Nos pomos a passear por entre as pessoas da cidade vizinha, sentamos no banco da praça enquanto ela observa uma lavandeira caminhando por perto. Esperamos um momento de solidão e nos olhamos, nossos olhos discutem o plano sem proferirmos uma palavra, disfarçamos com as mãos no rosto nosso beijo enquanto corávamos temendo ser flagrados. Tomamos um tempo para comer algo e beber um suco, mas nada era tão doce quanto sua saliva.
Voltamos para casa como se a natureza tocasse uma música para nós, alegres e saltitantes pela rua, seguíamos com a 40ª sinfonia de Mozart tocando em nossas cabeças. Chegamos ofegantes em casa, mas felizes de qualquer maneira. Abrimos a porta e nos preparamos para um banho, mas este dia seria um pouco diferente, como se as estrelas tivessem se alinhado.
Apesar de todo o constrangimento agregado, decidimos os dois por banharmo-nos ao mesmo tempo, no mesmo banheiro, no mesmo chuveiro.
-"Bem... somos um casal, não há nada de errado nisso, né?". Pensava comigo mesmo.
Sabe-se lá os segredos do que passava nos pensamentos dela neste momento, mas foi ela mesma quem sugeriu.
Ela e eu, constrangidos, postergávamos ao máximo a retirada de cada peça de roupa, como se nunca tivéssemos nos vistos antes daquela data e esperássemos que alguém desistiria eventualmente, mas isto não ocorreu.
Somente em roupas íntimas, eu de cuecas box e ela com uma lingerie branca com bordados que não prestei atenção suficiente para identificar. Virava sempre os olhos enquanto cobria a região pélvica com as duas mãos, ela punha um braço a cobrir o soutien e o outro braço em volta da cintura, como se abraçasse a si mesma.
Ficamos vários minutos nesta resenha até ela tomar a iniciativa e desnudar-nos. Um de costas para o outro, tomamos banho a princípio, mas acabamos ficando de frente em um momento. Tentávamos balbuciar alguma palavra, mas só saíam engasgos de constrangimento, nem parecemos ter a intimidade de um casal, parecemos amigos ou irmãos tentando esconder nossa sexualidade, nossa atração um pelo outro.
Nossos olhos curiosos fitavam, nem que por um segundo, no corpo nu do outro, então corávamos e disfarçávamos como se fosse um crime.
-"Esta é uma situação bem constrangedora". Ela diz com a voz trêmula;
-"Ah... é... sim... é...". Eu tento responder;
-"Meu amor...". Ela diz, querendo falar algo mais;
-"Diga";
-"Eu te amo muito... confio muito em ti... mais ainda agora... obrigada por aceitar". Ela diz com um sorriso tímido;
-"Ah... eu também te amo, seja como for". Respondo enquanto passo a mão em seus cabelos molhados;
-"Ihihihi... ufufu... eu te amo". Ela fala, entusiasmada.
Apressa-se e me envolve num abraço, que dura um segundo, então nos afastamos com um grito de constrangimento, rapidamente. Então terminamos lá nosso serviço.
Agora vestidos, nos envolvemos num abraço caloroso, nos unimos tão forte que quebramos a física newtoniana, nossos cormos se unem ao ponto de ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, nos completamos, somos, agora, um só corpo.
FIM
Toinho Stark do Cangaço, 23-25/12/2021
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