Pelos passageiros do ônibus, existe desconforto misto, pela janela do Torino 2015 existe um protesto, pela minha mente passa uma dúvida e uma certeza. Pelas ruas movimentadas, pela Agamenon, há tanta gente e tantas vidas. Pelo chão que o carro passa, o povo pisa, o mendigo dorme e o guarda lamenta não ter paz em plena terça-feira, passa o pensamento, esmagado por eles. Pelo céu sem estrelas, pelos rostos celebrando, as bocas reclamando, as indignações a favor e contra cada ideia que ousou escapar, em meio ao país que as desincentiva, existe potencial reprimido.
Olhos para cima, cravo minha dúvida, o que vai mudar com esse protesto? Será que vale a pena algo que foi feito? Olhos no chão, reflito uma certeza, nossas pessoas estão perdidas em devaneios. Lados políticos, brigas, lutas sem sentido, sem motivo, sem humanidade, é o que se tornaram pensadores em potencial, uma energia fluindo pelo terra. Todos têm seus motivos para fazer o que fazem e ser o que são, mas há hipocrisia em cada fala ou crítica que ousa ser tecida, em cada elogio proferido, em cada buzina, em cada rolar de olhos. Existem dois caminhos, o do pensamento e o que muitos trilham, os de sucesso na medicina, engenharia, advocacia, no mestrado e doutorado seguem o do pensamento, os de sucesso político, o outro.
Da janela há um homem, com fome, catando os restos de uma lixeira. Há uma criança com barriga cheia de vermes e mente cheia de ideias, mas que podem acabar num simples engano ou numa bala perdida. Vejo pessoas invisível, camufladas na correria de números, protestos, gritos, pedidos e mentiras. Nenhum deles pensou nessas pessoas, nenhum dos lados, elas passam e passarão fome até quando? Pelo visto, o único que realmente trabalhou para aliviar a fome do povo foi a morte.
Arrogância minha, talvez, não sei. Mas não parece haver lado bom, é como se todos os anos pares, tivéssemos que escolher se o tiro será na mão ou no pé. É uma tristeza revoltante, mas, sinceramente, não quero quebrar o País das Maravilhas que habita cada pessoa. Não quero ser hipócrita, porque também não fiz nada para sanar a fome do pobre velho vagando pelas ruas, mas se é para tercerizar nossas responsabilidades para alguém, que seja para todos que queiram mudar de verdade, não aqueles que se divertem defendendo causas.
Toinho Stark do Cangaço, 02/09/2025
Aos que querem me oferecer um panfleto político, por favor, dobrem e passem para o próximo.
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