Esta é uma música bem triste, composta por Aleksandr Rozenbaum, durante a guerra do Afeganistão, ele que viu a realidade desta ao vivo e, segundo contam, ao ajudar a carregar "carga 200" (Codinome militar soviético/russo para os soldados que faleceram em combate e que agora têm seu corpo transportado de volta à cidade de origem. Para seu transporte aéreo, os responsáveis recebiam um cupom de "200 kg de carga", por uma resolução da época, daí se tornou um jargão) em um Antonov An-12 (Apelidado pelos soviéticos da época e até hoje chamado de "Чёрный тюльпан" (Tulipa negra) por ter sido a principal aeronave no transporte de corpos de volta à URSS na época), ele decidiu por compor esta música, que também é chamada de "O monólogo da Tulipa Negra".
Para mim, esta letra é muito impactante e me arrepio só de lembrar. Considerando quantos jovens inexperientes foram mandados à guerra do Afeganistão, com a alta moral de acreditar ser uma vitória fácil e se depararam com um terreno hostil e forças bem preparadas para guerrilhas. O catastrófico resultado foram, oficialmente pelo governo soviético, 14.453 mortes, com 2.556 sendo para doenças e acidentes[1].
Com o contexto dessa dura realidade e minhas condolências aos caídos nesta guerra por ambos os lados, deixo a letra traduzida logo abaixo:
Tradução literal:
No Afeganistão, numa Tulipa Negra*
Com um copo de vodka na mão, silenciosamente flutuamos sobre a terra, sozinhos
Um pássaro pesaroso, voando através da fronteira
Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos de verão
Em uma Tulipa Negra*, com aqueles que voltaram da missão
Voltando à terra natal para descansar no seu solo
Com férias por tempo indeterminado, aos mil pedaços
Eles nunca mais irão abraçar ombros quentes novamente
Quando sobre os oásis de Jalalabad
Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu
Praguejamos ao nosso trabalho:
Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia
Em Shindand, Candaar e Bagram
Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas
Novamente, carregamos heróis de volta para a pátria
Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas
Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas
Mas precisamos manter a cabeça erguida e encontrar forças
Se fraquejarmos, este pode ser o fim de nosso voo
Montanhas disparam, os Stingers** decolam
Se nos atingirem, os rapazes morrerão uma segunda vez
Aqui voamos de maneira diferente que em casa
Onde não há guerra e tudo é familiar
Onde pilotos veem um corpo uma vez ao ano
Onde helicópteros não despencam dos céus
E voamos, rangendo os dentes de raiva
Molhando nossos lábios com vodka
Caravanas estão chegando do Paquistão
Isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*
E isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*
No Afeganistão, numa Tulipa Negra*
Com um copo de vodka na mão, silenciosamente flutuamos sobre a terra, sozinhos
Um pássaro pesaroso, voando através da fronteira
Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos de verão
Quando sobre os oásis de Jalalabad
Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu
Praguejamos ao nosso trabalho:
Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia
Em Shindand, Candaar e Bagram
Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas
Novamente, carregamos heróis de volta para a pátria
Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas
Novamente, carregamos heróis de volta para a pátria
Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas
Tradução para cantar:
No Afeganistão, na Tulipa Negra*
Com um copo de vodka, silenciosamente flutuamos sobre a terra
Um pássaro pesaroso, através da fronteira
Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos
Em uma Tulipa Negra*, com os que voltaram da missão
Voltando à terra natal para descansar no seu solo
Com férias indeterminadas, aos mil pedaços
Eles nunca mais irão abraçar ombros quentes novamente
Quando sobre os oásis de Jalalabad
Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu
Praguejamos ao nosso trabalho:
Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia
Em Shindand, Candaar e Bagram
Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas
Novamente, carregamos heróis de volta à pátria
Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas
Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas
Mas manteremos a cabeça erguida e encontraremos forças
Se fraquejarmos, este pode ser o fim de nosso voo
Montanhas disparam, os Stingers** decolam
Se nos atingirem, os rapazes morrerão uma segunda vez
Aqui voamos de maneira diferente que em casa
Onde não há guerra e tudo é familiar
Onde pilotos veem um corpo uma vez ao ano
Onde helicópteros não despencam das nuvens
E voamos, rangendo os dentes de raiva
Molhando, com vodka, nossos lábios
Do Paquistão chegam caravanas
Isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*
E isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*
No Afeganistão, na Tulipa Negra*
Com um copo de vodka, silenciosamente flutuamos sobre a terra
Um pássaro pesaroso, através da fronteira
Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos
Quando sobre os oásis de Jalalabad
Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu
Praguejamos ao nosso trabalho:
Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia
Em Shindand, Candaar e Bagram
Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas
Novamente, carregamos heróis de volta à pátria
Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas
Novamente, carregamos heróis de volta à pátria
Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas
*Tulipa Negra: Apelido do Antonov An-12, que foi muito usado para a evacuação de corpos dos soldados soviéticos no Afeganistão e até hoje tem este mórbido uso;
**Stinger: FIM-92 Stinger, Um sistema de defesa antiaérea portátil (MANPADS) americano, consiste em um lançador de um míssil infravermelho terra-ar operado por um soldado, também pode ser adaptado em veículos
Antonov An-12 desenhado por mim, com um trecho da letra em russo
Letra: Aleksandr Rozenbaum
Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 09-10/05/2025
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