Faz muito tempo que os problemas da vida se tornaram um peso, dificultando meus passos, pressionando meu peito até o coração parar de bater. Sou como um livro de capa comum, ligeiramente amassado, que foi posto sob a pressão de umas dezenas de livros para que desamassasse, eu já estou corrigido, mas me esqueceram sob aquela torre de livros. Todos temos problemas, mas o amor é o que nos ajuda a suportá-los. Minha vida sem amor é como um café forte sem açúcar, comer gengibre ou pimenta puros, um grande sangramento sem sequer um band-aid ou uma enxaqueca infinita, sem alívio.
Falta açúcar no meu café, um prato para dissolver o sabor do gengibre ou da pimenta, um torniquete para o sangramento, um remédio para dor de cabeça, que tirem os livros de cima de mim, pois já estou endireitado. Tal qual os problemas, o café se torna bem mais bebível quando se tem açúcar, leite ou outro atenuante do sabor. A minha vida é amarga, sinto este sabor, é tanto que pouco açúcar nem faz diferença, a lista de problemas é extensa.
O sentimento é que me desgasto como um lápis numa lixadeira, queria um papel para escrever minha história, mas aqui estou, aos poucos me transformando em pó sem deixar nada para trás. A solidão é como um golpe de aríete, eu sou a usina hidrelétrica de Sayano-Shushenskaya, a falta de amor é como a chaminé de alívio insuficiente, pode-se passar desapercebido, mas uma hora a pressão é de mais, capaz de arrancar tudo à frente. E o rio da solidão assoreou-me até o pescoço.
Amor é a pá que te desenterra, a escada que te tira do poço. Preciso de alguém que torne este café puro em cappuccino, que me dê motivos para aturar todas as pedras que são me atiradas. Garanto-lhe que apanharia com um sorriso se soubesse que, depois da tortura, voltaria a ver quem tanto amo e tanto quero bem, com toda a reciprocidade que se tem quando se ama. Pois esta é a única coisa a me erguer depois de todo abuso que a vida faz comigo.
Que arranquem as teclas do meu teclado e o lápis de minhas mãos, mas não pararei de sentir o que sinto, apenas expresso e deixo impresso para que, talvez, alguém atenda minha súplica. Pois no dia que me calar, ou o problema sumiu, ou fui eu. Que o medo do julgamento alheio nunca me censure, que minhas lágrimas um dia sejam enxutas por alguém, pois cansei de ser pelo mesmo travesseiro que, depois molhado, ponho minha cabeça para dormir.
Não há como apreciar a solidão estando em meu estado, pois já cansei dela. Esta deve ser consumida em pequenas doses para ter bons efeitos desejados, tal qual uma bebida alcoólica, o excesso rapidamente te torna em um caco, um zumbi sofrendo e implorando pelo alívio da morte, se arrependendo de estar neste estado. Pois a solidão que me assola é como puro álcool, mas nem tenho tempo de ressaca, pois acordo no outro dia só novamente, como uma rebatida, o pelo do cachorro que me mordeu.
Tenho pena de qualquer um que se encontre no mesmo estado que eu, saber que você também está assim é entristecedor, me sinto pior de saber que não sou o único, pois nem o diabo merece de tal mal. Espero que o seu navio não afunde no mar das mágoas, pois o meu já está com a popa submersa. Se alguém puder tirar este amargo, que tire, pois amanhã há de vir mais um litro de café puro novamente.
Toinho Stark do Cangaço, 20/03/2025, 14:10-15:21
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