quinta-feira, 2 de março de 2023

Em falso

Não me há felicidade

Nesta vida que levo

Posso até estar vivo

Com riso de falsidade


Preciso d'amor prá viver

D'uma esposa ao meu lado

Ficaria encantado

E deixaria de sofrer


Mas sei que ela não existe

Que meu sonho é falso

Que para cada passo

O meu corpo já desiste


Não me faça pouco caso

De minha situação 

Um quadro de depressão 

Resultado do descaso 


Toinho Stark do Cangaço, 02/03/2023

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Ao apagar das luzes

    Sentado diante de uma obra na faculdade, que mais parece um cenário de guerra, lembro-me das batalhas que compõem a vida, da tristeza e solidão, este momento representa bem tal sentimento, mesmo com tantas pessoas passando, o clima é de solidão. Meu coração, tal qual a faculdade, está esburacado, tentando se reconstruir, um cenário de guerra. Vejo as luzes das salas nesta monótona noite, as pessoas conversando e vivendo momentos de felicidade, comentando, ouvindo, aproveitando os amigos, sem saber a riqueza que eles têm, sem perceber, eles criam momentos felizes para si enquanto massacram meu coração com uma inveja que destrói só a mim, me faz sentir pobre de bons sentimentos, como um faminto vendo a um show de culinária. 

    Sinto fome, tanto física quanto espiritual, mas a física posso atuar, se ela me matasse, me faria um bem. Não há alimento para a alma mais nutritivo que o amor e aquilo que dele deriva, pois não só de comida e água vive uma pessoa. Não alimento minha alma há anos, e nunca ela foi saciada de suas carências, talvez nunca será.

    Vejo, pouco a pouco, as luzes de cada sala se apagando, tal qual minha esperança, as luzes se apagam uma a uma. Eu só tenho uma pergunta que não sei ainda a resposta: O que acontecerá ao apagar das luzes?

FIM

Toinho Stark do Cangaço

06/12/2022, 20:12

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

É tarde demais para agir

    Agora é tarde demais, eu não tenho amor nem para sobreviver, definho-me de tristeza enquanto planejo minha morte, quem dera alguém pudesse me ajudar, e não colaborar para eu me matar, me fazendo de trouxa, cansei de ser pinguepongueado para todo lado sem nada se resolver, só me faz perder a vontade de viver. Eu não culpo ninguém, cada qual tem seus problemas, não sou mais importante que ninguém, cabem às pessoas que continuam vivas julgarem unica e exclusivamente a si mesmos, condenar ao próximo é fácil, difícil é ser justo.

    Quero deixar claro o motivo do meu sofrimento, pois não é só lamento, é a dor da solidão, falta de esperança, ser deixado na mão desde quando crança, ser suprimido da felicidade por uma prisão que era minha casa. Onde estão meus amigos? Tirando os que morreram ou cometeram suicídio, longe estão. Felizes sem mim?  Bem, se eles estiverem felizes sem mim, ainda me sentiria bem de saber que estão felizes.

    Eu careço de amor, não precisam palavras, somente gestos, mas o principal é alguém que se compromisse com essa atenção, apresento minha solução, não é perfeita, mas resolve, eu preciso de uma namorada, que se tornaria esposa no longo prazo. Entenda, eu não preciso de uma mulher qualquer que satisfaça carências sexuais, isto é inútil, pois minhas carências maiores são de companhia, por isso, alguém que me ame de verdade, alguém que seja compromissado a estar ao meu lado. Veja, só busco que seja uma esposa de maneira tão específica, obedecendo às quatro regras básicas e seus adendos, pois uno a cura desta depressão aos meus sonhos e objetivos, unindo o útil ao agradável, fazendo por ela o que for necessário e possível, cobrando apenas reciprocidade.

    Não quero dinheiro, não quero poder ou luxo, apenas um amor correspondido com uma pessoa tão incrível que possa amar sem cobrar nada em troca e que eu possa amar sem pedir nada em troca, pois ambos sabemos que o outro fará por nós o suficiente.

    Mas sei que não terei isso, 22 anos amaldiçoado e sem chegar perto de uma solução, ainda tenho de sofrer vendo todos que eu amo morrer, sem um ombro para me acolher. Por que esperam que eu não tenha sentimentos?

    Bem, se eu morrer, tudo isso irá acabar e não precisarei me preocupar com estes problemas sem solução, tomara que ao menos em algo na vida eu tenha sucesso, se não no amor, que seja na morte, pois todo o resto me vale menos que um grão de poeira no Universo.

    Espero que esta seja minha última carta de suicídio, prometo não queimar ou jogar fora como fiz com as outras, não tenho mais vergonha da verdade.

FIM

Toinho Stark do Cangaço, 29/09/2022

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

As aventuras do amor 1

     Mas se não é perfeito chegar em casa e se deparar com a perfeição em pessoa, em seu vestido branco com babados nos braços, uma auréola em seus longos cabelos que minha mão há de percorrer. Emana luz de seus olhos enquanto sorri timidamente, minha timidez retribui na mesma moeda, meu corpo queima de vergonha enquanto nossos olhos se cruzam, tamanha a pureza num olhar inocente que cativa o mundo.

    Trocamos cumprimentos como se fosse a primeira vez, é tanta felicidade que me faz ofegar, sorrir, encher meus olhos de lágrimas. Olhar para ela perdido no tempo é suficiente para satisfazer-me, poderíamos passar horas só nos admirando.

    Uma música doce ecoa pela casa, Nocturne do Chopin, enquanto pomos na boca um do outro alguns pedaços de queijo e frutas, no fundo queríamos que fossem nossos lábios na boca um do outro.

    Ela dá-me a mão e me tira da mesa, novo ritmo, outra música, agora Cânone em Ré Maior do Pachelbel, corremos pelo jardim verdejante através das flores, mas a mais linda flor é ela, seguimos girando e saltitando até o clímax da música, onde olhamos nos olhos um do outro, deitados na grama com ela sobre mim, envoltos por um beijo intenso.

    Nos levantamos constrangidos, agora toca a Valsa das Flores, do Tchaikovsky, andamos pelo bosque enquanto a ponta dos nossos dedos passeia pelas flores e folhas.

-"Sabe, és como uma flor: Delicada, bela e cheirosa; Queria tocar sua pétala no orvalho da manhã". Eu a digo;

-"Obrigada, são seus olhos que me veem assim". Ela responde de maneira suave;

-"Não importa quantas vezes digo que te amo, ainda sinto que não é o bastante". Digo com convicção;

-"Eu também te amo muito". Ela responde com entusiasmo.

    Então ela reclina sua cabeça nos meus ombros enquanto sentamos na grama, contando-me tudo que fez durante o dia. Conto-a também o meu dia.

-"Está melhor agora que estais comigo, certo?". Ela questiona retoricamente;

-"Sempre é melhor quando estou contigo, meu amor". Eu a respondo segurando seu queixo;

  "Quero sempre pôr minha boca em seus lábios, matar minha sede de amor, sentir seu gosto". Eu digo-a mordendo os lábios e olhando para cima.

    Ela cora e vira o rosto, nossas mãos se aproximam, se entrelaçam e, como consequência, exalamos um gemido suave.

    Ao som de Con te partirò, do Andrea Bocelli, ela repousa a cabeça sobre meu ombro, nós trocamos falas bonitas e ela cochila ali enquanto acaricio sua cabeça levemente.

    Minha mente se enche de pensamentos enquanto eu sigo eternamente grato de tê-la ao meu lado.

FIM

Toinho Stark do Cangaço, 02/12/2021

As aventuras do amor: Prelúdio

     A série de histórias "As aventuras do amor" conta a história de um casal indefinido, onde o eu lírico fala de suas aventuras com sua doce esposa, a qual seu amor é incondicional, ainda que algumas definições sejam feitas sobre o casal, elas são facilmente adaptáveis, podendo assim qualquer casal adaptar a história para a sua realidade.

    A proposta dessas histórias é ver a vida de um casal de forma mais romantizada, onde o amor entre os dois cresce cada vez mais por perceberem as qualidades uns dos outros muito mais do que os defeitos, dada a ênfase em qualidades sempre que possível. Quando um vê o outro como perfeito, ou ao menos como o maior amor de sua vida, não existe nada que seja problema, e tudo que acontece de errado é só um motivo para ajudarmos uns aos outros a superar os problemas.

    O casal em questão tem uma série de códigos, uma série-de-um-ou-dois-números que representa uma mensagem predeterminada por uma tabela, assim eles podem falar abertamente de suas intimidades sem que os outros saibam do que se trata. A lista cresce conforme a necessidade e os números não foram escritos em ordem, para não deixar óbvio o que eles poderiam significar, mas sim, dispersos entre as centenas de números possíveis, sendo um de até três dígitos (principal) e um de até dois dígitos (secundário e opcional, serve para dar contexto ao número principal, por exemplo, se eu falasse 2-5, onde 2 seria "pão" e 5 seria "comer", eu estaria dizendo "comer pão", e 2-6, onde 6 fosse "assar", eu estaria dizendo "assar pão" ou "fazer torradas", livre à interpretação, se eu falasse só 2, significaria só "pão" na frase, claro que os números não são ditos avulsos, requerendo que seja dito a palavra "código" antes, podem estar inseridos no meio de frases, como: "Queria que me trouxesse um Código 2 agora").

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

O viajante perdido (História curta)

     Ainda tenho uma longa estrada a seguir até meu destino, destino este que eu mesmo almejo, mas não controlo, não tenho atalhos, caminhos alternativos e o que antes era uma cidade no canto dos meus olhos, agora é só deserto, todos que andavam ao meu lado ou caíram ou abandonaram a estrada.

    Mas que estranho, todos deveriam estar nesta estrada, nesta peregrinação forçada, é como se todos seguissem o mesmo caminho, só que sem notar a presença dos outros, como se ambos não existissem. Meus passos estão pesados, carrego um mundo em minha cabeça e outro em minhas costas, as memórias do passado, que um dia me fizeram sorrir, agora me machucam, saber que esta estrada é de mão única é a única certeza que tenho, não posso voltar de onde vim, devo seguir em frente ou desistir.

    A chuva cai fraca perto da torrente que castiga meu coração e cada passo que dou me faz pensar que desistir é melhor que tentar, o meu martírio de erguer a perna para mais um passo é tanto que quero parar, abdicar do caminho.

    De que adianta seguir este caminho incerto? Só me machuca a cada passo, cada quilômetro eu me arrependo dos 365 passos dados para chegar lá. Nem mais conto os passos, sei de cor quantos preciso para a próxima marca, não celebro mais passar o quilômetro, na verdade, sinto triste de nada ter conseguido em mais um quilômetro de jornada.

    Doente, com uma incessante fome e sede, sede esta que a chuva não cura, mas pelo contrário, piora, desistir se torna uma esperança de salvação ao invés de um sofrimento.

    Então eu deixo meus joelhos caírem por terra, meu corpo ceder, Aos abutres que já cercam minha cabeça, mas não me sinto triste.

    Caído, eu peço ajuda, mas todos me negam, são todos miragens, eu peço a Deus, mas nada acontece, a Alláh, a Nieztsche, a Nike, a Rá e quem mais acreditar, ninguém me responde.

    "Eu não aguento mais! Eu desisto desta caminhada, desse inferno frio de egoísmo, ninguém quer me ajudar! Seus ingratos! Quando pediram, eu lhes ajudei!". Gritava, mas nem isso ouviam.

    Então o doce alívio da desistência pôs fim ao amargo gosto da luta. Que meu esqueleto na estrada lembre ao mundo das almas ingratas que não me ajudaram e que chorem aqueles que só se importaram tarde demais.

FIM.


Toinho Stark do Cangaço, 07/12/2021

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Os ônibus articulados da São Judas Tadeu

    É improvável você pensar em transporte público do Recife e Região metropolitana sem pensar nos ônibus articulados, popularmente conhecidos como "sanfonados", ônibus com carga de cerca de 100 passageiros (em pé e sentados) e que possuem uma distinta articulação, geralmente cinza, no meio do ônibus.
    Ok, chega de falar água e explicar o que todo mundo já sabe, os articulados da São Judas Tadeu são clássicos, desde a época que eles tinham Marcopolo Torino G5 articulados com chassis Volvo, que foram comprados bem usados lá por volta de 2009 (E que gerou um ziriguidum arretado, o couro comeu e virou resenha até hoje), na mesma época dos Busscar Urbanuss 1998 articulados (Também com chassis Volvo B10M) e que eles compraram, rufem os tambores... ...2 Ônibus novos, yay! *Confete estourando*, que foram os Comil Doppio 2008/2009 de numeração 910 e 911, e que eu consegui, por sorte, tirar foto. Fast Foward para 2012, quando eles adquiriram os Busscar Urbanuss Pluss articulados que iriam para a TransMetro (Empresa da Guatemala), mas foram cancelados, eles eram do tipo BRT e foram reconvertidos para o padrão daqui, eram 9 Urbanuss Pluss I e 1 Busscar Urbanuss Pluss II, dentre eles 3 (Um deles sendo o Urbanuss Pluss II) foram para a SJT (Números 201, 202 e 203), 2 foram para a Santa Cruz, mas depois acabaram indo parar na SJT (Números 219 e 220), 2 foram para a Metropolitana, que depois foram para a Rodoviária Caxangá (Números 341 e 342) e outros 3 foram para a Borborema Imperial Transportes (Números 305, 306 e 307). A SJT também adquiriu vários Marcopolo Gran Viale articulados, desde 2008, muitos ainda estão em circulação.
    A São Judas Tadeu antigamente era uma das piores empresas de serviço de ônibus da RMR, mas devo admitir que de uns tempos para cá o serviço deles tem se tornado excelente, um dos melhores da região, sempre com ônibus novos e bem conservados, limpos e com boa acessibilidade.
    Enfim, nas minhas viagens para fotografar ônibus e caminhar por Pernambuco eu busquei várias pérolas e a cereja do bolo que eu vou deixar para o final, mesmo sabendo que você pode literalmente rolar a página por 10 segundos para achar o ônibus, só para que eu me sinta um pouco mais organizado.

Primeiramente, os Marcopolo Gran Viale, não tenho tantas fotos deles:
Ônibus número 119



Esse aqui tá meio longe, vou dar um zoom digital

Pronto, número 204

Agora os primeiros Busscar Urbanuss Pluss, estes já são manjados:

É, este precisa de zoom também...

Pronto, aí o 203


E aí o 202



Agora os mais raros, Comil Doppio 2009 (Ou 2008, depende da perspectiva) número 910:

Quando eu vi, já estava em cima, só deu tempo de fotografar a retaguarda...


E ele, o raríssimo, até onde eu sei, o único Busscar Urbanuss Pluss II articulado do Brasil, o 201 da São Judas Tadeu:

Esse eu esperei 2 horas aí esperando para que ele passasse, já era o segundo dia que eu tentava fotografar o bichinho





E bem, por hoje é isso, gosto muito de colaborar com este acervo de ônibus pernambucanos para a busologia brasileira, mostrar as belezas que temos por aqui.