domingo, 18 de janeiro de 2026

As cores e sons do...

    Silêncio, é o que resta após acabar a chamada de voz com os amigos. Os jogos, as conversas e os comentários vão, aos poucos, esmaecendo em minha mente, de maneira não tão abrupta quanto o fim do nosso entretenimento, que se encerra com um "boa noite" ou "até mais". Depois da tempestade, sempre chega a calma, mas o que não te contam é que depois da felicidade, chega a tristeza, sorrateiramente tomando o lugar ocupado, outrora, pela alegria compartilhada. Pois ela deixou livre uma vaga de estacionamento num shopping lotado.

    Inunda, lentamente, minha mente de pensamentos. Não é de minha vontade, apenas vêm, são como o vento, que sopra independente de você ter fechado a janela. Metaforicamente e literalmente, abro tal janela quando a chamada acaba, pois agora posso desabafar o cômodo por não precisar mais de isolamento acústico. Nem mesmo o calor desconfortável pode me incomodar quando estou com eles, mas a brisa mais fria e seca que entra pode ser suficiente para derramar lágrimas.

    Lentamente, a solidão de um quarto tão vazio começa a pesar, como um pequeno furo num navio, deixando as emoções que nos põem para baixo se alojarem em nós. Não sei o que eles sentem, sinceramente, dado que eles não estarão sós quando acabar, terão namorada, bichinhos de estimação ou outros amigos para interagir, então, talvez, nem sabem como é estar na minha pela. Suas imaginações mais férteis não os colocam na ponta do iceberg que faz meu Titanic afundar.

    Êxtase é substituída por exílio, nada voluntário. Eles não têm mais o que fazer por mim, pois, diferente de mim, têm vida a cumprir, tal vida que os trazem, dentre outros sentimentos, um pouco de felicidade. Eu, por outro lado, postergo compromissos e faço tarefas inúteis para passar o tempo, se não ocupar minha mente em um minuto ou menos, é capaz de eu pensar o suficiente para não querer mais estar neste mundo. Queria ter mais tempo para eles, mas, infelizmente, também tenho compromissos, chatos e incômodos, que me fazem questionar onde está o equilíbrio? Aquilo que se contrapõe a estes momentos tão ruins e tediosos.

    Nociva esta relação que tenho com meu próprio tempo, ainda mais sabendo que eles nada podem fazer para me ajudar, já fazem muito. Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que o fez, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que toda a nossa amizade. 

    Corta meu sofrimento de uma vez, por favor. Eu imploro, por medo do que está por vir, me deixa aflito ter que acordar amanhã, tenho muito medo do homem no espelho, acho que ele quer me matar. Os estalares dos móveis, o preto que tinge as paredes brancas na madrugada, o descolorir da sombra, são coisas que me marcam nas madrugadas, andando lentamente pela casa como se me despedisse, sei lá de que.

    Indelével, é como eu descrevo estas nuvens cinzas pairando sobre minha cabeça. Queria ser menos de um peso aos meus amigos, que se preocupam com minha saúde mental, e mais um amigo de verdade, que te faz bem, mas acho que não há muito o que fazer. Por que sou tão atrasado em tudo? Parece que sempre que eu acho uma solução para um problema, algo que estava perfeitamente normal decide se tornar num novo obstáculo.

    Ociosidade, a corda que, lentamente, aperta o pescoço, o vermelho que pulsa de minhas veias e o metal que dilacera os sentimentos. É meu maior inimigo, uma mente que quer correr presa a um corpo que quer se manter inerte. A ofegante respiração, minhas mãos bagunçando meu cabelo em um misto de raiva e tristeza, as gotas que caem em meu colo não são de chuva, é o que ouço em mais uma longa madrugada. 


Toinho Stark do Cangaço, 19/01/2025, 03:47-04:28


(Inclusive, não avisarei a ninguém que postei este texto, se você leu, me manda uma mensagem dizendo que leu, queria ficar sabendo. Pode ter certeza de que esta mensagem terá muito significado para mim, talvez até mais que todo a nossa amizade)

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