quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Só e acompanhado

    Está abafado hoje, parece que vai chover. Não quero, novamente, fazer analogias e metáforas com lágrimas e chuva, apenas constatar que este desconforto não me impediria de abraçar alguém que amasse, mesmo com tanto desconforto físico. Mas a distância ou inexistência dessas pessoas sim, consegue me impedir. 

    Tudo parece desconfortável quando estou sozinho, talvez por ter sido o estado que me encontrei por mais tempo na vida, algo que quero me afastar para sempre. A solidão é como uma "ex", que você encontra no caminho. Porém não consigo evitá-la, pois sua onipresença a faz tomar conta quando meus amigos não estão comigo. Deixando-me com frio mesmo aos 30°C. Parece que meu corpo é uma geladeira, quente por fora e frio por dentro.

    Bem forte, o sentimento toma conta de mim nesses hiatos que meus amigos não estão. É como se eu estivesse sempre no frio, numa rua, largado no chão. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida. Agravada pelos problemas que "todo mundo tem", mas acredito que algo que todos estes também têm são motivos para continuar seguindo em frente e suportá-los.

    Eu sinto que os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento. A sensação de que é algo forte, sem ser diluído pelo carinho aconchegante de alguém. É como comer coentro puro, tomar Coca-Cola de 1990 pura ou empurrar um carro. Se você não entendeu, tudo bem, queria que você pudesse experimentar e me dizer como é passar por isso uma vez, depois refletir como é ter isso todos os dias.

    Acho que tem solução, na companhia de mais e mais pessoas até que não haja mais hiato em minha vida, assim, sem passar um segundo me sentindo só, sentindo frio. Espero que este dia chegue, que eu possa me libertar de tudo aquilo que me acorrenta ao chão. Espero que quando eu, no futuro, diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência. Torça para que seja a reposta positiva, pois uma delas haverá.


Toinho Stark do Cangaço, 04/02/2026, 20:46-22:15


(O sentimento é como se eu estivesse sempre no frio, numa rua. Algumas pessoas viessem e me aquecessem, mas fossem embora logo depois, o calor residual logo se perde, tornando a ser frio novamente. Agora a temperatura é mais desconfortável, porque saí do calor aconchegante ao frio dolorido, mas logo me acostumo e volto à geladura da vida.)

(Espero que quando eu diga: "Não precisa mais se preocupar comigo", seja porque eu resolvi os problemas que me ardem a pele. Mas tenho medo de que só venha a falar tal frase quando for uma sutil despedida, um amuleto de minha desistência.)

(Os problemas são como cebola, quando misturados com diversas coisas boas e confortáveis, são um tempero que dá sabor à vida. Mas sinto que a minha é como comer a cebola pura, o que é algo que já fiz, em sentido literal, e nem parece ser tão ruim quando lidar com o que enfrento)