quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Se o mundo inteiro me pudesse ouvir

    Tenho que confessar meu cansaço, principalmente comigo mesmo. Não é porque estou doente, nem porque minha rinite está a mais de uma semana atacada, sem trégua, nem porque eu não tenho uma namorada ou alguém que possa estar afetivamente ao meu lado para me dar um abraço ou uma demonstração de afeto que não recebo desde quando não sabia falar ou por que não posso ter apoio emocional dos meus pais, já que "isso é mente fraca" ou "é falta de uma namorada" são as respostas menos imbecis que eu recebo. É porque eu não sei mais o que fazer, cada momento que fico sem fazer nada ou calado é capaz de me aproximar de Deus... ou do Diabo, seja lá quem me receberá.

    Resistido à moda antiga, é o que costumo fazer, mas a ociosidade me joga, aos poucos, de volta àqueles sentimentos que tinha antigamente, que tanto tentei esconder ou suprimir, mas que nunca foram resolvidos. Enquanto a máscara mostra um sorriso, nos bastidores, aqueles problemas não se resolveram, além dos novos que surgem. Mas sabe, não estou pedindo que resolvam, Bob Esponja tentava ajudar Lula Molusco, mas as coisas pioravam porque ele nunca entendia o problema dele, por isso não sabia como ajudar. Devo confessar que não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo.

    Isto é a ponta do iceberg, mas existem sentimentos que me fazem questionar se vale a pena. Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, quando é algo que não me interessa, apenas estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao favor deles. Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado.

    Sem rumo, fico divagando nesse mar, escrevendo textos que, provavelmente, ninguém lerá. Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar. Me desculpa se eu falhar em estar presente, se eu não for um bom amigo, estou tentando o que posso. Vocês têm valor para mim porque me trataram feito humano, não uma máquina criada para atender os prazeres dos outros.

    Ter tantos textos escritos por mim pode até soar como algo bom, mas todas as coisas boas que escrevi são apenas a vontade de estar em um lugar melhor, todas as coisas tristes são representações cruas de meus sentimentos. Pois, se estivesse vivendo as coisas boas que escrevo, vocês não saberiam, estaria aproveitando aquele momento, não perdendo meu tempo escrevendo sobre. É uma maldição de todo escritor, estar triste ou inconformado no momento de sua escrita.

    Esperança é como um farol, num porto, algo que escritores tentam ter quando escrevem suas fantasias de mundos perfeitos, mas acabam somente pondo os outros nesta utopia, continuando vazios em seus mundos reais. Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar. 


Toinho Stark do Cangaço, 08/01/2026, 03:42-04:43


Ah, e feliz aniversário, James.


(Eu até queria pedir para fazer algo junto aos meus amigos, mas nem sei o que, sinceramente. Sempre penso em algo que irá os agradar, já que fico satisfeito com isso, mas nem sempre este algo irá me agradar. Ainda assim, apenas aproveito da companhia, sem prestar atenção no que estou fazendo, esboçar reação ou falar, estou ali. Quero estar ao lado deles, apoiar, mesmo que precise ficar em silêncio, com minha ensurdecedora mente gritando para que eu faça outra coisa, mas já decidi, meus sentimentos não importam. Não quero perdê-los, logo, não quero me tornar um incômodo ou algo unilateral onde só eu protagonizo as coisas. Que ironia, porque quero tornar isso unilateral ao seu favor.)

(Talvez eu deveria ser sincero com o DeepSeek e pedir a ele que faça a minha vontade, já que não consigo pedir aos outros, mas acho que sentimentos são coisas que máquinas ainda engatinham enquanto eu já tenho pós-doutorado)

(Não comi desde a janta e nem sinto vontade de comer de novo, acho que devo deixar comida para alguém mais útil no mundo)

(Sinto que tento ser um farol na vida das pessoas, tentando guiá-las até os bons momentos e lugares que tanto ansiavam, enquanto trabalho por isso incessantemente, por medo de perder minha utilidade. Mas sei que só haverá um dia que vão tentar os problemas ao meu redor e entender o que se passa aqui, no dia em que a luz do farol se apagar.)

(Às vezes me sinto como os reels que mando para o James, esquecidos no canto, ou como os momentos que passo calado em call com o Ale, talvez isso diz muito. Estou me importando convosco, lembrando de vós, estou mantendo o que disse, que estaria do lado de vocês para apoiar.)

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