segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Atracado ao porto

    Estou em meu cais, como sempre estive. O mar é agitado e tempestuoso, sinto que só passo por ele para chegar ao meu destino, que é outro porto. Por mim, não teria oceano, nem distância, se tudo que faço na vida é ir de ponto em ponto. Cada vírgula ou detalhe, já conheço de minha doca, mas não largo-a se não contra minha vontade. Aqui tenho meus amigos, minha família e aqueles que tenho algum apreço. Se estou em outro lugar, não me sinto tão confortável, pois só aqui tem algo. 

    Preso no vasto vazio do mar, as ondas vagueiam e me agitam, sei que muito tem ao meu redor, mas é impossível não recair a solidão em meu convés. Sinto saudades do meu doce lar, que, mesmo monótono, prefiro estar, mesmo que, com amigos, nem sempre irei conversar, mesmo que ninguém esteja lá, reconforto-me em ser acolhido por seu simbolismo, de, um dia, ter falado a alguém.

    Em todo este oceano, há vida, aves, peixes, outros navios, mas não sinto vontade de olhá-los, tenho pressa em logo terminar meu compromisso, em todo este céu, também existe movimento, mas nada disso importa, pois longe estou do conforto. Se pudesse, nunca largaria meu porto, porque só vivo mesmo quando lá estou, todo o resto é tédio, corrida e trabalho.

    Minha missão é incessante, mas sinto que não desbravaria o infinito azul se não me obrigassem. Se tivesse, porém, companhia de alguém, sinto que notaria em cada detalhe, cada toninha e baleia que me cerca neste turquesa abaixo, cada gaivota que adeja no ciano acima. Notaria cargueiros, cruzeiros e iates, deixando para trás só espuma e a tristeza. O mesmo Atlântico seria tão mais bonito em sua companhia. A beleza sempre esteve lá, mas só você pode despertá-la.

    Casa, na qual tanto sonhei voltar, sempre me apressou a chegar, por isso a jornada não me gera entusiasmo, pois sei que só lá tenho felicidade. Quem sabe se um dia, um certo alguém me libertasse, minha nova habitação seria o vasto atlas deste mundo, pois sei que sozinho irei mais rápido, porém contigo, iria mais longe, à distância correspondente ao nosso amor, ao infinito.


Toinho Stark do Cangaço, 11/08/2025, 04:53-05:44


(Calma, eu não fui sequestrado por ninguém, além de mim mesmo, pois meu "porto" é meu cativeiro. Não consigo aproveitar as caminhadas que dou ou as viagens que faço, pois sinto pressa em apenas voltar logo para casa, onde tenho minhas boas companhias, meus amigos no Discord. Por isso escrevi esta súplica, de um dia ter alguém que me dê gosto de estar nestes lugares, para que eu possa aproveitar a viagem e não só o ponto de partida.)

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