Que minha memória nunca me falhe, é minha maior súplica pois sei que é a única coisa que não podem roubar de mim. Por isso crio este memorando, para manter guardado uma boa parte do que valorizo. Deste modo asseguro que mantenha tudo nesta caixinha segura, fora da minha cabeça frágil e depressiva. Dizem que morremos duas vezes, uma quando nosso corpo falece e outra quando somos esquecidos, por isso não quero esquecê-las.
Eu espero que nunca esqueça dos meus amigos, nem de fazer por eles sem esperar nada em troca. Mesmo se uma doença neurológica me impeça de lembrar, mesmo se, um dia, eu tiver uma esposa que seja meu mundo, mesmo se a distância entre nós impossibilitar a comunicação, que eu nunca esqueça o quão importantes vocês são. Desde o Ale, James, Hitomaru, PãoDeForma, Júlia, Italo, Mateus, Popeeye, Decinho e até o maluco do Hopkins, dentre outros. Sim, a maioria é de apelido na internet porque ou eu não sei o nome real, ou os conheço melhor por estes nomes. Pois eram eles com quem eu conversava e ainda converso quando me sinto sozinho, com quem joguei alguns jogos ou pude interagir de outras formas.
Nunca quero esquecer o quanto minha mãe se sacrificou por mim, o quanto, mesmo errando e me prejudicando, ela sempre tentou fazer-me bem. Que eu lembre de quando ela me comprou queijo do reino e refrigerante de uva só porque, um dia, despretensiosamente, eu comentei que tinha vontade de comer. Ou quando ela cuidou de mim, tantas vezes doente, em hospitais, na cama, no sofá ou no banheiro, nunca me abandonou. Que eu lembre de todos os almoços e as jantas, roupas lavadas, casa limpa, os tapas, as vezes trancado no quarto enquanto eu surtava, as vezes que fui tratado como criança, mesmo sendo maior de idade. Também as vezes que ela me desencorajou dos meus sonhos por medo de que eles me levassem a um caminho ruim ou que me julgassem por isso. Das vezes que ela me levou à escola, me levou ao show do Roupa Nova, da banda Calcinha Preta, do Amado Batista, do Bloco da Saudade, da Elba Ramalho, do Marrom Brasileiro e do Lenine. E que eu lembre de quando eu lambia o desodorante dela, com três anos de idade, eu era tabacudo demais.
Esqueça de tudo, mas não de Marileide, a melhor tia que uma pessoa poderia ter, uma segunda mãe, que, mesmo partindo, nunca deixei morrer dentro de mim. Que até 2020 fez parte diária de minha vida, cuidando de mim mais até do que minha mãe podia. Que eu não esqueça das vezes que ela me levou no campinho de futebol da prefeitura, na oficina para ver os caminhões, na fábrica da Vitarella, só porque eu pedi, ou em tantos outros lugares, me amando incondicionalmente, mesmo com todos os erros que eu cometia. Que eu lembre do quanto a fiz sofrer, inconsequentemente, para que eu pague por isso um dia, porque minha infantilidade me cegava. Que eu plante, em sua homenagem, dois pés de manga, com uma rede entre eles, do jeito que te prometi e te faça um bolo de prestígio quando nos vermos novamente em outro plano. Que eu continue te vendo nos meus sonhos, mesmo quando acordo chorando, pois é uma graça te ter tão perto depois que você foi para tão longe.
O mais importante na vida de todas as pessoas é a educação. Espero lembrar dos meus professores, que são o motivo de eu ter chegado em algum lugar, o motivo de eu saber e buscar aprender mais. Não tem como nomear todos aqui, porque estudei em três escolas, mas vou tentar homenagear aqueles que ainda lembro: Vanda, Luciara, Valdemir, Isaias, Josélia, Conceição, Lucinaldo, Dudu, Wellington Batalha, Sebá, Mitchell, dentre outros que não lembro o nome, mas a feição me é familiar. Todos foram pilares na formação de minha vida e muitos outros.
Que eu também me lembre das pessoas que me machucaram, não só os Pedros que me fizeram bullying ou bateram em mim. Mas também meu pai, que eu não esqueça que, ainda que ele tenha feito tantas coisas boas por mim, compensou com tantas ignorâncias, humilhações e incompreensões, pois, mesmo que não me batendo tanto quanto apanhou, definitivamente não poupou esforços em me ferir com palavras, como faca, atravessando meu corpo. Que eu não esqueça que sua arrogância e seu jeito com tom de superioridade ao qual sempre tratou a mim e minha mãe, pois o perdão não fecha as feridas que que foram abertas pelo perdoado.
Importa dizer que muito mais pessoas fizeram parte da minha vida e que, de verdade, se eu vivi um dia foi por conta de uma delas. Espero que eu evolua e avance na vida, que eu tenha uma esposa e filhos e possa ser feliz com eles da mesma forma que sejam comigo. Mas que eu nunca esqueça, por nenhuma força, todos que estiveram ao meu lado me ajudando a segurar as pontas, mesmo sabendo que eu posso desistir a qualquer momento.
Toinho Stark do Cangaço, 28/02/2026, 02:42-04:45
(Espero que nunca esqueça dos meus amigos nem de fazer por eles sem esperar nada em troca. Mesmo se uma doença neurológica me impeça de lembrar, mesmo se, um dia, eu tiver uma esposa que seja meu mundo, mesmo se a distância entre nós impossibilitar a comunicação, que eu nunca esqueça o quão importantes vocês são. Desde o Ale, James, Hitomaru, PãoDeForma, Júlia, Italo, Mateus, Popeeye e até o maluco do Hopkins, dentre outros. Sim, a maioria é de apelido na internet porque ou eu não sei o nome real, ou os conheço melhor por estes nomes)
(Que eu nunca esqueça o quanto minha mãe se sacrificou por mim, o quanto, mesmo errando e me prejudicando, ela sempre tentou fazer-me bem. Que eu lembre de quando ela me comprou queijo do reino e refrigerante de uva só porque, um dia, despretensiosamente, eu comentei que tinha vontade de comer. Ou quando ela cuidou de mim, tantas vezes doente, em hospitais, na cama, no sofá ou no banheiro, ela nunca me abandonou.)
(Que eu lembre de Marileide, a melhor tia que uma pessoa poderia ter, uma segunda mãe, que mesmo partindo, nunca deixei morrer dentro de mim. Que até 2020 fez parte diária de minha vida, cuidando de mim mais até do que minha mãe podia. Que eu não esqueça das vezes que ela me levou no campinho de futebol da prefeitura, na oficina para ver os caminhões, na fábrica da Vitarella, só porque eu pedi ou em tantos outros lugares, me amando incondicionalmente, mesmo com todos os erros que eu cometia. Que eu lembre do quanto a fiz sofrer, inconsequentemente, para que eu pague por isso um dia, porque minha infantilidade me cegava. Que eu plante, em sua homenagem, dois pés de manga, com uma rede entre eles, do jeito que te prometi e te faça um bolo de prestígio quando nos vermos novamente em outro plano.)
(Espero lembrar dos meus professores, que são o motivo de eu ter chegado em algum lugar, o motivo de eu saber e buscar aprender mais.)
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