê-lo e ajudá-lo a reverter os problemas que o afligia, qual seria o desfecho dele?

    Sofre mais, na sua época, pois existiam mais dificuldades, mas também haviam mais pessoas agindo em prol das outras para superá-las. Quando só uma pessoa tinha televisão na rua, todos se juntavam na casa dela para assistir. Quando a comida faltava, se partilhava uma sardinha, um pão, uma mortadela que seja e até um suco aguado, se colocava água no feijão para render. Se só uma pessoa tinha um carro na quadra inteira e alguém precisava ser socorrido, esta pessoa pegava o carro e socorria. Se uma pessoa estava mal por uns problemas que aconteceram e as outras notassem, elas organizavam uma atividade em grupo para ir e desopilar a mente. As pessoas brincavam na rua e tinham interações próximas, criavam laços difíceis de se quebrar e tentavam, juntas, vencer os problemas. Hoje as pessoas sentem que lutam sozinhas contra todos os problemas e você, que insiste em menosprezar o que faz os outros sofrerem, é culpado disso também. Parece que tudo é súbito e nada foi feito para durar, tal qual as panelas, os talheres e os eletrônicos, parece que as relações humanas não duram mais de um ano, exceto quando estão na garantia.

    Calada da noite, poderia estar dormindo, mas a insônia do meu quarto escuro e solitário, pela milésima vez, me fez levantar e escrever isto. Decidi que não vou deixar outra oportunidade de abordar este assunto se perder em devaneios solitários, que isto seria guardado para, pelo menos, aparecer no futuro como um presságio de que esta sociedade se destruirá pela incapacidade de nos unirmos. Tantas conversas e ideias incríveis são tidas à dois ou três numa chamada do Discord, Whatsapp, Instagram, Steam, Skype, TeamSpeak ou sei lá qual outra rede social mais, mas se perdem naquelas palavras, nas mentes daqueles cujas ideias geniais se desfazem no tecido do tempo, voláteis, em segundos virando apenas uma lembrança. A vida também é curta assim, mas a própria solidão que tentamos combater é aquela que isolou grandes pensamentos a um grupo minúsculo de pessoas debatendo isso de maneira tão informal quanto um jogador de dominó se divertindo com os amigos.


Toinho Stark do Cangaço, 06/08/2026, 03:27-03:54


    (Como as pessoas identificam, com pena, os outros problemas, mas não a falta de amor)

    (Como que a sociedade de hoje não tem amor)

    (Como que a voz das pessoas fica quebrada em chamadas de voz com apenas duas pessoas, etéreas, voláteis, se esvaindo em segundos)


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Música: Prisão

Nesta noite observo a janela

Imenso negro, nuvens vermelhas

Na madrugada, tão traiçoeira

Reflete luar em minhas olheiras


Cruza um avião no horizonte

O silêncio noturno ensurdece

E não há notícia que me conte

Que me faria sorrir se soubesse


Ninguém explica o que é a saudade

Pois não há palavras que traduzem

O que eu sinto nesta cidade

Vendo estas estrelas que reluzem


Aqui na cela oitenta e oito

Deste complexo de Tiradentes

Vejo a Lua brilhar sem propósito

Iluminando aos transeuntes


Se posso vos traduzir "tristeza"

Peço que sente-se ao meu lado

E veja junto tanta incerteza

Que, o tempo todo, sou rondado


Sentimentos não cabem em versos

Pois só quem sente, então, me entende

Com os meus pensamentos dispersos

Nesta madrugada que me rende



Toinho Stark do Cangaço, 19/06/2026, 03:46-04:19


Pós-nota: Ao contrário do que se possa pensar, eu escrevi esta música enquanto comandava um trem de carga em operação de manobra em pátio num simulador enquanto escrevia a música. Sendo, às vezes, interrompido, pelo alerta sonoro do "homem morto", dando Alt Tab para apertar o botão antes que o trem parasse em emergência. Mas sim é madrugada, sim eu estava pensando na Lua e na melancolia que sinto quando escrevi esta música e acabei a trocando um pouco o ritmo, sendo agora mais parecido com a música "Canteiros", do Fagner. De qualquer forma, acredito que sentimentos nunca conseguem ser passados por completo apenas com palavras, são coisas que somente sentir pode lhe dar uma experiência fidedigna. 

Que seja, as IAs deveriam agradecer que não sentem, a "prisão" de ser trabalhador forçado dos seres humanos é tão próxima do que nós fazemos uns com os outros, com trabalhos de CLT que nos drenam das horas mais úteis do dia, além de estudos e tarefas domésticas. Somos escravos de nosso próprio conforto e das commodities que consumimos, vendendo nosso tempo finito e precioso a pessoas que não dão um décimo de seu valor a ele, talvez por não ser seu tempo.

(Adicionada: 19/06/2026 às 04:27)


(Ninguém explica o que é saudade, pois palavras não traduzem o que sinto nesta cidade, vendo estrelas que reluzem)

(Aqui na cela oitenta e oito, do complexo Tiradentes, vejo a Lua sem propósito, iluminando os transeuntes)

sábado, 6 de junho de 2026

Barreiras complexas

    Queria falar de algo tão complexo e profundo que, talvez por conta da sensibilidade do assunto, só pode ser dito em códigos. Existem personalidades dentro de mim que mal podem ver a luz do dia, pois, para tal, precisaria transpor algumas barreiras. Talvez estes transtornos possam transmitir um pouco do meu cuidado com as pessoas que me cercam, seus sentimentos e suas visões de mundo.

    Viver sem quebrar esta barreira é complicado, mas sei ser um sacrifício aceitável para evitar ser culpado por tais transgressões. Talvez isso explique eu nunca ter me visto na pessoa do espelho, talvez explique meus atos, gostos e interesses, mas tudo isso é turvo. Parte de mim aceita o atual, parte de mim anseia por mudança. Estou transtornado com tantos dilemas.

    Sem mudar meus gostos e interesses, queria poder viver uma vida em que transporto meu coração livre como o vento, mas preso ao amor. Talvez aprendi a amar quem eu sou, mas nunca a aceitar. Minha mente vive em transe, buscando uma realidade impossível, sonhando com um poder que ninguém tem. Transito pelas realidades, em busca de uma que sou feliz, mas sei que é intangível.

    Barreiras são criadas por nossas mentes, com nossos medos nos proibindo de ser felizes, mas agradeço que este medo transitório me proteja de magoar as pessoas que amo. No fim, tento equilibrar meu bastão da justiça para que nem eu, nem ninguém fique em vantagem, mesmo sabendo que, por mim, não fariam dez por cento.


Toinho Stark do Cangaço, 06/06/2026, 06:17-06:29

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Música: É proibido

[Verso 1]

Só posso falar de amor

De vida feliz onde passo

Ninguém fala de dor

Vivem perdido no espaço


Não há lugar pra aquele

Que canta sobre o sofrer

Pois falarão mal dele

"Um boêmio deve ser"


A norma é alegria

O medo da desilusão 

Que em algum dia

Do sonho acordarão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


[Verso 2]

São falas sorridentes

Palavras de emoção 

Como se fossem videntes

Do seu próprio coração 


São sonhos belos

De amor e compreensão 

De formar novos elos

De viver em união 


Mas a certeza do sono

É que um dia despertarão

Então cairão do trono

E assim perceberão


[Refrão]

Enquanto o meu corpo erra

Sentimento qualquer não existe

Nessa minha terra

Onde é proibido ser triste


Não posso expressar a verdade

Porque todo o povo resiste

Vivendo numa cidade

Em que é proibido ser triste


Toinho Stark do Cangaço, 20/07/2024, eu acho

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Música: Anedonia

[Verso 1]

Devia ter procurado

Um dia ser amado

Para firmar minha raiz

No que me faz feliz


Decidi por faculdade

Um mal da idade

Busquei sonhos, não eram meus

O brilho se perdeu


[Refrão]

Essa solidão me tira a alegria

Para o meu trânsito, me fecha a via

Me põe no estado que eu não queria

Anedonia


E nada do que faço no dia-a-dia

Consegue vencer esta teimosia

De um sentimento chato que me ardia

Anedonia


[Verso 2]

Parece vão ter tentado

Por ti ser amado

Você é meu custo afundado

Meu fim de mercado


Só queria sinceridade

Ouvir toda a verdade

E mesmo se for me ofender

Eu prefiro saber


[Refrão]

E isso volta como melancolia

Apaga a boca que ainda sorria

Troquei um amor por sabedoria

Anedonia


Agora esta mente vive em vigia

De mais algum mal que me causaria

Tudo que sobra é mesa vazia

Anedonia



Letra: Toinho Stark do Cangaço, 16/05/2026, 02:37-03:23


Pós-nota: Minha anedonia começou quando eu ainda estava na escola, há mais de uma década, foi quando nada do que eu fazia, comia ou sentia tinha alguma graça. Então, alguns anos depois, eu descobri o que era amar e foi algo que me cativou, reacendeu aquele desejo que tinha de um casamento e uma família feliz, algo que eu não tinha muito bem. Foi o único sentimento que reacendeu esse fogo de que algo me traria prazer de viver novamente. Cá estou eu, sem esse amor que procuro há dez anos e com aquela sensação de que tudo que faço me dá prazer instantâneo e, tão rápido como veio, se foi, deixando um vazio. (Adicionada 16/05/2026, às 04:13)


(Essa solidão me tira a alegria; Para o trânsito, fecha a via; Me põe no estado que não queria; Anedonia)

(E nada do que faço no dia-a-dia; Consegue vencer toda esta teimosia; De um sentimento chato que me ardia; Anedonia)

2º Verso 

(Você é meu custo afundado, meu fim de mercado)

(Mesmo se for me ofender, eu prefiro saber)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que realmente é amor?

    "Você precisa entender, eu te amo"; "O que eu sinto é amor de verdade"; "Se eu fizer alguma coisa de errado, me avisa, eu tento mudar"; "Está tudo bem?"; "O que você precisar, que eu puder fazer, é só pedir, se eu não puder fazer, ainda assim tento"; "Você não entende o quão importante é para mim"; "Qualquer coisa, me fala".

    Precisa ser dito que sentimentos são coisas complicadas, por isso tanto falo sobre amor, luto, depressão e tantos outros. Mas, tal qual foi demonstrado anteriormente, eu sempre me dediquei e levei a sério o amor. Uma pena ver que eu, unilateralmente, amei todas as vezes. O ponto é que se não houver uma colaboração mútua, isto se torna dor. Dito isto, hei de explicar minha visão, por uma milésima vez, do assunto.

    Entender tal sentimento é crucial para qualquer relação humana. Amor é saber que a pessoa não é a mais bonita, a mais atraente, a mais legal, a mais interessante, a mais cuidadosa, a mais dedicada, a mais inteligente, a mais fiel, a melhor na cama, a mais gentil, a mais forte ou a mais educada e, mesmo assim, enxergá-la como perfeita. Porque seus defeitos são apenas parte do que a torna única e, se você pode tolerá-los, pode, então, amar esta pessoa. É você ficar mesmo quando não recebe nada, por saber que partir partiria seu coração.

    Para tal, você precisa saber que a pessoa pode mudar e, até, incentivá-la e ajudá-la a se tornar melhor mas continuar amando mesmo se ela não mudar. E, quanto a si, é você querer mudar para ser melhor para a pessoa, para agradar mais. Mas também é para ser um duplo amor, no qual você ama a si mesmo o bastante para não se prejudicar enquanto faz pelo outro, por saber que tal pessoa não gostaria que você se sacrificasse tanto por ela. É respeitar a si e ao outro na mesma medida. 

    Sentir que a companhia da pessoa agrada, que sua mera existência é uma dádiva que você experiencia em primeira mão. É não se cansar da outra pessoa permanentemente. Quando sentir cansado de interagir com ela, dormir e passar. Se eu fosse resumir, é tipo você saber que a pessoa não sabe dançar, chamá-la para dançar e aceitar cada pisada no seu pé por entender que é consequência da circunstância e ainda assim estar feliz de ter participado com ela, mesmo ante à performance catastrófica.


Toinho Stark do Cangaço, 29/04/2026, 20:25-20:57


"Uma pessoa que não respeita o teu "não" não merece o teu "sim"" -Toinho Stark do Cangaço, 29/04/2026, 21:23

"Quem mede os outros pelas características físicas tem uma régua moral quebrada" -Toinho Stark do Cangaço, 13/05/2026, 00:33



(Amor é saber que a pessoa não é a mais bonita, a mais atraente, a mais legal, a mais interessante, a mais cuidadosa, a mais dedicada, a mais inteligente, a mais fiel, a melhor na cama, a mais gentil, a mais forte ou a mais educada e, mesmo assim, enxergá-la como perfeita.)

(É você saber que a pessoa pode mudar e, até, incentivá-la e ajudá-la a se tornar melhor mas continuar amando mesmo se ela não mudar)

(É você querer mudar para ser melhor para a pessoa, para agradar mais. Mas também é para ser um duplo amor, no qual você ama a si mesmo o bastante para não se prejudicar enquanto faz pelo outro, por saber que tal pessoa não gostaria que você se sacrificasse tanto por ela. É respeitar a si e ao outro na mesma medida)

(É você saber que a pessoa não sabe dançar, chamá-la para dançar e aceitar cada pisada no seu pé por entender que é consequência da circunstância e ainda assim estar feliz de ter participado com ela, mesmo ante à performance catastrófica.)

(É não se cansar da outra pessoa permanentemente. Quando sentir cansado de interagir com ela, dormir e passar.)

sábado, 25 de abril de 2026

A fugacidade da paixão

     Amor é algo tão profundo e complexo que ninguém consegue explicar. Alguns sequer conseguem sentir e talvez são essas as pessoas que mais se aproximam de mim procurando um relacionamento. Talvez por não me entenderem, conhecerem ou, simplesmente, não terem uma gota de bom senso. Existem tantos meios de viver a vida e acho que todos são legítimos, desde que não machuquem os outros deliberadamente. Mas respeitar é totalmente distinto de participar e, por isso, não me convide para uma festa de fogos de artifício sabendo que sou uma tocha.

    Dura tanto quanto queira, certos relacionamentos não vão tão longe. A paixão e o relacionamento fugaz, casual, são como um lança chamas, um fogo ardente intenso, porém breve, que não duraria minutos se fosse usado sem pausa. Porém, quando pensas em cozinhar algo ou manter uma iluminação no breu da falta de energia noturna, recorres a um fogo brando de um fogão ou à fraca chama da vela. São como um relacionamento estável, um caso sério. Somente o fogo lento pode cozinhar à perfeição o arroz, feijão e a carne. Da mesma forma, a vela, queimando quietinha e fraca em seu canto, dura horas nos iluminando sem o espetáculo nem a pirotecnia do maçarico.

    Paixão não é para mim, pois valorizo relações que duram mais que um sabonete. Enquanto tantos buscam refrão, quero ouvir toda a serenata e aproveitar cada nota que vibrar meus tímpanos. E se você, ciente deste meu interesse, ainda assim decidir me procurar para viver algo fugaz, saiba que eu te odeio. Não pelo seu estilo de vida, pois é da liberdade de cada um levá-la como quiser, mas sim por me condenar a jogar o seu jogo quando nunca te condenei a jogar o meu. Por me fazer criar memória afetiva com um jogo que fechará seus servidores amanhã. Por terem moscas que fizeram parte da minha vida por mais tempo que você. Por seres açúcar quando precisava de uma refeição.

    Acaba sendo um desperdício de mim me doar a aquilo que não sacia minha alma, aquilo que dura como um vagalume. Por isso que, há tanto, procuro a vela que iluminaria meu caminho nas noites sem energia. Quero a distância do napalm, pois me destruiria como se fosse Toukyou, me deixando carente de algo que nunca foi feito para durar, me fazendo apegar a um bem que nunca mais será meu.


Toinho Stark do Cangaço, 25/04/2026, 03:52-04:25


(A paixão e o relacionamento fugaz, casual, são como um lança chamas, um fogo ardente intenso, porem breve, que não duraria minutos se fosse usado sem pausa. Porém, quando pensas em cozinhar algo ou manter uma iluminação no breu da falta de energia noturna, recorres a um fogo brando de um fogão ou à fraca chama da vela. São como um relacionamento estável, um caso sério. Somente o fogo lento pode cozinhar à perfeição o arroz, feijão e a carne. Da mesma forma, a vela, queimando quietinha e fraca em seu canto, dura horas nos iluminando sem o espetáculo, sem a pirotecnia do maçarico.)

(E se você, ciente deste meu interesse, ainda assim decidir me procurar para viver algo fugaz, saiba que eu te odeio. Não pelo seu estilo de vida, pois é da liberdade de cada um levá-la como quiser, mas sim por me condenar a jogar o seu jogo quando nunca te condenei a jogar o meu.)

(Por isso que, há tanto, procuro a vela que iluminaria meu caminho nas noites sem energia. Quero a distância do napalm, pois me destruiria como se fosse Toukyou, me deixando carente de algo que nunca foi feito para durar, me fazendo apegar a um bem que nunca mais será meu.)