segunda-feira, 19 de maio de 2025

O caçador e a raposa

    Eu continuo quieto em minha cabana, no meio da mata, relaxando numa cadeira de balanço. O vento lá fora uiva, as folhas balançam e dançam pelo ar, criam uma harmonia musical como um coral e ganzás, tocando a sinfonia da paz. As folhas secas batendo na janela percussionam esta tarde morna, mas ouço junto um som diferente, um regougar que me lembra uma risada. É muito chamativo, não consigo manter minha inércia, preciso averiguar. Quando abro a porta, confirmo o que via em meus pensamentos, mas ainda é surpreendente.

    Encontrei uma bela e sorridente raposa, de pelo laranja e branco, com umas bagas em sua boca, como se me trouxesse um presente. Ainda perplexo de ver tal bichinho em minha porta, decido interagir como se fosse humano. Tantos anos de solidão me fazem acreditar que minha única companhia para o resto da vida seria meu velho cão de caça, um spaniel bretão de 12 anos de idade, o segundo que tenho com essa finalidade. Me dirijo à dona raposa, que me olha com a cabeça inclinada, mas sem medo, dizendo: "Como posso lhe ajudar, coisinha fofa?". Talvez eu tenha perdido toda sanidade que me resta, estou tentando falar com um animal tão diferente de mim, praticamente em tudo. Mas, para a minha surpresa, ela entende. Claro que não fala nada, mas sua linguagem corporal diz tudo. Deixo-a entrar em meus aposentos. 

    Uma leve olhada ao redor para ter certeza de que pode e, logo, entra na casa como se fosse sua. Corria a pobrezinha em busca de sombra e abrigo, encontrando aqui seu aconchego. Dou dois ovos que peguei hoje cedo das minhas galinhas, ela se alimenta calmamente, pondo-os, um a um, na boca, inteiros, depois amassando-os, quebrando-os e engolindo. Fito, calmamente, o animal curioso, enquanto volto à minha cadeira. Alguns minutos depois, ela senta-se à minha frente, seus olhos arregalados parecem me pedir algo. Sinalizo, com dois tapinhas em minhas pernas, que ela pode subir, funcionava com o cachorro quando era pequeno, hoje está grande demais para isso. Ela fica com receio, mas logo sobe, se encolhendo sobre minhas coxas. Posso sentir seu calor, é aconchegante.

    Raposa tão dócil que até derreto, audaz, serelepe e muito ousada, eu diria. Mesmo sem palavras dela, consigo ouvir seu coração. Ela que antes parecia tão diferente de mim, agora demonstra semelhanças, ambos querendo descansar sobre esta velha e rangente cadeira, ambos encontrando conforto no outro, quem diria que estaríamos fazendo isso agora? Aqui, juntos, vendo a luz do Sol projetar a janela na parede antes do lusco-fusco. Acaricio o seu corpo macio, aproveito este breve lapso de razão para pensar na brevidade da vida. Não há motivos para evitar algo que se queira mutuamente, por isso, acaricio este pelo macio e morno enquanto o tempo me permite. Não me sinto bem assim há tempos, talvez nunca tenha. A natureza é mesmo surpreendente, pensar que estamos aqui vivendo como um só, mesmo com tudo que nos impede.

    Como se fosse mágica, talvez encanto das raposas, pego no sono com ela em meu colo, sentindo seu leve respirar. Começo a sonhar que sou jovem de novo, no auge da adolescência, caçando meus primeiros animais, com ensinamentos do meu pai. Aprendendo a dessecar e aproveitar a carne, assim podemos sobreviver bem alimentados. Então, como mágica, é dia. Acordo lentamente, sentindo a outra janela projetando os raios da alvorada. A raposinha não está mais em meu colo, mas sim andando pela casa e logo que ouve meus movimentos, vem me ver. Digo-a como se falássemos a mesma língua: "Nobre raposa, não sei como te dizer isso, mas não podemos caçar juntos... Veja, eu caço grandes animais para comer, e você pequenos roedores e frutinhas, nossos objetivos são diferentes, até os caminhos que seguiremos". Posso sentir a raposa triste, mas conformada, é como se ela entendesse tudo que digo. Como estamos nos comunicando? Como entendo sua resposta sem que ela fale nada? Não sei, mas nos entendemos e isto é o que importa.

    Companhia maravilhosa, mas tenho que seguir minha sina, ou não terei o que comer no arrebol. Na verdade, não jantei na última noite por estar encantado por você, mas não sinto fome ainda. Me pergunto por onde andei enquanto você me procurava. Não sei a resposta, mas queria que nossos caminhos tivessem se cruzado antes. Lhe dou um carinho e desejo boa sorte, pois quero o seu bem, nem sei o motivo, apenas me senti conectado a ti. Com isso, me preparo para a próxima caçada, suponho que você também está com fome, então abro a porta e a digo: "Pode ir, raposinha, viva e seja livre, goze de tudo que há no mundo. Mas se precisar de um lar, esta casa estará de portas abertas, mesmo que não possas mais sentar em meu colo ou dormir em meus braços, este lugar ainda pode acolher o teu repouso.".


Toinho Stark do Cangaço, 19-20/05/2025


(Então abro a porta e a digo: "Pode ir, raposinha, viva e seja livre, goze de tudo que há no mundo. Mas se precisar de um lar, esta casa estará de portas abertas, mesmo que não possas mais sentar em meu colo ou dormir em meus braços, este lugar ainda pode acolher o teu repouso.")

sábado, 17 de maio de 2025

Tradução: Pink Floyd - Two Suns in the sunset

    Em contexto, esta música foi escrita no começo da década de 80 para o álbum "The Final Cut", que foi lançado em 1983, período no qual havia tensão entre os países integrantes da OTAN e a União Soviética, com a iminência de uma guerra envolvendo bombas atômicas e capaz de sumir com países inteiros do mapa ao simples apertar de um botão. O medo generalizado tomava conta da população e muitas composições refletiam isso, como "99 Luftballons" (Da banda Nena, lançada em 1983), e "Vamos a la playa" (Do duo "Righeira", lançada em 1983). Com isso, tudo que se podia fazer era torcer que nenhum político maluco apertasse o botão.

    Tenho a impressão que a última música de todos os álbuns do Pink Floyd, que eu escutei, são excepcionais, para fecharem com chave de ouro, esta não é uma exceção, chorar é opcional, se arrepiar é obrigatório. A música teve uma leve inspiração no filme polonês "Cinzas e diamantes" (1958)

    É notório que a estrutura da música vai de um passeio tranquilo de carro, para uma bomba nuclear explodindo, a comparação do lançamento dela com um "julgamento", mas que você não consegue recorrer a nenhuma instância.

    Sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

No meu espelho retrovisor, o Sol está se pondo

Descendo por trás das pontes na estrada

E eu penso em todas as coisas boas

Que deixamos por fazer

E sofro premonições

Confirmo suspeitas

De um holocausto que está por vir


O arame enferrujado que segura a rolha

Que mantém o ódio preso

Se rompe

E, de repente, é dia novamente

O sol está no leste

Ainda que o dia tenha terminado

Dois sóis no poente

Seria esse o fim da raça humana?


Como na hora que o freio trava

E você desliza na direção de um grande caminhão (Oh, não!)

Você prolonga os seus últimos momentos, travados, com seu medo

E você nunca mais escutará as vozes deles (Papai, papai!)

E você nunca mais verá seus rostos

Você não tem mais como recorrer à lei


Enquanto o para-brisas derrete

E as minhas lágrimas evaporam

Deixando apenas carvão para ser defendido (no banco dos réus)

Finalmente, eu entendo os sentimentos das minorias

Cinzas e diamantes

Inimigo ou amigo

Éramos todos iguais no fim


(E agora, o clima. Amanhã será nublado com chuvas leves se espalhando do leste. Com expectativa de uma máxima de 4000°C)


Tradução para cantar:

No meu retrovisor, o Sol está se pondo

Descendo atrás das pontes na estrada

Penso em todas as coisas boas

Que deixamos por fazer

E eu sofro premonições

Confirmo suspeitas

De um holocausto por vir


O arame enferrujado que segura a rolha

Que mantém o ódio preso

Se rompe

E, de repente, é dia novamente

O sol está no leste

Ainda que o dia tenha terminado

Dois sóis no poente

Seria esse o fim da raça humana?


Como na hora que o freio trava

E você desliza na direção de um caminhão (Oh, não!)

Você prolonga os seus momentos travados com seu medo

E nunca mais escutará suas vozes (Papai, papai!)

E nunca mais verá seus rostos

Você não tem mais como recorrer à lei


Enquanto o para-brisas derrete

E as minhas lágrimas evaporam

Deixando apenas carvão para defender

Finalmente, eu entendo os sentimentos das minorias

Cinzas e diamantes

Inimigo ou amigo

Éramos todos iguais no fim


(E agora, o clima. Amanhã será nublado com chuvas leves se espalhando do leste. Com expectativa de uma máxima de 4000°C)



Letra: Roger Waters

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 17/05/2025

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Tradução: Statler Brothers - Bed of Rose's

    Trago aqui um clássico da K-Rose, para quem jogou o lendário GTA San Andreas, uma música com letra bem reflexiva e que tem um trocadilho que muita gente sequer notaria.

    A música se chama "Bed of Rose's" (Com esta grafia, "R" maiúsculo e apóstrofo antes do último "s"), sendo assim para fazer o jogo de palavras principal da história, com "bed of roses", que significa "cama de rosas", um ditado popular que significa "ter uma vida fácil", e também com "bed of Rose's", que significa "cama de Rose" (No caso, a cama cuja proprietária se chama "Rose").

    Essa obra é uma crítica social, principalmente aos religiosos e à hipocrisia, e também uma sutil alusão a um romance. Com a principal crítica sendo à inércia da sociedade mediante os problemas descarados presentes nela, mas que não poupa esforços em criticar aqueles que não seguem seus moldes, mesmo quando invejam sua condição.

    Sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

Ela era chamada de uma mulher da vida pelo povo

Que ia à igreja mas me deixava largado na rua

Sem parentes para chamar, eu nunca tive um lar

Mas um garoto de dezoito anos de idade precisa comer


Ela me encontrou na rua numa manhã de domingo

Pegando esmola de um homem que não conhecia

Ela me levou e varreu minha infância

Uma mulher das ruas, esta dama chamada Rosa


Esta cama de Rosa, onde eu me deito

É onde fui ensinado a ser um homem

Esta cama de Rosa, onde estou vivendo

É o único tipo de vida que compreendo


Ela era uma bela mulher de apenas 35 anos de idade

Que era falada na cidade por pouquíssimos

Gestava um negócio de altas horas

Como muitos na cidade gostariam de poder fazer


E eu aprendi todas as coisas que um homem precisa saber

De uma mulher reprovada (pela sociedade), eu suponho

Mas ela morreu sabendo que eu a amava muito

Do arbusto espinhoso da vida, peguei uma Rosa


Esta cama de Rosa, onde eu me deito

É onde fui ensinado a ser um homem

Esta cama de Rosa, onde estou vivendo

É o único tipo de vida que compreendo



Tradução para cantar:

Era chamada de uma mulher da vida pelo povo

Que ia à igreja mas me deixava nas ruas

Sem parentes para chamar, eu nunca tive um lar

Mas um garoto de dezoito tem que comer


Ela me encontrou na rua numa manhã de domingo

Pegando esmola de um homem que não conhecia

Ela me levou e varreu pra longe minha infância

Uma mulher das ruas, esta dama Rosa


Essa cama de Rosa, onde eu me deito

Onde fui ensinado a ser um homem

Essa cama de Rosa, onde estou vivendo

É o único tipo de vida que eu entendo


Ela era uma bela dama de apenas 35

Que era falada na cidade por pouquíssimos

Gestava um negócio de altas horas

Que a maioria na cidade sonhava ter


E eu aprendi tudo que um homem precisa saber

De uma mulher reprovada, ao meu ver

Mas ela morreu sabendo que eu muito a amava

Do arbusto espinhoso da vida, peguei uma Rosa


Essa cama de Rosa, onde eu me deito

Onde fui ensinado a ser um homem

Essa cama de Rosa, onde estou vivendo

É o único tipo de vida que eu entendo



Letra: Harold Reid

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 16/05/2025

sábado, 10 de maio de 2025

Tradução: Александр Розенбаум - Чёрный тюльпан (Aleksandr Rozenbaum - Chornyy tyul'pan)

    Esta é uma música bem triste, composta por Aleksandr Rozenbaum, durante a guerra do Afeganistão, ele que viu a realidade desta ao vivo e, segundo contam, ao ajudar a carregar "carga 200" (Codinome militar soviético/russo para os soldados que faleceram em combate e que agora têm seu corpo transportado de volta à cidade de origem. Para seu transporte aéreo, os responsáveis recebiam um cupom de "200 kg de carga", por uma resolução da época, daí se tornou um jargão) em um Antonov An-12 (Apelidado pelos soviéticos da época e até hoje chamado de "Чёрный тюльпан" (Tulipa negra) por ter sido a principal aeronave no transporte de corpos de volta à URSS na época), ele decidiu por compor esta música, que também é chamada de "O monólogo da Tulipa Negra".

    Para mim, esta letra é muito impactante e me arrepio só de lembrar. Considerando quantos jovens inexperientes foram mandados à guerra do Afeganistão, com a alta moral de acreditar ser uma vitória fácil e se depararam com um terreno hostil e forças bem preparadas para guerrilhas. O catastrófico resultado foram, oficialmente pelo governo soviético, 14.453 mortes, com 2.556 sendo para doenças e acidentes[1]

    Com o contexto dessa dura realidade e minhas condolências aos caídos nesta guerra por ambos os lados, deixo a letra traduzida logo abaixo:


Tradução literal:

No Afeganistão, numa Tulipa Negra*

Com um copo de vodka na mão, silenciosamente flutuamos sobre a terra, sozinhos

Um pássaro pesaroso, voando através da fronteira

Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos de verão

Em uma Tulipa Negra*, com aqueles que voltaram da missão

Voltando à terra natal para descansar no seu solo

Com férias por tempo indeterminado, aos mil pedaços

Eles nunca mais irão abraçar ombros quentes novamente

Quando sobre os oásis de Jalalabad

Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu

Praguejamos ao nosso trabalho:

Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia

Em Shindand, Candaar e Bagram

Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas

Novamente, carregamos heróis de volta para a pátria

Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas

Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas


Mas precisamos manter a cabeça erguida e encontrar forças

Se fraquejarmos, este pode ser o fim de nosso voo

Montanhas disparam, os Stingers** decolam

Se nos atingirem, os rapazes morrerão uma segunda vez

Aqui voamos de maneira diferente que em casa

Onde não há guerra e tudo é familiar

Onde pilotos veem um corpo uma vez ao ano

Onde helicópteros não despencam dos céus

E voamos, rangendo os dentes de raiva

Molhando nossos lábios com vodka

Caravanas estão chegando do Paquistão

Isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*

E isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*


No Afeganistão, numa Tulipa Negra*

Com um copo de vodka na mão, silenciosamente flutuamos sobre a terra, sozinhos

Um pássaro pesaroso, voando através da fronteira

Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos de verão

Quando sobre os oásis de Jalalabad

Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu

Praguejamos ao nosso trabalho:

Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia

Em Shindand, Candaar e Bagram

Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas

Novamente, carregamos heróis de volta para a pátria

Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas

Novamente, carregamos heróis de volta para a pátria

Aos quais, aos vinte anos de idade, nós cavamos covas



Tradução para cantar:

No Afeganistão, na Tulipa Negra*

Com um copo de vodka, silenciosamente flutuamos sobre a terra

Um pássaro pesaroso, através da fronteira

Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos

Em uma Tulipa Negra*, com os que voltaram da missão

Voltando à terra natal para descansar no seu solo

Com férias indeterminadas, aos mil pedaços

Eles nunca mais irão abraçar ombros quentes novamente

Quando sobre os oásis de Jalalabad

Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu

Praguejamos ao nosso trabalho:

Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia

Em Shindand, Candaar e Bagram

Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas

Novamente, carregamos heróis de volta à pátria

Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas

Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas


Mas manteremos a cabeça erguida e encontraremos forças

Se fraquejarmos, este pode ser o fim de nosso voo

Montanhas disparam, os Stingers** decolam

Se nos atingirem, os rapazes morrerão uma segunda vez

Aqui voamos de maneira diferente que em casa

Onde não há guerra e tudo é familiar

Onde pilotos veem um corpo uma vez ao ano

Onde helicópteros não despencam das nuvens

E voamos, rangendo os dentes de raiva

Molhando, com vodka, nossos lábios 

Do Paquistão chegam caravanas

Isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*

E isto significa que há mais um trabalho para a Tulipa*


No Afeganistão, na Tulipa Negra*

Com um copo de vodka, silenciosamente flutuamos sobre a terra

Um pássaro pesaroso, através da fronteira

Carregando nossos garotos de volta para os relâmpagos russos

Quando sobre os oásis de Jalalabad

Com as asas inclinadas, nossa Tulipa* caiu

Praguejamos ao nosso trabalho:

Outra vez adicionamos novatos às baixas da companhia

Em Shindand, Candaar e Bagram

Novamente, uma pedra é posta sobre nossas almas

Novamente, carregamos heróis de volta à pátria

Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas

Novamente, carregamos heróis de volta à pátria

Aos quais, aos vinte anos, nós cavamos covas



*Tulipa Negra: Apelido do Antonov An-12, que foi muito usado para a evacuação de corpos dos soldados soviéticos no Afeganistão e até hoje tem este mórbido uso;

**Stinger: FIM-92 Stinger, Um sistema de defesa antiaérea portátil (MANPADS) americano, consiste em um lançador de um míssil infravermelho terra-ar operado por um soldado, também pode ser adaptado em veículos


Antonov An-12 desenhado por mim, com um trecho da letra em russo


Letra: Aleksandr Rozenbaum

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 09-10/05/2025

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Tradução: Journey - Faithfully

    Hoje venho trazer uma das baladas românticas que eu mais gosto, uma espetacular música da banda Journey, que eu aprecio tanto a melodia, quanto a letra, quanto os sonhos que já tive motivados por essa música.

    A mesma fala sobre as aventuras de um cantor em turnê, mas que mesmo sem poder ver direito sua amada, com a distância que os separa, ele fica tranquilo sabendo que seu amor é mais forte que isso, além de saber que ao final disso tudo, sua amada também o receberá de braços abertos, lealmente.

    A tradução é nos mesmos moldes das outras.


Tradução literal:

Percorrendo a autoestrada em direção ao sol da meia-noite 

As rodas vão girando e girando, com você em minha mente

Corações incessantes, dormem sozinhos esta noite

Enviando todo meu amor através do fio


Eles dizem que a estrada não é lugar de começar uma família

E, indo por esta linha, estamos você e eu

E amar um músico nem sempre é como deveria ser

Mas, oh, garota, você se mantém ao meu lado

E eu sou sempre seu

Lealmente 


Vida de circo, sob o mundo da tenda principal

Todos nós precisamos dos palhaços para nós fazer sorrir

Através do espaço e do tempo, sempre com outra apresentação 

Fico me perguntando onde estou, perdido sem você 


E ficar distante não é fácil nesse relacionamento 

Dois estranhos aprendem a se apaixonar de novo

Eu tenho o prazer de redescobrir você 

Oh, garota, você se mantém ao meu lado

E eu sou sempre seu

Lealmente

Lealmente 

Ainda sou seu, todo seu

Lealmente!




Tradução para cantar:

Pegando a estrada, rumo ao sol da meia-noite

As rodas giram e giram, contigo na minha mente

Corações imparáveis, dormem sozinhos esta noite

Enviando todo meu amor pelo fio


Dizem que a estrada não é lugar de começar uma família

Indo por esta linha, estamos você e eu

E amar um homem da música nem sempre é como deveria ser

Mas, oh, garota, você está ao meu lado

E eu sou sempre seu

Fielmente


Vida de circo, sob o mundo dos famosos

Todos precisamos dos palhaços para nós fazer sorrir

Através do espaço-tempo, sempre há outro show

Me pergunto onde estou, perdido sem você 


E ficar distante não é fácil nesse relacionamento 

Dois estranhos aprendem a se apaixonar de novo

Eu tenho o prazer de redescobrir você 

Oh, garota, você está ao meu lado

E eu sou sempre seu

Fielmente

Fielmente

Ainda sou seu, todo seu

Fielmente!



Composição: Jonathan Cain


Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 05-06/05/2025

domingo, 4 de maio de 2025

Tradução: КИНО - Раньше в твоих глазах отражались костры (KINO - Ran'she v tvoikh glazakh otrazhalis' kostry)

    Da lista de músicas russas que eu amo a letra, essa tinha que ser a primeira a ser traduzida, meramente pelo seu significado e sua ideia de que temos que desapegar do passado, ao qual já sabemos como é, e ir ao desconhecido futuro, sair da inércia. É como dizem em inglês "Hindsight is 20/20" (Significa, mais ou menos, "A visão do que já passou é perfeita", com a ideia de dizer que não enxergamos as coisas antes ou durante os acontecimentos, mas, quando olhamos para o passado, nossa visão é perfeita para detectar os erros. "Hindsigh" significa, literalmente, "Visão do que está atrás", no caso, olhando o passado, já "20/20" é como eles graduam a visão de alguém, sendo 0/20 cego, 1/20 eu sem óculos e 20/20 uma visão perfeita).

    Pode-se dizer que a banda KINO é tipo "Legião Urbana", só que da Rússia... Ou será que o Viktor Tsoi é o Renato Russo que é mesmo russo? Se eles tivessem se conhecido, o Tsoi poderia mudar de nome para Viktor Brasileiro? Enfim, KINO tem muitas músicas incríveis, críticas sociais geniais e eu espero trazer mais conteúdo deles para cá.

    Sem mais delongas, a tradução será nos mesmos moldes da anterior.


Tradução literal:

Antigamente, seus olhos refletiam as luzes de uma fogueira

Agora, só refletem a luz difusa de um abajur

Algo passa por ti, você se sente ansioso

Aquilo era um novo dia e você não estava nele


Antigamente, seus olhos refletiam a noite

Agora, quando chega a noite, seus olhos dormem

E assim, na alvorada, você não notou o começo de um novo dia

Você ainda está no ontem, onde não tinham obstáculos


Tradução para cantar:

Antes, seus olhos refletiam a luz da fogueira

Agora, só a luz de uma lâmpada de mesa difusa

Sente algo passar por ti, isso te causa ansiedade

Esse era um novo dia e você não estava lá


Antes, seus olhos refletiam a luz da noite

Agora, quando chega a noite, teus olhos dormem

E assim, na alvorada, você sequer notou o começo de um novo dia

Você ainda está no ontem, quando não tinham obstáculos



Composição: Viktor Tsoi / Yuri Kasparyan / Igor Tikhomirov / Georgy Guryanov


Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 04/05/2025

sábado, 3 de maio de 2025

Tradução: Pink Floyd - Wish You Were Here

    Eu sempre quis traduzir esta música e foi uma das primeiras que eu cantei traduzida de maneira simultânea, então decidi publicar aqui a minha tradução dela, a primeira é uma tradução mais exata, feita para entender a letra, a segunda é uma tradução feita para se cantar a música em português no mesmo ritmo, porém mantendo o significado.


Tradução literal:

Então, então você acha que pode distinguir

Paraíso de inferno? Céu azul de dor?

Podes distinguir um campo verde de um trilho frio de aço?

Um sorriso de um véu? Acha que podes distinguir?

E eles te fizeram trocar teus heróis por fantasmas?

Cinzas quentes por árvores? Ar quente por uma brisa fria?

O pouco conforto por mudanças? 

Você trocou o figurantismo na guerra por um protagonismo numa cela?


Como eu queria, queria que você estivesse aqui

Somos apenas duas almas perdidas nadando num aquário, a cada ano que se passa

Correndo sobre o mesmo velho chão, o que encontramos? 

Os mesmos velhos medos, queria que você estivesse aqui



Tradução para cantar:

Então, acha que podes distinguir

Paraíso de inferno? Céu azul de uma dor?

Ou distinguir um campo verde de um trilho frio de aço?

Um sorriso de um véu? Acha que podes diferenciar?

E te fizeram trocar teus heróis por fantasmas?

Cinzas quentes por árvores? Ar quente por uma brisa fria?

Pouco conforto por mudanças? 

E você trocou ser figurante na guerra por um protagonismo numa cela?


Como eu queria que você estivesse aqui

Somos apenas duas almas perdidas nadando num aquário, ano após ano

Correndo sobre o mesmo velho chão, o que encontramos? 

Os mesmos velhos medos, queria você aqui



Composição: David Jon Gilmour / George Roger Waters


Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 03/05/2025