Quando choro, as lágrimas fingem ser a tristeza saindo do meu corpo, mas são resquícios de minha sanidade, me sinto no frio de uma solidão, mas é somente a cerâmica do chão, não há ninguém ao meu redor ou um ombro a me apoiar. Quando choro, esmurro a parede até quase quebrar a mão, pois não há ninguém para me impedir, grito em silêncio para ninguém ouvir, mesmo sabendo que quem ouviria não ligaria e vice-versa. É quando estou fraco, vulnerável, mas não há perigo, não há ninguém.
Choro porque tudo está mal, estou sozinho, afinal, não há ninguém para me levantar do chão ou me estender a mão. Metade do meu dia é tamanha solidão, então lavo meus olhos para ver se consigo enxergar alguém que me faz bem ou luz no fim do túnel. Choro porque não quero morrer sem realizar meu maior sonho, mas como consigo um filho se nem namorada tenho? A minha pressa é porque meu relógio vai acabar, mas eu não sei quando, então não posso só ignorar ou deixar para lá. Uma hora será tarde demais e eu só saberei depois que ela passar.
Morro de medo de, um dia, este choro se concretizar num ato, mas você não estará lá para me ajudar, nem mesmo você, minha própria mãe, me acolheu no meu pranto. Estava sem um mosquito a me picar, uma mosca a me rodear ou uma formiga a passear em minha pele. Nessas horas estou tão solitário que até penso em morrer, pois nem eu quero estar perto de mim. Não tenho escape nos ombros de ninguém. Nessas horas meus amigos são só nomes, minha mãe está a três metros de mim, mas é como se fosse em outro planeta, meu pai... Não faria nada para ajudar nem se tentasse.
Por isso choro, tenho pena do que eu me tornei, medo do futuro e um passado de luto. É porque minha cabeça está cheia de problemas, porque, por impulso, destratei alguém, por acidente fiz alguém chorar, porque você não está aqui para me acariciar, por não ter a quem amar, por não falar aos outros que estou a beira de me prejudicar, por assumir que eu paro minha vida para atender um amigo, sacrifico minha saúde sem ninguém pedir, porque eu quero cuidar dos outros melhor do que esperaria que cuidassem de mim. Eu só quero um colo, um abraço, um cafuné acompanhado de "vai ficar tudo bem".
Dentro deste quarto, me sinto desamparado, tal qual na vida, um espelho da minha realidade. A maior parte do meu tempo se resume a desamparo, por isso gosto tanto de ajudar os outros, porque sei como é sofrido não ter um que intercede por mim quando preciso, não quero que passem pelo que passo ou sintam o que sinto, quero dar a eles o que não tenho, mas depois disso, me escondo e choro.
Toinho Stark do Cangaço, 03/04/2025, 05:05-05:40
(Nessas horas estou tão solitário que até penso em morrer, pois nem eu quero estar perto de mim.)
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